De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

28
Jul 08

Nada me dá maior prazer que ouvir o rugido do motor do meu Mustang de '78 quando entra nas rotações limites. Adoro levar este veículo semi-alado ao máximo das suas capacidades e na verdade ele também. Ah!... o pequeno estalido metálico quando uma mudança entra, o empurrão para trás quando o meu pé pressiona o acelerador! Ah!... a vertigem da emoção de ser uno com ele, de sentir a sua mecânica reagir aos meus músculos como se fosse uma extensão dos mesmos, um membro sobre o qual eu tenho total controlo consciente! O prazer de domar – e amar – o temperamento selvagem de um animal robusto e fazer dele o meu cavalo, por vezes até, o meu pégaso! Com ele, sou Deus!
Quando me sento nele e acaricio o seu volante, sinto que este ser, que muitos dizem não ser mais que um monte de metal montado pela magia de um relojoeiro, é de facto um ser vivo! - e o que é um ser vivo senão uma máquina?
Com estes pensamentos na mente, desacelero perto do meu último destino de hoje. Pego na bomba caseira, coloco-a debaixo do braço e caminho despreocupado, como apenas mais um caminhante numa cidade às quatro da manhã. Aproximo-me do dispositivo, exponho a película colante, trepo agilmente e coloco a bomba o mais perto possível daquele demónio. Acciono o comando que inicia a contagem e corro de volta para o meu Mustang de '78.
Entro, dou à chave, meto a primeira, acelero com violência e o meu cavalo semi-alado responde com um rugido e um relincho dos seus cascos. Atrás de mim, a explosão que destroi o último dos radares rodoviários desta cidade. Eu regozijo, pois por algum tempo, o MEU MUNDO está livre de opressão... e é um paraíso só meu...

publicado às 00:01
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comentário:
Lindo!
Barbi a 28 de Julho de 2008 às 21:10

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