De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

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Out 08

O meu revólver chama-se Mickey, o revólver do meu melhor amigo chama-se Pateta. Fizemos o juramento de dispararmos lado-a-lado até ao último sopro de vida, a nossa vida foi uma montanha-russa desde do incidente da bomba na EuroDisney. Renovámos a magia Disney com um estouro em grande.

O Mickey e Pateta reformaram-se quando encontrei um pardal ferido e decidi cuidar dele. Como uma coisa tão pequena alterou profundamente a minha vida. Foi assim que se passou: Eu e o meu amigo estávamos a correr depois de um assalto a um banco quando ouvi um piar. Parei estupidamente, tirei a meia da cabeça, guardei o Mickey no bolso, contornei uma árvore e vi o "Falcão" (foi assim que mais tarde o baptizei) pela primeira vez. Peguei no pardal com a asa ferida e levei-o para casa.

O simples facto de ter parado para procurar o responsável pelo piar já foi importante, pois dessa forma eu não fui apanhado pela polícia. Sorte igual não tiveram o meu amigo e o Pateta. Entendi que aquele momento era uma oportunidade para auxiliar para um ser vivo (para pessoas não tenho muita pachorra).

Foram duas semanas de esforço para recuperar a funcionalidade daquela asa ferida, bons momentos de conversa (eu a falar para ele) e a simples constatação que eu próprio precisava de voar. Como é que um ser humano pode viver tantos anos sem nunca desejar voar? Estamos a falar de tocar nas nuvens com as nossas mãos, não termos de aturar mais filas de trânsito e podermos conviver com as aves.

Ontem ao nascer do dia, foi a nossa despedida. Abriu as asas e voou. Espero que tenha voado alto e longe pois a partir de hoje esse é o objectivo da minha vida e nada do que fiz anteriormente tem qualquer sentido.

publicado às 00:13
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