De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

09
Jul 08

Ele nunca a tinha visto sorrir. O que era estranho, estando ele apaixonado por ela.

Não, apaixonado não. O termo era forte demais. Sentia-se atraído, uma daquelas atracções que tomam conta de nós. Isso. Era uma atracção.

Que surgira semanas atrás quando ele for a um bar com uns amigos. Ela estava lá. Linda. Perfeita. O centro de todas as atenções. Estava claramente a divertir-se, a linguagem corporal dela assim o indicava, mas nada de sorriso. O que lhe dava um ar enigmático ainda mais captivante.

Durante toda a noite, ele não conseguiu tirar os olhos dela. Eventualmente, ela fitou os dele. E continuou a fitá-los, por mais uns momentos ainda. Acabou por desviar ele o olhar.

Não a conseguindo esquecer, ele voltou a esse bar sempre que pôde, e ela estava frequentemente lá. Os olhares cruzavam-se sempre. Ele nunca fazia nada. E ela desviava a atenção.

Até hoje, em que ele finalmente ganhou coragem, e trémulo, dirigiu-se a ela. Ela viu-o, e fitou-o. Estaria contente por ele se ter decidido? Estaria admirada? Sem sorriso, não era possivel ver. Mas ela não deixou de o fitar, até ele se sentar ao lado dela ao balcão.

Ele olhou para os olhos dela, e sorriu. Ela olhou para os dele, e finalmente, sorriu também.

O sorriso dela parecia morto. Parecia sugar toda a luz que irradiava dela. Ele próprio sentiu-se quase desfalecer, sentindo-se invadido por um vazio que quase o derrubou. Mas não deixou de a fitar. Ela, por outro lado, baixou os olhos para o balcão. Ela sabia. Talvez fosse por isso que não sorria nunca.

Ele levantou-se, e voltou para junto dos amigos. Olhou para ela. A alma da festa esfumara-se num sorriso morto. Ela continuava cercada de gente. Mas aos olhos dele, era a pessoa mais só do mundo.

publicado às 00:01
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comentário:
Que triste!
Mas isso é a contradição de um sorriso,...
São a 9 de Julho de 2008 às 00:36

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