De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

23
Jun 08

O disparo projecta o tal som que me é bastante conhecido. De cada vez que o ouço, tento catalogá-lo durante o microsegundo que existe entre a sua ocorrência e a pintura abstracta em que se torna o corpo do alvo. Há quem diga que as Wasp 3A se assemelham realmente a um ninho de vespas irritado por algum intruso. Quanto a mim, fico sempre fascinado com aquele som curto que não consigo encaixar em mais nada a não ser na minha fiel Waspy.
Eu e esta arma estamos juntos há muito tempo. Fiz com ela a recruta. Suei muito com ela junto ao corpo. Tratei-a sempre bem com o amor com que retribuía aquele que sentia dela para comigo. Nela sempre pude confiar. Se no final de um dia árduo me sentia prestes a desistir, falava com ela, afagava-a, limpava-a, desincrustava a camada queimada dos contactos da turbina do seu mini-reactor, cuidava dela, no fundo, como a uma filha... e os Deuses me livrem de ser pai!...
Tornei-me Sargento com ela no coldre a meu lado, orgulhosa e lustrada. Depois veio a crise nas montanhas Wydam e a minha promoção a Tenente e a medalha de bravura. Ela sempre comigo. Sempre bem tratada. Sempre fiel. Sempre amada. Nunca poderei amar um ser humano ou um animal como amo a minha Waspy, pois só ela me entende, me aceita e me pode amar.
O alvo de hoje desfaz-se em sangue e orgãos aos pedaços como todos os outros antes. Não é em nada diferente dos outros; não para mim. Amo o meu trabalho porque amo a minha arma. Se os homens no poder precisam disto feito, eu faço-o alegremente... eu e a minha Waspy. Vivemos felizes, juntos e sem culpa.

publicado às 00:00
editado por Rui Diniz às 09:58
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comentário:
Bom começo ;) Abraço
Jorge a 23 de Junho de 2008 às 14:59

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