De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

15
Set 08

A mulher ajeita a maquilhagem. Mónica. Tem 32 anos. Trabalha no escritório de uma grande empresa especializada em equipamento hospitalar, que por sua vez está associada a uma grande corporação farmaceutica. Enfim, fica tudo em casa. Já dei essa matéria noutra aula.
Ela é que não fica em casa hoje. Ajeita a maquilhagem, prepara o decote; sairá determinada a divertir-se.
O homem, Francisco, 27, entra no quarto com um ar de tristeza irada. Contida em si está a violência emotiva que sente. Vive escondido atrás da máscara de desgraça.
Ele aproxima-se e coloca as suas mãos nos ombros nús dela. Pergunta-lhe se vai sair. Ela sacode o seu toque e responde afirmativamente com ar de raposa ofendida. Pelo olhar, ele entende que ela não quer que ele fique. Ele afasta-se, pega no casaco e sai de casa.

Horas depois, ela entra no prédio aos tropeções, entrelaçada com um homem que acabou de conhecer. Chamam o elevador por entre um ardente beijo.
Francisco aparece, vindo de um canto escuro da escada. O seu olhar é pesado, vermelho. O beijo é assim interrompido num pulo assustado. O outro homem toma a dianteira, para o confronto entre os machos pela fêmea. Tudo muito animal. Registo-o.
Francisco é devastador. Num só golpe, a lâmina violenta quase separa a cabeça do adversário do resto do corpo. Mónica chora e grita de terror até sentir a dor aguda da lâmina perfurando-lhe o coração.

Desligo os monitores. Já chega por hoje. Nestas alturas, sinto-me feliz por estar do lado certo da guerra, daquele que irá vencer. Detesto isto tudo, mas finjo. Antes a aniquilação do povo estúpido que a minha...
Assim, preparo-me para ser líder. Se jogar bem este jogo, “eles” ficarão contentes... é a minha aposta mais segura.

publicado às 00:01
Autoria::

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

blogs SAPO