De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

20
Jun 09

Com a história de ontem, chegou ao fim o primeiro ano de vida do Palavras Contadas, e consequentemente, o final da primeira fase do projecto.

Foi um ano de altos e baixos (tanto em termos de qualidade como de regularidade), mas da nossa parte, estamos orgulhosos do que fizemos, contentes por termos feito parte deste projecto, e acima de tudo, agradecidos por vos ter como leitores.

A ideia original do Palavras Contadas incluía a passagem do testemunho no final do primeiro ano. Chegados a este ponto, os autores sairiam do projecto, e entraria uma nova equipa de cinco escritores, continuando as histórias a sair regularmente.

Mas a Vida intromete-se sempre nas melhores das intenções, e tal como não nos foi possível manter a regularidade no primeiro ano, também não vai ser possível continuar para o segundo.

Este site não vai fechar. É bastante provável que encontremos outro rumo para ele num futuro próximo, e até lá, não me surpreenderia se surgissem aqui mais histórias, embora de forma esporádica.

Mas os contos regulares terminaram, pelo menos por enquanto. E a segunda fase do projecto, que seria para começar imediatamente após a primeira, está suspensa por tempo indeterminado.

Pedimos desculpa por isso. Gostaríamos de poder compensar os leitores fiéis com mais produção, mas não nos vai ser possível.

Em vez disso, limitamo-nos a agradecer o vosso tempo e a vossa atenção, e em muitos casos, as vossas palavras. Se conseguimos aguentar um ano inteiro, mesmo com todos os precalços, foi graças a vós, e estar-vos-emos eternamente gratos por isso.

Resta-me apenas anunciar que, conforme estava previsto desde o início, os contos aqui colocados até agora serão editados em livro. Ainda não há data nem formato definitivos para o lançamento, mas será edição nossa, sem nenhuma editora por trás.

Mas disso daremos aqui conta quando houver novidades definitivas.

Até lá, despedimo-nos, com um grande abraço a todos os nossos leitores.

E mais uma vez, em nome de todos os que participaram neste projecto, muito obrigado.


19
Jun 09

Tiros e gritos que não se ouvem no vazio do espaço marcaram o momento, e apenas uma série de cadáveres extraterrestres podem explicar o que aconteceu… Fim do Primeiro Conto. Contadas 300 palavras e texto publicado. Ritual repetido ao longo do tempo em que a Terra fez a sua jornada ao Sol.
Agora era a altura de escrever o último dos contos. Nada de invasões, serras eléctricas ou ilusionistas. Queria que fosse sobre ele. Artur tem o Merlin, Frodo tem o Gandalf, Noddy tem o Orelhas, mas ele não tinha ninguém a quem recorrer. Por isso decidiu falar sozinho e ouvir o que tinha para dizer.
- Este é o último conto?
- Sim.
- E depois?
- Depois, vai haver um longo caminho de escrita.
- Por onde começo?
- Pega numa folha em branco e decide!
Escreveu:
Era uma vez um rapaz que tinha muitas histórias para ouvir e contar. No seu sangue corria a mesma magia que fazia o mundo girar e a sua alma estendia-se para o infinito. Criou diversos universos e partilhou-os, provocando diferentes reacções. Quando o seu coração parou de bater, as suas histórias continuaram a ser contadas (algo que agradou profundamente a sua Alma).
Fim do Último Conto. Não tinha 300 palavras, mas seguiu em frente. Releu todos os contos que tinha escrito e gostou da experiência. Pegou em tudo o que tinha aprendido e continuou o seu caminho como escritor. O mais engraçado é que não fez esta viagem sozinho e os seus companheiros de jornada também se tornaram uma fonte de inspiração.
Faltava qualquer coisa…
Antes de jantar passou por um hipermercado comprou uma resma de folhas brancas e 6 esferográficas azuis. Tinha ali tudo o que precisava para começar a tecer novas histórias. O futuro era um maravilhoso desafio.


17
Jun 09

Assim que a enfermeira deixou o quarto, Filipe deitou o cigarro à boca e acendeu-o com o isqueiro velho. Tossiu violentamente dois segundos depois.
Definitivamente, ele não era fumador. Mas pelo menos, agora tinha a certeza disso.
Era das poucas certezas que tinha desde o acidente, e agarrava-se a elas. Afinal de contas, quem não tem memória agarra-se às experiências que vai tendo. Especialmente as que lhe dizem algo sobre quem é.
Olhou para os montes de caixas de arquivo morto que lhe tinham trazido, supostamente da sua casa. "Não sei até que ponto a casa é minha, se não me lembro de alguma vez lá ter posto os pés, mas pronto."
Fez por afastar o pensamento da sua mente. Pegou numa das cerca de 50 caixas, e abriu-a.
"Pelos vistos gosto de escrever..."
A caixa estava cheia de folhas soltas, umas com ideias rascunhadas, outras com histórias. Pegou noutra caixa, e noutra, e noutra, e o conteúdo de todas era semelhante. Páginas soltas com textos claramente autobiográficos, recortes de artigos de revistas escritos por sí, histórias inteiras e por terminar. Tudo isto com assuntos dos mais diversos, desde sexo e amor até colónias noutros planetas, passando por meditações pessoais e entrevistas com gente estranha.
Muitos dos textos eram demasiado curtos ou genéricos para perceber se eram reais ou ficção. Mas Filipe sabia que perdido algures naquele puzzle de palavras, estava boa parte do seu passado. Não fazia era ideia de como o perceber...
Passou horas de volta das 50 caixas, até que tomou uma decisão. Despejou tudo no chão, e deitou fogo a todas as folhas.
E sem apagar o isqueiro, acendeu um cigarro.
Desta vez não tossiu. Pelo contrário, suspirou de alívio.
"Que se lixe", pensou, não contendo um sorriso. "Não fumava? Agora fumo. O resto já não interessa."


15
Jun 09

Sempre que conseguia acordar cedo e ir para a rua desfrutar do nascer do sol, lá estava ela, a Velha, a caminhar curvada sob o peso dos seus muitos anos, com um balde de laranjas, cada ano mais vazio e com um pau comprido na outra mão.
O que estava bem preso numa das pontas deste pau sempre me fascinou: Parecia um vaso de flores, feito de lata de flandres, apenas cortado na base o suficiente para encaixar sob pressão no pau e, na parte superior, recortado em triângulos pontiagudos. Assim, sempre que a Velha queria apanhar alguma laranja mais alta, bastava-lhe estender o pau, colocar a laranja no vaso e rodá-lo, até partir o pé da fruta e colocá-la na boca escancarada do balde faminto.
Conheci a Velha quando fui morar naquela aldeia. De todas as vezes que me cruzei com ela, me interroguei com o que faria a tantas laranjas. Numa manhã de nevoeiro, em pleno tempo das laranjas, esperei por ela e segui-a: E ela foi pelos eitos fora, quintais adentro, visitar cada laranjeira da terra. Apenas apanhava duas ou três laranjas, das mais altas, aquelas onde ninguém chegava, mas eram mais doces, pois apanhavam mais sol.
A Velha roubava as laranjas! Andei uns tempos a magicar no assunto, mas mais ninguém se preocupava com o assunto e como a vida se encarregou de ocupar a minha mente com assuntos prementes, nunca mais pensei nisso.
Então, a Morte visitou a Velha. Ninguém a chorou, pois a solidão era a sua família chegada. Talvez os donos das laranjeiras festejassem secretamente, se alguma vez tivessem desconfiado das visitas dela.
Nessa semana, no mercado da Vila, outra Velha que vendia laranjas abeirou-se e perguntou: “Então, a Ti’Amélia lá morreu, não é? Que ricas laranjas ela me trazia. Devia ter cá um laranjal!...”

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12
Jun 09

Correria e muita poeira, forma sucinta de apresentar a vida da Telma desde a sua fuga. Um trajecto sem qualquer meta à vista. Na parte de trás do carro roubado, estava a sua inseparável serra eléctrica. Quilómetros de tapetes de alcatrão passados, estações de serviço como abrigos ocasionais e uma sensação de falta de direcção.

 

Durante uma curta paragem para almoço, um senhor idoso começou a falar com ela. De acordo com aquele senhor, Portugal ía ser nvadido por extraterrestres. Quem lhe tinha contado fora um ilusionista reformado de nome Mário. Aquela conversa doentia martelava-lhe o cérebro de tal forma que pediu ao senhor para mudar de assunto. Então ele disse:

- Quer uma nova identidade?

- Ora aí está uma conversa que interessa – desabafou – como me poderia arranjar uma nova identidade?

- Arranjo-lhe um BI falso, uma casa para residir em Évora e, com a ajuda da minha mulher, dou-lhe uma nova aparência.

 

Acertaram todos os pormenores, no espaço de 13 dias, a Telma passou a ser a Mafalda, o seu cabelo passou a ser ruivo e a sua nova residência alentejana dava-lhe uma nova calma. Comprou um gato que baptizou como “Espinhas”, em nome de outros tempos. E por fim chorou a morte da Telma para poder festejar o nascimento da Mafalda.

 

Uma noite escura sem sonhos foi o local onde adormeceu, acordou num dia cheio de sol. Saíu para procurar emprego, já tinha visto o sinal a pedir empregado numa mercearia local. Ficou logo a trabalhar lá, era um trabalho que deixava a mente dela descansar. Para já era tudo o que queria.

 

Nos primeiros meses ainda pensava em si, como uma vida paralela, depois aos poucos foi assumindo o controlo daquela nova vida e seguiu em frente. Mesmo assim continuou a conservar a sua antiga serra eléctrica.

 

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10
Jun 09

Ainda me recordo de ser criança, e ter medo de ser um lobisomem.
Costumava ficar acordado nas noites de lua cheia, receoso de que o monstro dentro de mim saísse se eu adormecesse. Assim que sentia alguma comichão, ou outra sensação fora do normal, entrava em pânico, com medo de que a transformação estivesse a começar.
Os medos eram infundados, claro. Nunca me transformei em nada, nunca saiu nenhum monstro de dentro de mim.
O medo passou eventualmente, mas acho que nunca desapareceu. Toda a vida fui o género de pessoa que evita conflitos a todo o custo, e que tenta nunca colocar-se em posição de perder o controle.
Talvez esteja relacionado, ou talvez sejam apenas dois reflexos distintos de um mesmo traço de personalidade.
O certo é que a lua cheia continua a deixar-me nervoso.
Mas não hoje.
Hoje, a luz prateada banha-me e sinto-me livre.
Sinto a cabeça leve.
Não me recordo bem\do que aconteceu. Só de passar em frente ao beco onde estou, e cruzar-me com um homem que nunca tinha visto antes. Depois disso, nada.
Olho para mim mesmo, e pergunto-me de onde terá vindo todo este sangue, até que vejo o corpo estendido no chão, de face quase disforme.
É o homem com quem me cruzei.
Não sei porque lhe fiz isto. Mas em vez de perder a cabeça, sinto-me mais livre do que nunca. Sinto-me feliz.
Olho para as minhas mãos, em dúvida. Mas não, são as minhas mãos, idênticas ao de sempre. Humanas. Manchadas de sangue, mas normais.
Apetece-me rir, pular!
Em vez disso, agacho-me, e com uma dentada, arranco um pedaço do braço inerte da minha vítima. Mastigo-o, engulo-o, e sabe-me melhor que qualquer outra coisa que tenha comido.
Rendo-me à minha natureza, e repito. Todo o medo que tinha de me libertar desaparece.
E finalmente, aceito-me como realmente sou.

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08
Jun 09

Sem mais nada do que fazer para ocupar os seus serões, costumava conversar on-line, através do MSN. Aceitava sem preocupações as pessoas que se propunham para amigas, independentemente do género. Foi tomar café com alguns. Poucas (e ainda menos, poucos) ficaram amigas.
Mas qualquer coisa nela acordou ao conversar horas infindas com aquele homem cinquentão, solitário embora casado. Talvez tenha sido o seu instinto maternal, se isso existe, tantas vezes duvidou. Talvez tenha apenas sido compaixão.
E das conversas banais do início passaram a ter tórridos fins de serão tão afastados na distância, mas tão perto num click do teclado ou do rato…
Ele queixava-se da esposa e ela que tanta vez ouvira essas mesmas queixas noutros homens e não acreditara, achava-as, tão plausíveis, nele. Estava farta de casos fortuitos e de relações frustradas e, inexplicavelmente, nele, isso parecia-lhe impossível de acontecer: tinha a certeza que se iriam fundir num só.
Contra os seus princípios fora com ele. Primeiro um Café. Depois uma Sala, um leitor de CD, uma bela banda sonora. Dançara para ele. Conseguira sentir a chama do desejo dele queimar-lhe a pele, sentira a carícia do olhar dele nas suas mamas. Ele puxou-a para o quarto e ela deixou-se ir.
Sentiu o desejo dele crescer ao seu toque. Sentiu o seu tremor na sua boca. Viu-se no olhar dele. Sentiu-se no toque dele. Suplicou-lhe que se fundissem.
Ela viu-lhe o desejo descontrolado no modo em que ele colocava o preservativo e sentiu na barriga o calor da frustração do orgasmo mais intenso que alguma vez tinha visto um homem ter.
Sorriu para ele e assegurou-lhe que na próxima iria tudo correr bem, limparam-se e dormiram enroscados, tentando não pensar em quão injusta a vida às vezes pode ser.

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05
Jun 09

Cinco andares de má vizinhança, por cada andar duas habitações, um elevador com a possibilidade de levar quatro pessoas de cada vez e 2 administradores (residentes com chatices especiais).
Um prédio com 50 anos em plena cidade de Lisboa. Em tempos um pacífico espaço para residir, hoje uma aberração arquitectónica de betão e humidade mesmo no centro de diversos problemas sociais. A Telma ficou a viver na casa dos pais, eles optaram para ir para um local mais calmo. Ter uma casa em Lisboa é bom, apesar da confusão.
A Telma e o seu gato Espinhas ocuparam todo o território do apartamento e durante uns dias tiveram uma boa vida. A primeira festa que a Telma tentou organizar começou com um simples jantar, estavam todos a conversar até a campainha os interromper. Era um polícia com 1,90m e cara de mau. Apontou para o relógio, exibiu o mostrador, 21h15:
- Uma vizinha queixou-se dos vossos desacatos fora de horas.
A Telma justificou:
- Mas ainda é cedo.
- Já foi avisada.
A festa ficou mais silenciosa mas acataram as regras.
Ao 10º dia esqueceu-se de fechar correctamente a porta do elevador e a velha Berta, do 3º andar esquerdo (a que tinha a mania de estar sempre a medir a tensão), chamou-a de todos os nomes insultuosos que se lembrou.
Ao 13º Dia o Espinhas apareceu assassinado com um aparelho de medir a tensão em redor do seu pescoço. Telma desceu as escadas, carregada de emoção, pronta a agredir a velha Berta. Assim que a hipócrita abriu a porta, deixou as suas mãos esmurrarem os dentes podres da Velha. O que não contava é que estivessem lá mais vizinhos à sua espera. Parecia uma batalha perdida, mas a Telma tinha consigo uma serra eléctrica e ajudou a melhorar a vizinhança. Com o seu jeito para esconder corpos, aquele evento nunca foi uma manchete de jornal.

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03
Jun 09

A primeira coisa que notei na casa de João foi o ar pesado. Todos os estores estavam fechados, e a sala onde me recebeu estava apenas iluminada pelo monitor do computador.
João contrastava com o ambiente. Sorriso aberto e bem disposto, roupa de cores vivas, embora simples, e um aperto de mão forte e animado.
- Há seis anos - disse, em resposta à minha primeira pergunta. - Não preciso de sair de casa. Tudo o que preciso posso encomendar, por computador ou telefone.
- Mas tem medo do mundo exterior, ou de germes, ou...
- Nada disso. Simplesmente habituei-me ao conforto de viver sempre dentro de casa, e conclui que não há razão nenhuma para sair.
- E não sente falta de vida social? Ou mesmo romântica? A maioria das pessoas tem dificuldades em viver sem o contacto com os outros...
- E eu também tenho. Mas sempre fui algo solitário por natureza, e por isso não sinto tanta falta como os outros. E a falta que sinto compenso online. Eu estou sempre em contacto com os meus amigos, seja por mail ou mensagens instantâneas.
- Bom... Perdoe-me, mas tenho que perguntar. E quanto a sexo?
João riu-se.
- Sexo também se pode encontrar online. Já tive uma namorada que conheci na net, e não é a primeira vez que... encomendo, digamos...
Ao longo de toda a entrevista, João surpreendeu-me com quão bem ajustado estava à sua vida isolada.
Eventualmente, senti a garganta seca, e pedi-lhe água. Ele foi à cozinha, e não resisti a olhar para o sempre aceso monitor, onde estava aberto o Messenger dele.
Todos os contactos dele eram bots, a publicitar sites de webcams eróticas, ou algo de semelhante. Nenhum deles tinha uma pessoa autêntica por trás.
Quanto terminámos, João despediu-se com o mesmo sorriso com que me recebera.
Ainda não sei se o sorriso era suposto enganar-me a mim, ou a ele.

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29
Mai 09

Domingo é dia de visitas da família, por isso é um dia de alerta para todos os funcionários da Casa de Repouso "Amigos dos Idosos". Um dia de muitas emoções, quer se receba uma visita, dez, ou zero. Um dia com muito mais confusão, muitas caras novas e, para o velho Carlos, uma possibilidade de fuga. 

Já tentara fugir inúmeras vezes, a maior parte das fugas durante excursões e festas de Natal. A Direcção da Casa de Repouso não conseguia compreender o motivo do Carlos querer fugir, faziam de tudo para que ele se sentisse bem e, mesmo assim, parecia que a mente dele só concebia fugas da instituição (sem nunca as conseguir concretizar).

Todos tinham família, a dele desapareceu. Ele sabia que estavam todos vivos, talvez em Espanha, simplesmente tinham-no abandonado ali para morrer. Precisamente naquele dia, o filho mais velho tinha decidido aparecer para pedir perdão ao pai. Um contratempo no seu plano de fuga, optou por fingir uma ira gigantesca e colocaram-no sala, mesmo pertinho da porta da rua. Andava ali um puto a brincar com um carrinho vermelho, Carlos não hesitou:

- Olá pequenino! Fazes-me um favor? Abre a porta para eu tomar um bocadinho de ar.

O puto abriu a porta e afastou-se. Carlos e uma porta aberta. “Ela” sempre a chamar por ele.
 

Deu consigo a acordar fora da Instituição, sem pequeno-almoço, sem sorrisos simpáticos, sem outros velhos. Sentiu-se em Paz. Olhou para o mundo em redor e sentiu-se maravilhado pela situação de incerteza. Procurou uma nespereira e sentou-se à sua sombra num estado de completa absorção pelo seu mundo interior.

A mente parou, a ilusão desfez-se.

Ao abrir os olhos, livre de qualquer nevoeiro da mente, tomou a grande decisão da sua vida: tornar-se um ninja. Foi assim que se iniciou o primeiro capítulo da Saga "Carlos, o ninja de bengala".

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