De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

31
Jul 08

Certa vez uma borboleta atreveu-se a criar um parque de fantasia para insectos doidivanas, quando nada disto era esperado dela.

Não fazia parte dos projectos de vida de borboletas “normais” criar mundos de fantasia, mas esta borboleta tomou tal decisão; sem a realizar nada mais teria sentido.

Quem achava que a conhecia não percebeu e talvez até a própria nem soubesse dar uma resposta totalmente convincente. Apareceu-lhe sobre a forma de uma inquietação, um desejo incontrolável ainda quando se encontrava em forma larvar e ao sair do casulo já tinha ideias mais concretas.

Até os insectos doidivanas (que supostamente iam ser o público-alvo de tão engenhoso projecto), se questionaram da possibilidade de ser aquela borboleta a conseguir fazê-lo. É algo que nós sabemos ser comum, muitas vezes sabemos que algo tem que ser feito, ninguém avança para o fazer, quando alguém toma a iniciativa todos discordam dessa pessoa e levantam obstáculos.

A Mãe da dita borboleta foi a pessoa que mais gritou com ela, os amigos disseram-lhe “’tás parva!”. A borboleta ficou sozinha e não desistiu, ergueu estruturas, solidificou parecerias e continuou o seu projecto... quando o Inverno chegou o frio congelou-lhe as asas e retirou-lhe a vida, um denso manto de neve tapou tudo. Os primeiros raios de sol surgiram e levantaram o lençol de neve, despertando assim o que estava por baixo. Mostrando então um lindo mundo de fantasia que a borboleta tinha construído, mas como desta nada se sabia... uma barata vigarista assumiu aquela criação como sua e geriu aquele mundo maravilhoso de forma oportunista, e viveu cheia de dinheiro para sempre... mas infeliz por ter de viver consigo mesma.

A História não memorizou o nome da borboleta, resta-nos pensar num nome para ela e deixar que fique na nossa memória e que nos inspire.

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30
Jul 08

Olho para ti, e suspiro.
Tenho consciencia de que és a Tal, és a certa para mim.
Mas não tenho como evitar esta conversa. Preciso de fazer isto.
- Amor – digo-te, quase num lamento – tens que compreender. Eu amo-te tanto… Mas já não tenho como dar-te o que precisas.
Continuas a olhar na minha direcção como se eu nem ali estivesse. Permaneces impassível.
- Eu não tenho como te sustentar, amor. Tu tens necessidades demasiado caras. Cada vez que chega uma conta das coisas que compro para ti, é quase uma renda! Eu não tenho hipótese…
As tuas pálpebras cerram-se em câmara lenta. O teu queixo baixa-se ao mesmo ritmo. Ficas de boca aberta, de olhos fechados. Tento não pensar naquilo que não devo. Não resisto, e as lágrimas caem-me.
Eu sei que a nossa situação não pode continuar, eu sei que não te posso sustentar, não tenho como. Mas doi-me tanto. Já não tenho energia para te dizer mais nada.
Por um segundo, pareces desiquilibrar-te, e antes que eu possa reagir, cais para a frente. Salto na tua direcção, mas já não te consigo apanhar. Cais de cara no chão, imóvel. Pego na tua forma inanimada, abraço-te, e choro. Não reages. Já não podes.
Não suporto saber-te assim.
Entre soluços, tomo uma decisão. A minha mão desce as tuas costas, até encontrar o que procuro, a espécie de ranhura onde preferes que não te toque. Meto lá a mão. Retiro um pedaço de plástico e metal, a cheirar a queimado. Atiro-o para longe.
- Pronto, está bem – digo-te, tentando parecer decidido por entre as minhas lágrimas – só mais esta vez. Eu compro-te um chip de EPROM novo. Mas vai ter que ser em segunda mão, estás já avisada.

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29
Jul 08

Paula sofria quase todos os dias. Não conseguia aplacar a sua dor da sua perda. Sentia-se morta, vazia, dormente e incapaz de enfrentar o futuro. Decidiu enterrar o passado, assim como tinha feito o funeral ao marido.


Comprou uma bela caixa de madeira trabalhada, incrustada de marfim e madrepérola: bela urna para um belo passado.
 

Juntou ícones da vida partilhada e colocou-os nessa caixa. As fotos de ambos quando eram adolescentes, as alianças que usaram, ainda namorados, simples aros de ouro, plenos de amor e de sonhos, o primeiro disco comprado a meias, o primeiro livro devorado, dois a dois, juntos, encostados, no calor da cama, no seio da sua intimidade, o relatório do médico que trouxe à luz o inimigo que lhe levou parte da sua vida, que lhe rasgou o corpo ao meio, aquele monstro de células loucas, tresloucadas que se alimentaram vorazmente do cérebro de Manuel, uma folha rasgada do calendário do dia 5 de Janeiro, que bom seria arrancar todos os 5 de Janeiro do futuro, o último pijama que Manuel vestira e uma rosa amarelo torrado, flor que ele lhe oferecia todos os anos para lembrar e celebrar o dia em que se conheceram.

 

Ao olhar para o interior da caixa e a dor rasgou-lhe o peito mais uma vez. Fechou a caixa, lenta, muito lentamente, como a adiar o fim da sua vida.
 

No seu quintal, debaixo da nespereira pontilhada de amarelo torrado dos frutos maduros, Paula enterrou o seu passado. O peito rasgou-se ainda mais e ela deixou-se cair, encostada ao tronco da árvore e chorou silenciosamente, em paz. Deixou as lágrimas fugirem livremente, levando com elas a dor e limpando a alma.
 

Paula secou os olhos,
limpou a cara,
sacudiu a terra,
levantou-se
e pode enfim,
olhar em frente.

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editado por Francesca Cortez em 03/07/2008 às 02:49

28
Jul 08

Nada me dá maior prazer que ouvir o rugido do motor do meu Mustang de '78 quando entra nas rotações limites. Adoro levar este veículo semi-alado ao máximo das suas capacidades e na verdade ele também. Ah!... o pequeno estalido metálico quando uma mudança entra, o empurrão para trás quando o meu pé pressiona o acelerador! Ah!... a vertigem da emoção de ser uno com ele, de sentir a sua mecânica reagir aos meus músculos como se fosse uma extensão dos mesmos, um membro sobre o qual eu tenho total controlo consciente! O prazer de domar – e amar – o temperamento selvagem de um animal robusto e fazer dele o meu cavalo, por vezes até, o meu pégaso! Com ele, sou Deus!
Quando me sento nele e acaricio o seu volante, sinto que este ser, que muitos dizem não ser mais que um monte de metal montado pela magia de um relojoeiro, é de facto um ser vivo! - e o que é um ser vivo senão uma máquina?
Com estes pensamentos na mente, desacelero perto do meu último destino de hoje. Pego na bomba caseira, coloco-a debaixo do braço e caminho despreocupado, como apenas mais um caminhante numa cidade às quatro da manhã. Aproximo-me do dispositivo, exponho a película colante, trepo agilmente e coloco a bomba o mais perto possível daquele demónio. Acciono o comando que inicia a contagem e corro de volta para o meu Mustang de '78.
Entro, dou à chave, meto a primeira, acelero com violência e o meu cavalo semi-alado responde com um rugido e um relincho dos seus cascos. Atrás de mim, a explosão que destroi o último dos radares rodoviários desta cidade. Eu regozijo, pois por algum tempo, o MEU MUNDO está livre de opressão... e é um paraíso só meu...


25
Jul 08

O despertador tocou à hora prevista. “Seis da manhã...” Pensou Pedro ainda deitado na cama. Ao seu lado, a sua esposa continuava a dormir sossegadamente. Seria preciso mais do que um simples despertador para a acordar àquela hora.
Pedro, ainda meio a dormir, estica o braço e carrega no snooze. O despertador continua a tocar. Estremunhado, senta-se na cama, agarra o despertador e desliga-o na patilha. O despertador continua a tocar. Pedro empurra a patilha para cima e para baixo, mas o despertador não se cala.
- Mas que merda... –a chinfrineira já o estava a irritar. Pedro levanta-se da cama e arranca o despertador da tomada. O despertador continua a tocar.
Com um rugido atira o despertador contra a parede, que acaba desfeito no chão. O despertador continua a tocar. Pedro olha, confuso para o pequeno monte de entulho. “não... tem de ser outro alarme...”
Pedro procura por outro despertador. Tenta perceber de onde vem o som, mas este invade-o como uma praga e confunde os seus sentidos. Desesperado, abre gavetas e caixas, atirando tudo para fora, mas o barulho não para e ele não consegue encontrar nada. Começa a partir o espelho e as cadeiras e os bibelots da mulher, mas a merda do despertador “não se cala... não se cala...”. Na confusão, Pedro repara que a mulher ainda dorme. Corre para ela e tenta acorda-la. Grita-lhe, agarra-a pelos ombros e abana-a. Nada. A mulher dorme. Pedro larga-a e recua, com o barulho a troar-lhe nos ouvidos. Tropeça e cai a um quanto a murmurar “não se cala... porque não se cala... não se cala...”.



Raquel olha para o marido agachado num dos cantos da cela. A cabeça baloiça levemente, batendo contra a parede almofadada. Têm na cara, as marcas frescas de murros e arranhões do seu último ataque. Raquel limpa as lágrimas e despede-se:
- Adeus Pedro.

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24
Jul 08

Era uma brincadeira da infância, cheia de inocência, um grupo de miúdos escondiam-se num quarto escuro, outro que permanecera na luz entrava no quarto para revelar quem lá estava. Todos ficavam com o batimento cardíaco mais acelerado, principalmente o que era procurado. As sombras falavam com todos, aconselhavam locais para se esconderem e depois denunciavam a sua presença. Menos a um, a quem as sombras acolhiam com especial respeito.

Os anos passaram, os miúdos que noutros tempos brincavam ao inocente jogo começaram a interessar-se por outras coisas. Depois da escola, veio a faculdade, os casamentos em massa e os trabalhos. Mas tu continuaste a interessar-te por aquele quarto sem luz, passaste anos a conversar com as sombras. Horas e horas a maquinar e a ouvir.

A luz começou a ferir-te e as trevas do quarto enegreceram-te a alma (não encontro outra explicação para o que aconteceu depois, recuso-me a acreditar quando me disseram, que tinhas sido sempre assim).

Invocaste novas sombras e começaste a atrair outros a conhecerem-nas; como se tivesses continuado os jogos que em tempos brincávamos. Como bom mestre de jogo, alteraste-os, agora eram únicos. Pessoa a pessoa, foste conduzindo-as para a sombra.

Soube de tudo pelos jornais, segui cada reportagem em completa negação. Repeti no café várias vezes “Ele é um puto fixe! Amigo do seu amigo”.

E os horrores daquele quarto recuso descrever aqui, imagino-os todos os dias quando estou a andar pelas ruas ou quando o Sol se esconde. Durmo de luz acesa e penso como aquele jogo era tão inocente. Lá não havia sangue nem dor, muito menos mentiras e violência. Onde te inspiraste? Porque não esqueceste o jogo? Havia tanto no mundo para te apaixonar. Porque escolheste o que te tornaste? Desejo que te mantenham preso num sítio onde as sombras não te alcancem.

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23
Jul 08

- Sabes que horas são? - pergunto-te.
- Não. Já é tarde?
Claro que não sabes. Perdemos os dois a noção do tempo.
- É meia-noite.
- Já? - Soas alarmada. Mas depois sorris, o sorriso que mostras sempre que olhas para mim, e encostas a cabeça para trás no sofá. - Passou-se num instante...
Eu sei. Como é possível passar nove horas contigo, e saber a tão pouco? Querer tanto passar mais tempo ainda, só na tua presença? Só a gozar o momento, porque tu estás nele?
- Pois foi...
O nosso olhar cruza-se. Sorris novamente, e só pelo prazer que isso me dá, sorrio também.
Um pequeno silêncio. E um pequeno bocejo teu.
- Já estou cansada – dizes, olhando para o relógio. - Tenho mesmo que ir...
A frase soa a um lamento. Eu sei. Também não quero que vás. Não quero que o nosso tempo juntos acabe, por nada deste mundo! Quero-te comigo...
- Podias cá ficar esta noite... Ou queres ir?
Primeiro deitas-me um sorriso trocista, mas depois olhas-me nos olhos, e como sempre, lês-me a alma. Mordes o lábio, olhando para o teu colo, quase embaraçada.
- Não... Mas tenho que ir...
Não tens. Diz-me que não tens. Diz-me que queres ficar, ver o amanhecer comigo. Diz-me que queres a minha companhia. Que queres sentir-me junto a ti por mais tempo.
- Não tens nada... - Ganho coragem, acaricio-te o rosto. Coras ligeiramente, e por um momento, estupidamente, penso em parar. Mas caio em mim, e termino a carícia. - Diz que sim, diz que ficas...
O meu olhar procura o teu, mas ele ainda está no teu colo.
Deixa-te de coisas. Por favor. Sê corajosa, por nós os dois. Tem a coragem que me falta. Diz que ficas. Diz que podes. Olha-me nos olhos, e diz...
- Sim...


22
Jul 08

A noite estava escura e fria. Tão fria que começava a formar-se geada. Seria difícil caminhar sem escorregar, não fossem aquelas solas de borracha antiderrapantes que usava. A humidade tinha uma certa vantagem: as ervas não restolhavam ao passar e conseguia mover-se quase silenciosamente, tudo o que pretendia.


Por causa da escuridão e do frio, estava alerta e tinha medo. Medo e fome. Tanta fome. Já não comia há alguns dias e quase não conseguia pensar. Apesar disso, sabia que tinha que aplacá-la, calar a fome, para poder, depois, cuidar do frio: ir para um lugar quente e dormir.


Embrenhada nos seus devaneios involuntários e quase inconscientes assustou-se com uma coruja a fazer um voo rasante à sua cabeça, que a tinha confundindo, talvez, com um coelho. Com a descarga de adrenalina que se seguiu, o seu coração bateu descompassada e rapidamente e toda ela tremia, com todos os músculos do seu corpo a contraírem-se espasmodicamente.


Teve que se sentar. Deitar-se. Afagou-se e, a custo, relaxou.
 

A fome lembrou-lhe, mais uma vez, a razão de estar ao frio durante a noite. Levantou-se e continuou o seu caminho.
 

Temia não encontrar comida. Estava demasiado frio. Havia concorrência. A sua tarefa parecia-lhe hercúlea, pois a coruja voava e em silêncio. Aquelas asas. Aquelas asas eram qualquer coisa de invejável para ela que tinha que pisar o chão, sempre com medo que algum restolho a denunciasse. Sentia que estava a perder a corrida.
 

Parou.
Tentou reflectir, analisar a situação. Forçou-se a deixar de ter pena de si própria. Obrigou-se a pensar em quem dependia dela. Afinal, felizmente, não estava só no mundo. Afinal, havia alguém por quem lutar.


Então, levantou-se e decidiu que, com ou sem corujas, tinha que caçar. Tinha que aplacar a sua fome e a dos seus cinco gatinhos!

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editado por Francesca Cortez em 03/07/2008 às 02:52

21
Jul 08

É tão tranquilo viver aqui... Sou mantido quente, confortável e alimentado. Aqui estou sempre em segurança... e quando não estou, não o sinto e portanto não sofro. Por vezes ouço uma voz que fala comigo e que sem dúvida me ama.
Não há local tão acolhedor como este, não há existência tão maravilhosa como a minha.
A única desvantagem é ter de mudar de casa de tempos a tempos e são essas as únicas alturas em que sinto dor. De qualquer forma, já o fiz tantas vezes que já nem sinto tanto esse curto sofrimento... até porque sei que a seguir me aguarda uma nova maravilha como esta! Também gosto de descobrir novas vozes e novos amores de cada vez que me mudo!
Por falar nisso, pelo meu aspecto já falta muito pouco para ter de procurar nova casa. Ora deixa-me cá consultar o calendário... Xiça! Falta mesmo muito pouco! Pois... lá vem a mesma cena outra vez!
Sinto uma das paredes da minha casa rebentar e grande parte do meu conforto escapulir-se por aí. De repente, uma luz forte invade o meu espaço.

Está na hora.
Concentra-te, vá.
Concentra-te!
Ok!
Ai! Dói!
Aguenta!...
Já está!
Estou morto.

Já fora da minha residência passo pela mulher, chorando deitada de pernas abertas numa cama, que esperava ter um filho, e peço-lhe desculpa num sussurro. Agradeço-lhe também a oferta, mas viver nesse mundo vosso aí... não, obrigado!
Depois saio dali e chega a hora de procurar nova casa.

Vejamos...

Um casal está a reacender alguma paixão após anos de rotina... hm... não, muito velha a mulher... pode dar problemas.
E aquela? Ah, boa! Sexo com o pseudo-namorado, adolescente moralista... perfeito! Adoro adolescentes! Adoro ser o primeiro residente de um ventre fresco. Escolhida!

Aqui vou eu!


18
Jul 08

O roupeiro é dos antigos, de pinho, escurecido pelos anos. Tem três portas com um espelho embutido e um gavetão em baixo. Metade do roupeiro está pejada de fatos de homem, velhos e coçados, em fazendas escuras, castanhas, cinzentas e azuis. As camisas, imensas, de várias cores, com ou sem riscas, de xadrez, claras, escuras, novas e velhas, estão amontoadas em duas cruzetas.
No gavetão, as cuecas, meias e gravatas estão meticulosamente dobradas e guardadas em caixinhas de cartão. Escondida no meio destas, está uma fotografia velha e amarelada de uma mulher jovem e bonita, a falecida dona do roupeiro.
Américo olhava para o gavetão com desmaio. Já se tinha lavado e vestido. Envergava um fato azul-marinho e uma camisa de riscas azuis e cinzentas. Estava satisfeito com o conjunto, que lhe parecia adequado à ocasião, o jantar de formatura da neta mais nova, uma boa menina que agora era doutora.
O problema de Américo nunca fora decidir o que vestir, mas sim que gravata usar. Esta era sempre escolhida pela esposa.
“Alzira, Alzira, a falta que tu me fazes!” Ao lembrar-se da mulher caiu-lhe uma lágrima rebelde, limpa de fugida com um lenço de algodão. Américo debruçou-se e pegou em três gravatas de cores diferentes. Olhando-se ao espelho, encostou-as ao peito, uma de cada vez, como a mulher costumava fazer.
“Alzira, que achas tu da cinzenta? Muito escura e triste? Pois... Eu gosto da vermelha. Não, a Martinha não se vai casar... Está bem, tens razão, vermelho é para casamentos e azul para almoços de Domingo.” Américo volta a guardar as gravatas no lugar e pega inseguro numa amarela com riscas azuis claras. “Tens a certeza? Muito bem, levo a amarela.”
Américo, mais confiante, pôs a gravata, fechou o gavetão e foi ter com a família.

Reflectido no espelho do roupeiro, o outro lado do quarto. Aí, sentada no cadeirão, Alzira sorria.

publicado às 00:01
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