De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

15
Ago 08

Há muito, muito tempo vivia, num belo palácio, um Príncipe obcecado pela perfeição dérmica. Tal era a sua teimosia que só se dispunha a ver ou ouvir as criaturas com a melhor pele. Quanto mais perfeita fosse, melhor a posição que gozava na Corte. Pobre do desgraçado a quem lhe aparecesse uma borbulha! Seria expulso da companhia do Príncipe para nunca mais ser admitido na sua real presença.
Estava o Prícipe aborrecidissímo, por não ter companhia para o seu jogo de Gamão (os melhores jogadores tinham sido expulsos por exibirem poros desmesuradamente dilatados!), quando viu, a passear-se no jardim, a rapariga com a derme mais perfeita que havia memória. Imediatamente se tomou de amores por ela e, sendo solteiro, decidiu desposa-la.
A rapariga (de nome Rosa!) era a filha mais nova do Ministro-de-Contas. Não morria de amores pelo Príncipe, mas temendo o seu mau génio, resolveu aceitar o casamento, não fosse o seu real noivo expulsar o Pai e as Irmãs.
O Casamento foi realizado três dias depois e todos foram convidados. Ora, a agora Princesa Rosa, tinha um pequeno defeito dérmico que poderia condená-la a uma vida infeliz ao lado de tal real marido: estava amaldiçoada com umas olheiras crónicas que lhe surgiam todos os dias, pouco depois do pôr-do-sol.
Assim, era com grande agitação que Rosa esperava pelo findar do Espetáculo de Fogo-de-Artíficio, que marcaria o fim das Celebrações Matrimoniais, pois tinha medo que o Príncipe notasse aquelas terriveis máculas por baixo da sua maquilagem.
Pois assim aconteceu, o Príncipe depressa perdeu interesse no Fogo-de-Artificio e, ao olhar para o rosto iluminado da sua bela esposa, descobriu-lhe as pequenas olheiras experientemente cobertas com maquilhagem.
Foi tal a sua raiva que mandou logo matar o seu Sogro e as Cunhadas. E a Esposa, enterrou-a na masmorra mais escura que tinha, para se poupar a pôr os olhos em tal fealdade.

publicado jjnopants às 00:01
editado por B. T. Estanqueiro em 26/08/2008 às 17:29
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14
Ago 08

Era o Ricardo Coração de Leão do bairro dele, vestia uma armadura de ganga e algodão colorido, um escudo almofadado e uma espada de plástico. O seu elmo era Rayban. Um herói para a mãe e avó, um palhaço para a miúda dos seus sonhos. De manhã acordava sem resmungar, adormecia com os livros da escola nos braços e mantinha a promessa de os ler um dia destes.

Na adolescência lia Jack Kerouac, era um rebelde incompreendido, um guerreiro solitário a carregar o peso do mundo; mantinha uns 5 amigos próximos e quando foi obrigado a escolher uma carreira ficou bem indeciso. Veterinário ou Protector do Graal?

Obviamente escolheu a segunda, visto que não tinha média para entrar para medicina veterinária. Devorou todos os livros que falavam sobre o Graal, os sérios e não os que chegavam às livrarias. Contactou com membros dos templários, desenhou um plano de investigação detalhado e não chegou a lado nenhum. Meteu-se então na lista do centro de emprego e conseguiu arranjar um trabalho que não o agradava mas pagava contas.

Na sua essência era um campeão do Graal e quando chegava tarde a casa, arranjava disposição para continuar a sua investigação. Foi fazendo amigos com o mesmo interesse e reuniram-se sempre em mesas redondas. Inspiraram-se uns aos outros e foram homens de sucesso, no sentido em que conseguiram viver de acordo com ideias mais elevados. Isso não os impediu de vencerem socialmente, antes pelo contrário, demonstraram sempre um espírito vencedor. E fizeram algo extremamente importante, motivaram muitas pessoas.

Muitos anos depois do seu nascimento, passou a viver num lar, antes de morrer disse algo com uma grande alegria: “não consegui encontrar o graal, mas recriei-o dentro de mim e sinto que cheguei ao fim da minha jornada”. No dia a seguir começou uma nova jornada…

publicado jjnopants às 00:01
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13
Ago 08

- A sério?
- A sério. As cortinas abriram-se, eu saí, e toda a gente me aplaudiu. "Eis o homem do momento". Senti-me nas nuvens. Foi muito complicado, mas usando todas as minhas habilidades politicas, o acordo fez-se, e voltámos à paz.
- Bem, mas isso é fantástico. Você é capaz de ter salvo milhares de vidas! Como se sentiu?
- Nas nuvens. Parece parvo, mas cá por dentro, quando toda aquela gente me aplaudiu, senti-me elevado a outro patamar interior. Patamar de quê, não sei, mas senti-me acima de mim mesmo, de alguma forma.
- Acredito. Então e essa sensação, ainda dura?
Faço uma pausa antes de responder. Quando respondo, estou a fitar o chão, e não o rosto dele.
- Claro...
Não digo mais. Ele também não. Limita-se a sorrir, e a retirar uma nota do bolso. Coloca-a na minha mão, com cuidado para os dedos dele não tocarem nos farrapos enrolados que uso como luva, e vai-se. Sozinho por uns minutos, abrigado junto à porta do banco, quase me permito chorar. Não por saber que ele e os outros a quem conto a minha história nunca acreditarão em mim. Não por estar agora onde estou. Já me conformei com tudo isso.
Começa a chover, e decido fazer-me à vida. O casaco esburacado que me tapa pouco me protege, mas decido correr à chuva na mesma. Sentir àgua no rosto faz-me sentir vivo, e já não a sinto tantas vezes como gostaria. Vou para casa, pensando novamente na vida que perdi, satisfeito por, apesar de tudo, ter feito uma diferença positiva. E o momento da minha aclamação ficará sempre na minha memória, e ficaria mesmo que não o vendesse diariamente a quem passa. A memória de me sentir maior nunca desaparecerá.
Só lamento não me recordar da sensação.

publicado jjnopants às 00:01
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12
Ago 08

Era uma vez um pato que queria ser galinha. Queria tanto não ser pato! Ser galinha era o seu sonho. Seria muito melhor, pensava ele, uma galinha põe ovos, faz cócórócócó. E um pato que faz? Nada. Um pato não faz nada! Coitadinho de mim, matutava o pato, quase constantemente, cheio de pena de si.
 

 

Tentava pôr ovos, fazia foorrrçaaa, mas só saía cocó.
 

Tentava cacarejar, mas só conseguia grasnar… e que feio que é grasnar!
 

Tentava esgravatar, mas os dedos estavam ligados…
 

As galinhas riam-se dele.
 

A única coisa que o consolava era o facto de não conseguir voar, assim como elas. Nisso eram iguais, já não se sentia tão inferior.
 

Um dia, infeliz e cabisbaixo, bamboleava-se pelo pátio quando uma algazarra disparou perto do tanque de rega. As galinhas corriam num alvoroço, cacarejavam aflitas, pois um pintainho tinha caído na água e quem, quem, quem iria salvá-lo se nenhuma delas sabia nadar. Tanto que a mãe o tinha avisado para não andar a correr à volta do tanque, a brincar às corridas, tantas vezes sem conta! As galinhas gritavam por socorro. Alguém que apareça para salvar o coitadinho do meu filhinho, esse desgraçado desobediente, queixava-se a mãe na sua dor, na sua aflição.
 

O pato, com a barulheira, não conseguia pensar claramente, mas algo o empurrou para a frente. Sem saber muito bem o que estava a fazer, atirou-se à água e nadou até ao pintainho, ajudou-o a subir às suas costas e voltou para a borda do tanque, onde era esperado em silêncio absoluto de espanto e respeito. Afinal, este pato desajeitado fazia qualquer coisa útil: sabia nadar!
 

Quando ele chegou à borda e colocou o pintainho nas asas da mãe, soou uma salva de palmas e gritos de viva.
 

O pato era o herói do galinheiro!

publicado jjnopants às 00:01
editado por Francesca Cortez em 03/07/2008 às 02:44

11
Ago 08

«Ah! Ah... ah... a...» - a intensidade do eco evidencia que a galeria tem uma dimensão considerável.
Felizmente, o solo é regular, pavimentado pelos escravos dos sacerdotes Egípcios mediante uma planificação arquitectónica extremamente simbólica. Infelizmente, no entanto, a luz da minha lanterna começa a falhar – consome a última pilha. Caminho com cuidado para não despoletar algum dispositivo condutor da ira dos filhos de Hórus para com intrusos indesejados, pilhadores ou cientistas. Eu sou um misto de ambos e tenho de, portanto, redobrar a atenção e o cuidado. Muitas vezes considero se o pagamento justifica estes riscos, mas acabo sempre por render-me à possibilidade de ser o primeiro humano a penetrar sítios ocultados do público e até de mentes científicas há eras. Quantas peças sagradas e de valor incálculavel já eu acariciei e levei do local onde repousavam há milénios para conhecerem de novo a luz solar? Nem sinto pena quando tenho de me separar delas ao entregá-las a quem me paga estes esforços; é para mim o prazer de me saber o primeiro desta era a contemplá-las que me preenche... e o dinheiro, claro.
Tenho de prestar mais atenção. Por vezes perco-me em pensamentos e numa galeria destas, a mínima distracção pode ser fatal. Vejo o altar onde repousa a estatueta. Parece tão acessível e tão fresca, como se o tempo não influenciasse este local. Calculo os passos, agora tão próximo do meu objectivo. A luz da lanterna está no seu limite de vida. Alcanço a peça com a mão esquerda e a lanterna morre-me na direita.
Instantâneamente, surge um clarão imenso e uma luz inunda a galeria.
«Oh Abdul?! Despachas-te ou não? A estatueta é para a apresentação amanhã!»
O armazém do museu do Cairo perde muito da sua magia imerso nesta luz artificial...

publicado jjnopants às 00:01
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08
Ago 08

Matilde não era rapariga para andar sozinha, àquelas horas, a deambular pela zona mais mal frequentada do Bairro Alto. Magra e arrapazada, parecia mais nova do que na realidade era. Um aspecto que cultiva com as roupas que veste e adoptando um comportamento extrovertido, ingénuo e algo infantil. Aos 27 anos, Matilde é uma mulher insegura, desapaixonada e desinteressante.
Um par de turistas embriagados passa por ela, deixando a rua quase deserta. Ouvem-se as batidas sumidas da música dos bares lá em baixo e Matilde caminha com mais cuidado do que seria de supor necessário. Está assustada. A sua respiração sai ofegante e parece-lhe desmesuradamente sonora.
Alguém bate com uma porta atrás de si. Matilde vira-se de um salto. “Merda!”. A porta ressalta e entreabre-se. De dentro arrasta-se uma luz pesada e carmim e ouve-se um sussurrar de vozes e aplausos.
Matilde avança em direcção à porta com passos tímidos. Em frente a esta, está um chicote caído. Matilde apanha-o e segura-o com as duas mãos. Hesitante, empurra a porta que cede com uma leveza inesperada. “Ok. Coragem.” Matilde entra e a porta fecha-se.



Matilde olha-se no espelho do camarim, enquanto retira o excesso de batom. Está vestida com um corpete vitoriano de cetim preto e o cabelo está apanhado com uma cartola em miniatura. Do outro lado da porta o assistente de palco diz-lhe que tem dois minutos até entrar. Matilde levanta-se e prende o chicote à cintura. Verifica as facas presas às ligas e os atacadores das botas de salto agulha. Coloca as mãos na mesa, olha-se ao espelho e diz:
- Morte aos cobardes e aos que temem a Dor!
Matilde sai do camarim. A porta fecha-se atrás de si. Do palco vem o som abafado dos aplausos a ela dirigidos; a bela e cruel Medeia.

publicado jjnopants às 00:01
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07
Ago 08

As listas das escolas não mentem: há muitas Anas por esse mundo fora. Os telejornais optam por não falar desse assunto, é um nome demasiado utilizado e isso tem um preço. Escrever na parede “Amo-te Ana” é muito vago e pode levar a inúmeras confusões.

A Ana sobre quem escrevo pode ser Ana Rita, Ana Bárbara, Ana Sofia, Ana Maria, Ana Qualquer-Coisa, ele sempre se escondeu atrás de um segundo nome que já apaguei. Para mim ela é apenas Ana. Para os amigos é “Anocas”.

Tivemos uma relação mística juntos, ela foi a bruxa má da minha adolescência e eu o herói condenado a destruí-la. À primeira vista podem pensar que podíamos casar e ficar a guerrear até que a morte nos separasse; fomos bem mais longe que isso.

Apaixonei-me por ela assim que a vi, com o seu ar de bruxinha maléfica. Parecia tirada de um filme do Burton. Demorei 4 semanas a dizer-lhe tudo o que sentia e ela ouviu-me, encheu-me de esperanças com os beijos que me deu.

Falemos da sua origem maléfica. Aos 14 anos a Ana fez um pacto de sangue com uma amiga, não cumpriu a parte dela e ficou amaldiçoada, desde então a sua alma está corrompida. Passou a não gostar de nada e a magoar pessoas a torto e a direito. Até teve a lata de me dar uma tampa! E há coisas que eu não admito.

Como qualquer sétimo primo de um sétimo filho de um qualquer parente em sétimo grau, tenho poderes especiais. Aos 17 anos, depois de consecutivas batalhas consegui conter toda a sua maldade (a lata que teve em dar-me uma tampa). Ainda hoje a tenho presa num círculo mágico e aguardo o dia em que se liberte para termos a nossa batalha final (ou que ela reconsidere).

publicado jjnopants às 00:01
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06
Ago 08

A minha cara cai no travesseiro. Não a impeço, prefiro usar as minhas forças para manter o meu rabo no ar, e manter-me aberta para ti.
As minhas mãos surgem nos meus seios, nem sei bem como. Não me lembro de as mandar lá ir, mas estão lá, e ainda bem. A maneira como os apertam, como os massajam, sabe-me tão bem. Mas tu sabes melhor. Sabe melhor sentir-te por trás de mim, e dentro de mim, sentir os musculos das tuas pernas a retesarem-se e fazerem força contra a superficie da cama, para ganhares o balanço de que precisas para me penetrares, cada vez mais fundo, cada vez mais dentro. Cada vez mais fundido comigo.
O prazer parece crescer dentro de mim, bem dentro, nem sei bem onde, como uma bola de energia, irradiando para fora. E crescendo, crescendo!
A minha respiração aumenta de ritmo. E o teu ritmo acompanha-a. Tu acompanhas-me.
- GOOOOOOLLLLLLLOOOOOOOO!!
O teu grito veio da sala. Subitamente, sais de dentro de mim. Ergo o rosto do travesseiro, e só tenho tempo de ver as tuas pernas a correr na direcção da sala.
Levanto-me da cama, frustrada, e visto o roupão. Encontro-te na sala, ainda a encaixar o teu tronco na tua cintura, os encaixes cibernéticos a fazerem pequenos ruídos de acoplagem, assinalando que o teu corpo está prestes a estar inteiro outra vez.
Sorris para mim.
- Querida, ganhámos! Mesmo nos últimos segundos! - dizes-me, com um prazer bem maior do que alguma vez te dei. – Tenho que ir festejar com o pessoal. Não demoro, ok?
Quase sem me dares tempo de reagir, sais porta fora. Fico só. Sento-me no sofá onde viste o jogo, enquanto me fodias lá dentro, e choro.
Já nem da parte mais baixa de ti consigo merecer toda a atenção.

publicado jjnopants às 00:01
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05
Ago 08

Era uma tarde soalheira de Primavera assumida. Joana olhou lá para fora, para si e para os filhos e pensou que tinham de aproveitar aquela tarde de sábado esplêndida.


Morar numa aldeia tem destas coisas. Foram pedalar para o campo, aproveitar a grelha bem desenhada, formada pelas serventias vizinhas da água de rega. A cadela estava louca de liberdade. Eufórica na descoberta de aromas.
 

Joana e os filhos pedalavam tranquila e suavemente, tendo à sua volta campos lavrados, ávidos de sementeira e plenos de fecundidade. O sol aquecia-lhes as almas e os corpos, lembrando-lhes o prazer das roupas curtas bem arrumadas durante o Inverno. No ar, as primeiras andorinhas esvoaçavam sem rumo. Sentia-se o aroma estonteante exalado pelas camomilas.


O calor, a brisa e o aroma que pairava no ar, tudo chamava por algo profundo dentro de Joana. Ela deixava de pensar, apenas sentia. Todos os sentidos se reuniam para lhe oferecerem um banquete e ela deixava apagar a sua razão. Nessas alturas, ela era total, feroz e inteiramente feliz.
 

Passaram por uma leira com erva especialmente verde, deliciosamente alta, gritantemente apelativa. Joana não pensou duas vezes. Poisou a bicicleta e disse aos filhos para fazerem o mesmo. Com um prazer animal, atirou-se de peito aberto para o meio da erva e rebolou. Rebolou como criança que se sentia e não adulta como a idade afirmava. A cadela foi a primeira a acompanhá-la. Saltou, rebolou e trincou a erva numa loucura desenfreada. Os filhos entreolharam-se e imitaram a mãe. Atiraram-se de alma. Rebolaram os quatro, gritaram de alegria, brincaram às guerras plenos de um prazer tão intenso que abria o peito.
 

Um homem aproximou-se a correr, a esbracejar e a gritar: Estão a estragar-me o TRIGO!
Envergonhada, Joana imitou a cadela e fugiram os quatro com o rabo entre as pernas.

publicado jjnopants às 00:01
editado por Francesca Cortez em 03/07/2008 às 02:47

04
Ago 08


Entro no café. Está deserto, excepção feita à mam... senhora ao balcão.
Ela olha-me ávidamente, talvez na esperança de ser um cliente. É bonita e bo... bem formada. Até me sinto culpado por lhe dizer que venho da parte da Câmara para aferir a balança.
Curiosamente, mantém a sua atitude:
«Consegues ver se está tudo equilibrado?»
«Bom, sim, verifico se a balança está devidamente calibrada.»
«Então se o prato pender mais para um dos lados, tu detectas?»
O tom com que me trata por “tu” é demasiado sensual para ignorar.
«Sim...»
«És exactamente quem eu estava à espera. Preciso de ajuda.»
Os meus olhos incidem naquelas mam... formas e sinto-me salivar.
«...como posso ajudar então?...» - digo com dificuldade.
«Aqui.» - dito isto, levanta a t-shirt e revela as MAMONAS mais belas que alguma vez vi na vida. - «Podes ver se estão equilibradas? Disseram que a esquerda estava descaída.»
Não conseguia acreditar no que se me apresentava. Já não contendo a saliva nem a tremura, num “que se foda” interno, aproximo-me dela e lanço um profissional «Vamos lá ver então...».
Não consigo colocar em palavras as sensações que me percorreram nos loooongos e suaaaaaaves momentos em que aferi manualmente a posição relativa dos pesos. Nem precisei dos meus Mettler-Toledo para confirmar.
«São perfeitos» - disse.
«Que bom! Estava preocupada. Sabes? Fiz a cirurgia há pouco tempo e ainda estava insegura em relação ao cirurgião. Assim vou confiar-lhe a mudança de sexo.»
De repente senti todos os pesos Sartorius em cima da cabeça. - «Desculpe?»
«Sim, tirar o pénis e por no seu lugar um piu-piu...» - e riu-se! Riu-se!
Em choque, peguei na mala e foi sem força nas pernas que alcancei o carro e deixei aquele serviço para outro. Perfeito demais para ser verdade.

publicado jjnopants às 00:01
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