De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

27
Out 08


Final de tarde. Apesar do vento forte que atravessa aquele bosque na colina, o casal não se sente incomodado. Pelo contrário.
Chamar “casal” pode não ser apropriado – depende da perspectiva – dado que nada de oficial foi alguma vez declarado. Beijam-se todos os dias, dando de beber aos seus desejos; fazem amor com paixão, ainda que encarando os momentos ardentes com espírito jovial. Há uns anos que assim é. Apesar disso, eles nunca assumiram a palavra assustadora “namoro” e, consequentemente, muito menos “casamento”. Por isso, depende da perspectiva chamá-los de “casal” – deixo ao vosso critério.
Sérgio é músico. Consigo anda sempre a sua guitarra, instrumento já muito vivido e cicatrizado pelo uso. Filipa é estudante. Finalista do curso de Gestão, sonha com uma estável e recheada carreira empresarial. Talvez por isso, ultimamente, ela tem reflectido muito. Ama o Sérgio, quer viver com ele, conjugar aqueles dois mundos tão distintos. Talvez seja tempo de enfrentar as palavras das quais fogem. Mais até; Filipa deseja saltar o “namoro” e atirar-se à aventura de um “casamento”. Por isso sugeriu a colina ao pôr-do-Sol, este ambiente ventoso que torna tudo mais fácil...
As palavras, quando ela avança, soltam-se todas de uma vez, expelidas sob pressão.
«Quero casar contigo.»
Sérgio sorri; já esperava.
«Só há uma mulher com quem eu casaria.»
«Eu?»
Ele sorri abertamente - «Se adivinhares o que estou a pensar, respondo com uma canção.»
Ela olha-o, pensa um pouco e sorri - «Ahhhh...» - num olhar maroto.
Curva-se, desaperta as calças, afasta o cabelo que se rebela ao vento e saboreia-lhe o pénis.
Sérgio pega na guitarra e começa a tocar. Como prometido, entoa a sua resposta com um refrão conhecido:
«The answer my friend... is blowing in the wind... the answer is blowing in the wind...»

publicado às 00:01
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