De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

16
Mar 09

40 anos feitos. Era hoje o seu aniversário e para a ocasião, vestiu uns jeans muito justos que a favoreciam.
- Good. A exibir esse cu fantástico!, disse-lhe o seu cyberfriend (não, não disse! escreveu, aliás, pensa ela, mas nada lhe garante que não tenha sido outra pessoa a passar-se por ele, tantas vezes lhe pediu para ligar a cam, o que ele recusou, ainda não percebeu porquê, será velho?, será feio?, será uma mulher?, perguntas que lhe assaltam o espírito inquieto, mas que às quais se recusa responder, porque aquela “amizade” cyberniana é a única companhia que lhe resta, depois de ter desistido de investir nas amizades físico-reais, das pessoas que conhece, das que poderia conhecer, não quer tentar mais, sofreu desilusões suficientes para seis ou sete vidas).
E foi beber um café à esplanada Finisterra inaugurada há pouco tempo: vivam as eleições, não para termos governantes dignos e inteligentes, mas para termos festas, comida e bebidas de vez em quando e para se construírem esplanadas à beira rio, tão agradáveis nesta altura do ano, em que já não faz frio e o sol ainda não nos estorrica a pele, boa altura dos bifes virem fazer férias, não no Verão, ficam a pele que é uma vergonha, querem dizer aos amigos, ah, fui passar férias e assim, e aparecem em casa, qual lagostas suadas.
Lá bebeu o seu café solitário e pensativo, mas porque raio nos sentimos tão sós, quando temos uma família que nos ama, uns filhos que amamos, um cão que nos olha com adoração, quando apenas só nos falta um homem ou uma mulher, conforme o género ou os gostos.
Foi pagar, o dono do café olhou para o cu fantástico que ela exibia, olhou para ela, ofereceu-lhe o café e pediu-lhe o número de telemóvel.

 

publicado às 00:01

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