De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

24
Nov 08

«Dão Bello Tinto, que nos diz?» - pergunta Frescco, o Dão Branco.
Bello, o Dão da família Tinto, dirige-se então à mesa:
«A sua família, Branco, em tempos não tão longínquos quanto isso, desafiou-nos, mas eu não guardo rancor. Ainda me lembro das batalhas duras que travámos pelo controlo das Adegas regionais, esses templos sagrados. É assim o negócio. Não foi pessoal, eu sei. É assim mesmo La Tosga Nostra.» - uma pausa - «Depois, com a chegada da família Verde, tivemos de aprender a conviver entre três poderes… conseguimos o equilíbrio.» - sopra fumo do charuto - «Mas agora, uma ameaça maior requer a nossa união. Depois da desrespeitosa invasão dos nórdicos, os Bier, a família Cola, liderada pelos irmãos Coca e Pepsi, e o clã Zevenuppe tem estrangulado violenta e impunemente o negócio das famílias antigas. Até o famoso Martino Rosso, mais conhecido por Ice Tino, anda no nosso encalço. Temos de lutar em conjunto. A nossa sobrevivência depende disso! Devemos aliar-nos.»
Os outros dois líderes entreolham-se. Por fim, os três estendem as mãos direitas e firmam a sua aliança proferindo em uníssono a sigla sagrada: «V.Q.P.R.D.»
«Doravante,» - Dão Branco toma a palavra - «somos os Verde-Branco, os Verde-Tinto e os Branco-Tinto…»
Dão Bello Tinto faz uma careta de desgosto - «Não gosto desse último… devemos encontrar um nome mais… mais…» - uma hesitação longa - «mais colorido.»
«Mais “Rosado”?» - coloca Dão Branco.
«Sim, boa ideia… Rosado… mas, falta alguma finesse, como dizem os franceses…»
Um dos seus jovens guarda-costas atreve-se a intervir:
«Que tal Rosé, Dão Tinto?»
Bello encara-o imediatamente com firmeza, mas depois descontrai.
«Rosé? Sim… Rosé… gosto. E tu, como te chamas, meu jovem?»
«Mateus, Dão Tinto… Mateus…»
E os três olham-no e começam a salivar como se estivessem perante uma lagosta suada.

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