De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

24
Fev 09

 

Fomos à nossa vida.

 

Voltámos as costas.

Dissemos adeus.

E ela disse: “Desculpe, mas tenho que ir atender…”

Chegou um cliente.

Olhámos nos olhos uma da outra e fiz-lhe uma carícia na face engelhada com tanto carinho.

Como eu gosto da minha sogra.

Ela disse: “Tão boa que você é! Gosto tanto de si. É pena não ter dado certo. Tanta pena!”

Então dei-lhe um abraço e chorámos as duas.

Trato por tu a solidão, conheço de cor o som gritante das paredes, senti a dor ensurdecedora da casa vazia, sei o que custa querer alguém para falar e ninguém para o fazer! Desejar acima de tudo, ser amada e querida por quem amamos e que é cego à nossa dor. Sei o que ela sentiu e sei o que doeu.

E com uma tristeza infinita nos olhos disse-me: “Veja lá, Filipa nenhum deles me telefona ou me vai visitar! O Ricardo apenas aparece com os meninos para comer ou com a roupa para lavar…“

E continuou: “Ahhhh, estou tão triste! Ontem, domingo, estive todo dia sozinha e pensei com os meus botões: Virgínia - tens cinco filhos e nenhum te telefona para saber se estás bem ou não, nenhum!”

“Ah, então quer dizer que o Ricardo está de folga e foi buscar os filhos. Acho bem…”, começou ela.

“Estão com o pai e eu vim pôr a mota na revisão e depois vou dar um passeiozito com a Matilde.”, respondi-lhe.

Perguntou-me: “E a Filipa vai bem? E os meninos?”

Disse que sim, que estava bem.

Voltei a sorrir e perguntei-lhe: “Como vai, está boa?”

“Está bonita, a minha nora. Bem, você sempre foi bonita”, disse ela, simpática como de costume.

Eu sorri e beijei-a.

“Olha quem é ela!”, exclamou a Sra. Virgínia.

 

publicado às 00:01

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