De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

25
Jul 08

O despertador tocou à hora prevista. “Seis da manhã...” Pensou Pedro ainda deitado na cama. Ao seu lado, a sua esposa continuava a dormir sossegadamente. Seria preciso mais do que um simples despertador para a acordar àquela hora.
Pedro, ainda meio a dormir, estica o braço e carrega no snooze. O despertador continua a tocar. Estremunhado, senta-se na cama, agarra o despertador e desliga-o na patilha. O despertador continua a tocar. Pedro empurra a patilha para cima e para baixo, mas o despertador não se cala.
- Mas que merda... –a chinfrineira já o estava a irritar. Pedro levanta-se da cama e arranca o despertador da tomada. O despertador continua a tocar.
Com um rugido atira o despertador contra a parede, que acaba desfeito no chão. O despertador continua a tocar. Pedro olha, confuso para o pequeno monte de entulho. “não... tem de ser outro alarme...”
Pedro procura por outro despertador. Tenta perceber de onde vem o som, mas este invade-o como uma praga e confunde os seus sentidos. Desesperado, abre gavetas e caixas, atirando tudo para fora, mas o barulho não para e ele não consegue encontrar nada. Começa a partir o espelho e as cadeiras e os bibelots da mulher, mas a merda do despertador “não se cala... não se cala...”. Na confusão, Pedro repara que a mulher ainda dorme. Corre para ela e tenta acorda-la. Grita-lhe, agarra-a pelos ombros e abana-a. Nada. A mulher dorme. Pedro larga-a e recua, com o barulho a troar-lhe nos ouvidos. Tropeça e cai a um quanto a murmurar “não se cala... porque não se cala... não se cala...”.



Raquel olha para o marido agachado num dos cantos da cela. A cabeça baloiça levemente, batendo contra a parede almofadada. Têm na cara, as marcas frescas de murros e arranhões do seu último ataque. Raquel limpa as lágrimas e despede-se:
- Adeus Pedro.

publicado às 00:01
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