De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

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Ago 08

Há muito, muito tempo vivia, num belo palácio, um Príncipe obcecado pela perfeição dérmica. Tal era a sua teimosia que só se dispunha a ver ou ouvir as criaturas com a melhor pele. Quanto mais perfeita fosse, melhor a posição que gozava na Corte. Pobre do desgraçado a quem lhe aparecesse uma borbulha! Seria expulso da companhia do Príncipe para nunca mais ser admitido na sua real presença.
Estava o Prícipe aborrecidissímo, por não ter companhia para o seu jogo de Gamão (os melhores jogadores tinham sido expulsos por exibirem poros desmesuradamente dilatados!), quando viu, a passear-se no jardim, a rapariga com a derme mais perfeita que havia memória. Imediatamente se tomou de amores por ela e, sendo solteiro, decidiu desposa-la.
A rapariga (de nome Rosa!) era a filha mais nova do Ministro-de-Contas. Não morria de amores pelo Príncipe, mas temendo o seu mau génio, resolveu aceitar o casamento, não fosse o seu real noivo expulsar o Pai e as Irmãs.
O Casamento foi realizado três dias depois e todos foram convidados. Ora, a agora Princesa Rosa, tinha um pequeno defeito dérmico que poderia condená-la a uma vida infeliz ao lado de tal real marido: estava amaldiçoada com umas olheiras crónicas que lhe surgiam todos os dias, pouco depois do pôr-do-sol.
Assim, era com grande agitação que Rosa esperava pelo findar do Espetáculo de Fogo-de-Artíficio, que marcaria o fim das Celebrações Matrimoniais, pois tinha medo que o Príncipe notasse aquelas terriveis máculas por baixo da sua maquilagem.
Pois assim aconteceu, o Príncipe depressa perdeu interesse no Fogo-de-Artificio e, ao olhar para o rosto iluminado da sua bela esposa, descobriu-lhe as pequenas olheiras experientemente cobertas com maquilhagem.
Foi tal a sua raiva que mandou logo matar o seu Sogro e as Cunhadas. E a Esposa, enterrou-a na masmorra mais escura que tinha, para se poupar a pôr os olhos em tal fealdade.

publicado às 00:01
editado por B. T. Estanqueiro em 26/08/2008 às 17:29
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