De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

22
Set 08

Esta noite alguns dos do meu povo serão libertados da escravatura.
Há seis guardas na entrada principal. Por aí não é possível atacar, mas sabemos que outros dois fazem rondas pelo perímetro do recinto e que numa das arestas mais escondidas podemos ter sucesso.
Eles aproximam-se. Faço um sinal e ouço os passos ligeiros dos meus três companheiros nas folhas caídas. Distingo nas formas de dois deles que preparam os arcos para disparar.
Novo sinal meu.
O sopro quase simultâneo de duas flechas a cortar a brisa precede os gritos abafados pela ausência de ar, um espasmo nas sombras e o som de corpos a cair. Aí, eu e outro corremos com pé leve até à zona onde caíram. Escondemos os cadáveres e aproximamo-nos da paliçada. Colocamos o mecanismo entre dois dos troncos. Giramos a maçaneta e começa a abrir-se uma brecha. Noto movimentação no interior. Quando a passagem está larga o suficiente para uma pessoa, surge um grito lá de dentro e uma tocha acende-se com uma faísca. Um rosto zangado apresenta-se.
“Venham! Estão livres!” - digo com entusiasmo.
Alvoroço no interior.
“Ladrões!! Chamem a guarda!” - grita o homem empunhando a tocha.
“Não! Nós somos das montanhas! Viemos libertar-vos!”
“Libertar?! Estão a invadir a nossa casa!! Libertar do quê?!”
“Venham, não há tempo!”
Estico o braço. O homem encosta o fogo à minha pele. Eu grito e salto para trás. Os restantes guardas aproximam-se.
“Alto aí!” - gritam.
Duas flechas matam os primeiros dois guardas. Os outros desembainham as espadas e atiram-se a nós. O meu companheiro morre no primeiro golpe. O segundo perfura-me e eu cedo à dor paralisante. Caio no chão estupefacto.
Antes de me render à morte, ainda ouço uma voz no interior da paliçada:
“Salvaram-nos destes bandidos!...”

publicado às 00:01
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