De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

08
Set 08

Aquela tipa está outra vez no mesmo sitio, a fumar cigarros. Há meses que ela passa uma ou duas horas por dia sentada na esplanada da pastelaria a olhar para a janela do escritório onde trabalho. Talvez seja mais uma das mulheres do Alfredo. É um tipo sem vergonha nenhuma. Lá porque é jovem tem a mania que pode fazer como bem entender... mas há regras! E as regras são para cumprir!
Enfim... é puto, não sabe nada da vida. Porque não olha ele para o meu exemplo? Um homem casado e com filhos! E quem leva do Dr. Prata sou eu!
Raios partam o Alfredo, sinceramente...
E a mulher lá continua... Não aguento mais...

«Alfredo!» - o chefe levanta a cabeça na minha direcção - «Venha cá!»
Levanto-me e vou.
«Aquela mulher ali. É um dos seus romances não é? Pois diga-lhe que vá ter consigo após o trabalho. Há meses que ela fica ali horas a olhar! Francamente!»
Espreito pela janela - «Olha-me bem aquilo... eish!» - depois lembro-me com quem estou - «Mas não a conheço, chefe...»
«Acha que sou parvo? Pois vai ver!»
Ele pega no casaco e sai porta fora. Eu fico à janela, curioso.
Vejo o chefe aparecer lá em baixo. Aproxima-se da mulher e diz-lhe qualquer coisa. Ela levanta-se, quase se encosta a ele e diz-lhe algo ao ouvido. Depois afasta-se e o chefe vai atrás dela, entrando na residencial da porta ao lado da pastelaria.

Meia hora depois, entra o Dr. Prata.
«Alfredo! A minha mulher passou por aqui?»
«Não, Doutor»
«Que raio! Costuma esperar por mim ali na pastelaria... bom, deve ter ido para casa mais cedo...»

Saio da residencial muito mais leve. Toma lá Alfredo! Jovem e aventureiro, mas nunca conheceste a fantástica “Mulher de Prata”...

publicado às 00:01
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