De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

27
Nov 08

Entre poeira e máquinas, reinava um ambiente cinzento. Os homens que ali trabalhavam, acordavam cedo e só paravam por uns minutos para fazerem as suas refeições e para irem para casa. Ruídos metálicos, cabos eléctricos, cheiros fortes a combustíveis. Por entre aqueles sinais da revolução industrial, passeava-se um rapaz de trinta e poucos anos, barba castanha, aparada. Ele caminhava por ali e deixava os seus olhos curiosos tocarem em tudo o que o rodeava. Registava tudo na sua impecável memória, surpreendendo com um sorriso aberto e olhos brilhantes. Era contagiante. Esse rapaz nunca tinha nascido, era uma personagem de ficção de um conto com apenas cem palavras, chamava-se Ulisses. Veio para a realidade das pessoas sérias para abrir um negócio, com o qual conseguisse estimular a imaginação das pessoas; em duas semanas iniciou o seu projecto e abriu uma loja de brinquedos.
Durante anos, a loja de brinquedos do Ulisses foi o palco de milhares de brincadeiras diferentes. Visitada por princesas em perigo, gigantes cósmicos, elefantes voadores e outras tantas personagens que queriam divulgar os brinquedos que criaram. Todos os miúdos procuravam convencer os pais que ali vivia o segredo da sua felicidade, garanto-vos que nenhum estava a mentir. Passados vinte anos, as pessoas começaram a comentar que o Ulisses não envelhecia, continuava a parecer um rapaz de trinta anos. As suspeitas sobre o dono da loja, influenciou a imagem do espaço e aqueles brinquedos passaram a ser menos visitados. Em três tempos, a loja ficou menos apetecível, as crianças da zona passaram a contar histórias umas às outras: Ulisses tinha feito um pacto com o Diabo para viver para sempre. A Loja fechou, foi vendida a uma grande empresa industrial, Ulisses voltou à sua realidade e, uma vez mais, toda a humanidade perdeu uma oportunidade de sonhar mais alto.

publicado às 12:32
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