De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

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Abr 09

O Lobo Solitário enrolou-se contra a rocha, tentando escapar ao frio. Mas o frio vinha-lhe de dentro, não da neve à sua volta, e o Lobo não sabia como se abrigar dele. Habituado à sua vida simples de caçar, procurar abrigo, e dormir, o Lobo não sabia reconhecer o frio pelo que era realmente.
Um dia, enquanto caçava um veado, o Lobo notou outro animal a perseguir a mesma presa. Era, também ele, um lobo. Nenhum deles conseguiu caçar o veado sozinho, mas quase por acidente, acabaram por saltar os dois para cima da presa. O Lobo Solitário lançou-se ao pescoço, e o outro lançou-se ao lombo.
O veado não teve como resistir, e poucos minutos depois estava morto.
Os dois lobos trocaram olhares, medindo-se mutuamente. Mas nenhum deles tentou impedir o outro de se alimentar. Pelo contrário, comeram lado a lado, sem qualquer problema.
Quando se achou satisfeito, o outro lobo começou a afastar-se, mas lançou um olhar para trás antes de partir. O Lobo Solitário entendeu, e seguiu-o.
Não tardou a que encontrassem uma alcateia. Evidentemente, o outro lobo pertencia ao grupo, pois nenhum dos animais estranhou a sua presença. Só quando viram o Lobo Solitário se ouviram alguns rosnares. Que desapareceram, quando o seu conhecido lado a lado com o recém-chegado.
O Lobo Solitário acabou por se habituar a caçar e a conviver com a alcateia. A sua presença passou a ser aceite sem problemas, embora nenhuma das fêmeas aceitasse os seus avanços, e nenhuma das crias brincasse com ele. Mesmo os machos adultos o ignoravam a maior parte do tempo.
À noite, quando o Lobo Solitário se aconchegava contra a costumeira rocha, sabia que no dia seguinte voltaria a estar com a alcateia, e que caçaria com eles.
Mas não lhe bastava para se abrigar do frio.

publicado às 00:01
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