De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

29
Ago 08

O senhor Vítor, refastelado no sofá desde que o jantar tinha terminado enquanto, fantasiava que era dentista. A mulher, Marilena de nome e brasileira de coração, estava na cozinha a levantar a mesa. Lavava a loiça ao som das várias novelas brasileiras que os canais nacionais ofereciam e por lá continuaria até se ir deitar.
O senhor Vítor teve de abandonar a faculdade quando a namorada embuchou. Agora ganha a vida como empregado de mesa num restaurante indiano. É um emprego que o deprime, pois o cheiro a caril faz-lhe arder os olhos. Assim atende os clientes com um olhar macilento e avermelhado, que se foca nos dentes. Tal como se de cavalos se tratassem, o senhor Vítor conhece os clientes pela dentadura.
O senhor Vítor, desperto dos seus devaneios, volta ao livro pequenito que andava a ler. Este não era o seu hábito. Normalmente lia revistas mensais da especialidade de ortodontia e de escalada radical, que praticava religiosamente todos os domingos. Mas ainda não tinha recebido os números deste mês, e estava particularmente enfastiado com a vida e com a janta. Era um romance de cordel da esposa, no qual já ia a meio. As cenas dos beijos eram efusivamente descritas:

“Jack reclinou-se e beijou longa e apaixonadamente Mary, a sua nova conquista.”

“Beijou longa e apaixonadamente...” – pensava para si – “...isso envolvia “movimento dji língua”, como dizia a sua Marilena! Qual seria o elixir oral que Jack usaria? Talvez o novo produto branqueador e redutor da actividade bacteriana lançado recentemente pela Caredent? Tinha de ser algo de muito boa qualidade, caso contrário um beijo apaixonado nunca seria muito longo!”



A Marilena tinha acabado a loiça e entretinha-se com uma novela, quando sentiu as mãos do marido a agarrem-lhe a cintura. Victor sussurrou-lhe ao ouvido e Marilena sorriu: “Afinal aqueles livrinhos tinham servido de alguma coisa!”

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28
Ago 08

Algures num local isolado, Mateus abriu um bar. Foi uma péssima opção comercial, empurrada por ideias de amigos que não percebiam nada daquilo. Qualquer bar que mantenha as suas portas abertas acabará por enfrentar uma cena clássica: dois homens a disputarem uma mulher.
Desta vez, como em tantas outras, a história começou com dois tipos sentados em cadeiras altas no balcão do Bar do Mateus, reparam na mesma morena vestida de vermelho. Não tiravam os olhos dela, como se estivessem a adorar uma deusa num altar (algo que não os censuro, pois era realmente uma boa visão). Ela, por sua vez, ignorava por completo a existência destes dois tipos, andava solta nos seus pensamentos (e como podemos nós saber o que pensa uma mulher?).
Ao notarem que ambos cobiçavam o mesmo “objecto de atenção”, os dois homens decidiram entrar numa disputa de machões. Contaram o número de copos vazios à frente de cada um, evidenciaram o tamanho dos músculos, revelaram cara de mau e fixaram o olhar um no outro e deixaram-se ficar naquele ritual. Um deles cede à pressão, pede a conta, paga e sai porta fora. O outro fica inchado e vitorioso, bebe mais um copo sozinho.
E a mulher de vermelho? Ficou impressionada? Acham?! Nem reparou neles, ficou estagnada a olhar para o telemóvel a enviar sms, além disso era uma mulher que não tinha pachorra para aturar parvalhões.
O Mateus observou tudo de fora, anotou cada acontecimento e repensou a situação. Estava aborrecido com aquele mau negócio onde enterrara tanto dinheiro e trabalho, não tinha pachorra para aquelas competições de machos mas de facto apreciava mulheres bonitas. Aproximou-se da morena de vermelho, apresentou-se e começou por lhe perguntar o nome, decidiu em apostar em mudar a sua sorte e o sorriso dela foi um bom indicador.

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27
Ago 08

Knut e os seus companheiros não sabiam muito bem o que pensar. Nunca tinham visto nada parecido.
Em frente a eles, estava uma coisa que só podia ser descrita como uma espécie de escudo redondo, deitado. Mas era gigante! E estava a flutuar!
Seria uma prenda dos deuses? Quem mais senão os deuses de Asgard poderia fazer algo voar?
Subitamente, uma ranhura abriu-se no lado do objecto, e uma plataforma surgiu dela, ligando-se ao chão.
No topo da plataforma, surgiram quatro formas. Eram baixas demais para serem deuses, não tinham estatura para isso. Mas então que eram? Estavam de pé, como homens, por isso não podiam ser animais. Mas tinham a pele acinzentada, os olhos grandes e pretos, e uma cabeça enorme e oval. Não tinham nariz visível, e a boca era pouco mais que uma ranhura.
Nenhum dos homens conseguia compreender aquilo, e Knut mandou-os calar. As quatro... coisas... desceram a plataforma, e já no chão, uma delas olhou para Knut, e este ouviu uma frase. “Viemos em paz.”  Mas a frase não tinha saído dos lábios da coisa, tinha surgido directamente no cérebro de Knut! Era demais!
Com um grito, Knut puxou a sua espada, e de um gesto só, decepou a cabeça à coisa. Os restantes homens imitaram-no, e lançaram-se sobre as outras três coisas, que tentaram recuar para a plataforma. Uma delas  conseguiu, mas as outras foram eliminadas selvaticamente pelos homens. Assim que a coisa entrou no escudo, este fechou-se, e afastou-se rapidamente.
- Achas que foi buscar ajuda? -  perguntou um dos homens.
- Não. Fugiu, só. – respondeu Knut. – Mas eles que venham! Fazemos-lhes o mesmo que a estes, e ainda lhes enfiamos um ferro pelo cú acima, para aprenderem!
Todos se riram.
-  Mas não te preocupes. Acho que não voltarão por muito tempo...


26
Ago 08

Sempre que algum aluno atravessava a linha da normal irreverência da adolescência e passava a ser mal educado, rude ou violento com ela, Francisca tinha um truque. Imaginava-se a matá-lo de forma violenta, sangrenta e dolorosa. Assim, conseguia acalmar a sua fúria e humilhação. No entanto, tinha vergonha de o fazer e tal estratégia era o seu segredo mais bem guardado.
 

A sua imaginação livre era povoada por flashs sádicos de arrastar o aluno, pendurá-lo numa varanda pelos pés e ficar um tempo a apreciar o seu feito: um aluno ex-big bad wolf a gritar por misericórdia e a chorar pela mãe. Adorava imaginar-se a olhá-lo com o mesmo olhar com que costuma ser olhada. A seguir um ligeiro bullying: rir-se na cara dele, insultá-lo e dar-lhe calduços. Nada de novo.
 

De seguida, desatava à pancada com um taco de baseball.
Batia nas pernas e batia nas costas.
Batia nas pernas, uma, duas, três, quatro vezes até partir a tíbia.
Voltava às costas até sentir uma costela estalar.
Continuava, até rebentar-lhe o fígado e o sangue verter pela boca.
Finalmente, desferia a tacada de misericórdia: rebentava-lhe a cabeça!
 

Todo o chão em redor ficava vermelho de sangue. A sua roupa acabava empapada do mesmo sangue que minutos antes dava vida àquele aluno e do suor exsudado por ambos os corpos, um de medo, outro de excitação. Na sua imaginação ficava suada e ofegante mas vingada na sua dignidade e honra.
 

Esta catarse funcionava. Conseguia sorrir para o aluno visado na sua imaginação e resolver a situação problemática com alguma calma.
 

Hoje, Francisca fez anos. Chegou à escola e recebeu algumas felicitações de colegas. Agarrou no livro de ponto e dirigiu-se à sala de aula. Entrou, os alunos entoaram Parabéns a Você e, como prenda, ofereceram-lhe um taco de baseball!

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editado por Francesca Cortez em 03/07/2008 às 02:40

25
Ago 08

«Pá! Anda cá que o teu filho está a chorar, foda-se!»
Raios partam o homem! Um dia destes chega a casa da tasca e não encontra ninguém cá. Um dia arrumo as malas e fujo com o “meu filho” - como ele diz. Já não chega lavar-lhe a roupa, engomar, limpar a casa, arrumar, cozinhar e ainda foder com ele a tresandar a vinho? Ainda tenho de o ouvir gritar comigo?
Saio da cozinha e vou ao quarto do miúdo.
Para variar, só quer atenção, mais nada. Provavelmente atirou-se para o chão na brincadeira e desatou a berrar para que eu venha beijar-lhe o “doi-doi”.
«Pronto, pronto... já passou... vês? Já não doi nada.»
Cabrão do homem que não faz nada de jeito. Passa o dia entre o trabalho de merda que tem - a única coisa que sabe fazer é acartar baldes! - a tasca e o sofá em frente à puta da televisão! Porque é que ele não se vai embora e nos deixa em paz? Trabalho que nem uma escrava no refeitório, tenho de fazer tudo em casa e ainda tenho de o aturar?
Ao sair do quarto, recordo-me dos sonhos que tínhamos quando éramos novos e decidimos casar. Tudo era tão bonito! Ele era tão bonito!... Eu era tão ingénua... Agora ele é um estafermo!
Chego à sala. Lá está o grande cabrão de merda, sentado no sofá agarrado à garrafa. A televisão, como sempre, ligada no canal da bola e aos altos berros. Filho da puta!
O meu olhar dá com a fotografia dele na moldura ao lado da televisão. Já lá vão três anos que ele levou com aquele andaime em cima. Três anos passaram desde que foi a enterrar!... Mas o cabrão do homem nem morto me deixa em paz!


22
Ago 08

Rosa encontrava-se presa na sua masmorra à mais de um mês. No entanto não se dava por derrotada, nem desanimava, pois o seu carcereiro tinha-se apiedado dela e concordou em ajuda-la a fugir. O plano era muito simples: fingia que morria e trocava-se o seu corpo vivo por uma carcaça de porco.
Nessa noite deu-se a troca, e Rosa fugiu a cavalo disfarçada de rapaz.
“E agora que fazer?” Era no que pensava Rosa, enquanto cavalgava pela estrada que a levaria à Capital e ao seu Real marido. Já se tinha decidido a vingar a morte do Pai e das Irmãs, mas como? Pensara em mata-lo, mas a morte parecia-lhe pequeno castigo. Roubar-lhe o reino e exila-lo para os desertos a sul, onde o sol forte e a secura da terra lhe dariam cabo da sua preciosa derme! Rosa surpreendeu-se com a crueza dos seus pensamentos, mas isso não lhe refreou a imaginação.
- Sangue paga-se com sangue. E com sangue, vai o Príncipe pagar!
Chegou à Capital um dia depois da notícia da morte do Rei. Como era costume, toda a nação tinha de cobrir as faces com cinza durante os três dias de nojo. Rosa sorriu. Tinha um Plano!

O Príncipe mal cabia em si de contente. O seu velho e encarquilhado pai tinha falecido e acabara de receber a notícia da morte da esposa. Agora, esperava ansiosamente que lhe aplicassem a máscara de argila que lhe restituiria a leveza à pele, perdida durante os maus-tratos do luto.
A mascara foi colocada, e causou-lhe tal dor que desmaiou.

*

Rosa tinha a sua vingança. O Príncipe, enlouquecido ao ver a cara toda queimada, foi engaiolado na mais bela e confortável divisão do Palácio, o Quarto-dos-Espelhos. Os urros que de lá saíam eram música nos seus ouvidos. Finalmente, Rosa era Feliz!

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editado por B. T. Estanqueiro em 26/08/2008 às 17:27
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21
Ago 08

As celas não foram desenhadas para serem confortáveis, cada segundo que o prisioneiro lá passa deve sentir-se incomodado. Algum motivo o levou para lá, seja este motivo justo ou injusto, e a vida naquela cela vai ser a sua punição. Por vezes são criadas algumas experiências sociais para promover a inserção dessas pessoas após o cumprimento daquela pena.

Em quatro celas, escolhidas aleatoriamente, foi dada a possibilidade ao seu habitante de escreverem um blogue. Teriam que escrever apenas 300 palavras por semana, muito simples. Não foi tudo explicado mas na altura pareceu uma ocupação interessante dentro daquelas quatro paredes.

O segundo dia amanheceu sorridente, Jorge escrevia calmamente na sua nova casa. A sua imaginação foi interrompida por uma entrada bruta de duas mulheres vestidas de cabedal preto. A reacção inicial de Jorge foi sorrir mas quando o seu braço esquerdo foi torcido e o seu dedo indicador partido percebeu que a situação era bem mais grave:

- O Luís quer que escrevas mais rápido. Ah já agora faz a barba que ele vai jantar convosco.

Luís era o director da prisão, um tipo enlouquecido pelos longos anos de leitura de comics e um tirano de longa data.

Ao jantar lá estava ele, o tirano. Fato e gravata, bons modos, uma posição na vida que lhe permitia levar os seus interesses até ao fim. Na mesa estavam outras três pessoas em mau estado como eu, duas mulheres e um homem. Ele foi curto e grosso:

- O vosso coiro pertence-me, vocês fazem o que eu disser. E eu quero que este projecto ande com uma boa velocidade, cada vez que se mostrarem molengões levam nos ossos.

Ainda hoje lá estão os quatro a escrever, vigiados pelo tirano Luís, lá estão a redigir as 300 palavras por semana. Se souberem mais informações sobre esta situação denunciem-na.


20
Ago 08

- O meu corpo é o meu templo! Raios me partam se vou viver num templo igual ao dos outros!
Ele não estava a brincar. Era bem possível que raios o partissem. Não só pelos piercings abundantes, mas também pelos cornos implantados por baixo da pele da testa. Só tinham uns três centímetros de altura, mas se fossem metálicos, até podiam atrair relâmpagos. Pensei em perguntar-lhe, mas ele levava as filosofias da modificação corporal a sério, e não o queria ofender.
Serviu-me o jantar, que estava excelente. Fui comendo enquanto ele falava.
- Não acho que o nosso corpo seja perfeito. Os transsexuais são o exemplo mais extremo de que o corpo com que nascemos é-nos dado por defeito. Cabe-nos explorá-lo e melhorá-lo, até ás últimas consequências, para que exprima melhor quem realmente somos.
Ele colocou o prato dele na mesa, só com um pequeníssimo pedaço de algo no centro.
- Só isso? - perguntei.
- Só. Quer provar?
Ele cortou um pedaço de uma das pontas, e colocou-o no meu prato. A textura era estranha, mas não sabia mal.
- Que tal sabe? Admito que estou curioso.
- Podia ser pior. Mas curioso? Porquê?
- Porque nunca provei. É uma ocasião especial. Hoje faz uma década desde que abracei a minha filosofia de body-modding. E sendo um marco importante, decidi fazer algo que só pretendo fazer mais uma vez.
Sabia que não ia gostar da resposta, mas tive que perguntar.
- Isto é o quê, afinal?
- O meu testículo esquerdo.
Não me lembro do resto da noite. Sei que saí a vomitar, e passei horas mal disposto.
Ele passou semanas a tentar contactar-me, sempre a desculpar-se, que não tinha sido por mal. Eu acreditei, mas nunca respondi.
Meses depois, soube que ele tinha morrido. Atingido por um relâmpago.

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19
Ago 08

Ela olha para mim com os seus olhos castanhos e levanta as sobrancelhas numa interrogação demorada. Fixa-me, inteligente mas ansiosa.
Toco-lhe, e fica radiante, os seus olhos brilham de alegria.
Falo-lhe, e todo corpo estremece de antecipação, expectativa e prazer.
 

 

Para a irritar, calo-me e paro de lhe tocar. Viro a cara para o lado. Finjo que não a vejo, não lhe dou atenção. Olho para o livro que tento ler, mas as letras dançam à minha frente. Pelo canto do olho consigo ver a sua reacção.
 

Ofendi-a, mas não desiste. Continua a olhar para mim, atenta a todos os pequenos movimentos que eu possa fazer: o esboçar de um sorriso, o piscar de olhos, o breve levantar o sobrolho ou um olhar na sua direcção.Nada lhe escapa. Sou o centro da sua atenção.
Continuo a fingir que leio. Presto atenção ao livro, mas consigo vê-la. E ela não desiste.
 

Mudou de táctica. Começou a dançar:
uma dança estranha,
sem música,
nem ritmo,
descoordenada,
sem outro objectivo que não seja chamar-me,
suplicar-me a minha atenção.
 

Tento ignorá-la, mas é, de todo, impossível.
A dança dela tornou-se
frenética,
alucinante,
violenta,
eufórica.
 

O ritmo aumentou e
começou a saltar.
Ora dançava;
ora saltava;
saltava e dançava;
dançava e pulava.
 

Andava num corrupio,
acelerada,
como louca,
desenfreada,
descontrolada,
quase maníaca.
 

Atirou o meu livro ao chão! Atirou-se para cima de mim, forçou-me a olhar para ela e dar-lhe toda a minha atenção! Então, dançamos como loucas, corremos como desesperadas, rebolamos no chão como bolas, lutamos como gregos ou romanos e ficamos ofegantes, exaustas no chão!


Almofadas voaram, livros caíram, móveis tombaram e o chão ficou molhado e escorregadio de tanta baba… No fim, apenas se ouvia a nossa respiração acelerada. Eu estava toda molhada de tanta lambidela.
 

A minha cadela é única!

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editado por Francesca Cortez em 03/07/2008 às 02:42

18
Ago 08

«Bom dia.»
A rapariga de serviço na recepção do Hotel olha-me. Lindissima.
«Bom dia senhor...?»
«Carlos, apenas Carlos, sem senhor.»
Ela sorri. Belo sorriso.
Tiro do bolso a minha reserva e entrego-lha.
«Certo...» - diz - «Preciso também do seu Bilhete de Identidade por favor...»
Tiro do bolso a carteira, retiro o cartão e coloco-o sobre a mesa, fotografia para cima.
Ela pega nele, vira-o e pára. Olha para mim e contem o riso. Já estou habituado.
«Algum problema?» - pergunto, bem ciente do motivo da reacção.
«Não, não senhor... Carlos.» - ela soluça uma gargalhada contida, enquanto introduz os dados no computador.
«Repito: apenas Carlos.» - sorrio.
«Com certeza...» - em esforço para não se rir - «Aqui tem a chave... é o primeiro quarto do segundo andar...»
Agradeço e sigo para o quarto. Fui matreiro. Deixei a carteira em cima do balcão. Atrás de mim, sinto que ela finalmente solta o riso que tanta dificuldade teve em conter.
Pouco depois de chegar ao quarto, como esperava, alguém bate à porta. É a rapariga da recepção.
«Faça favor de entrar.» - digo, abrindo a porta.
«Esqueceu-se da carteira...»
«Eu sei. Entre.»
Ela entra.
«O seu nome... tem alguma relação com a realidade?»
Esta é fresca... óptimo!
«Tem com certeza. O nome de família da minha mãe é Pila. O meu pai era Alexandre Grande. Aí tem.»
Ela solta uma risada, mas mantém o ar de fascínio.
«Compreendo porque veio...» - digo ao colocar-lhe as mãos por baixo da camisola.

Fantástica esta rapariga. Que tarde bem passada. Descansamos em cima da cama, a sua cabeça a repousar no meu peito nú.
«Carlos... nunca senti nada assim...» - um suspiro - «mas nada sei de ti. Só o nome... e que nome!» - ri - «Diz-me, que fazes na vida?»
«Eu?... Sou especialista em Marketing e Publicidade...»


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