De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

02
Set 08

Depois de muito palmilhar, encontrei um cantinho a que pude chamar lar. Confortável e espaçoso, tinha zonas de dormir, comer e até de lazer: uma bela casa!


Estava, então, feliz e contente, a tratar da minha refeição matinal quando, de repente, e sem nada que o fizesse prever, a parede da sala desaparece e um buraco enorme toma-lhe o lugar. Fujo a correr, meio cego de medo, e escondo-me atrás de alguns móveis. A tremer, com os cabelos em pé, espreito cuidadosamente, mas não vejo o que possa ter provocado tal desastre.
 

De repente, a estrutura metálica e cilíndrica que ocupava o centro da zona de refeições desaparece pelo buraco. O meu coração tem um baque e quase que pára, para depois bater sem passo nem nexo.
 

O horror instala-se quando uma mão gigante se aproxima onde estou e começa a tactear. Sem ter tempo para reflectir, desato a fugir.
 

Cego pelo pânico, tento fugir pelo buraco onde, momentos antes, estava a parede. E é então que ele surge. Um monstro descomunal, enorme e feio tapa o buraco e não me deixa escapar.
 

Durante uma milésima de segundo olhamos um para o outro, imóveis e gelados. Ao mesmo tempo, como se obedecendo ao sinal de um maestro, entramos os dois em pânico: ele abre a boca enorme, com uma fileira de dentes brancos e alinhados e grita furiosamente e de peito cheio! Aparecem outros monstros iguais que gritam ainda mais!

 

E eu, sem saber para onde fugir, onde me esconder, tento sair pelo buraco, mas tenho medo; volto para trás, mas há a outra parede; tento ir para a zona de dormir, mas não consigo saltar tão alto, as pernas fraquejam-me. Louco e desesperado, corro para o buraco, passo pelo monstro e consigo escapulir-me.
 

A vida de rato é dura!

publicado jjnopants às 00:01
editado por Francesca Cortez em 03/07/2008 às 02:37

01
Set 08

Puxo de um cigarro e acendo-o. Nem me lembro onde estou. Um empregado aproxima-se e diz:
«Desculpe, mas aqui é proibido fumar...»
Surpreendido pela minha própria falta de atenção, aprontava-me para sair do restaurante quando uma voz estridente, oriunda de uma mesa próxima, me interrompe.
«O desrespeito! Deviam era juntar os fumadores todos e matá-los para vingar os que morreram por causa do fumo deles!»
Fiquei estarrecido. Eu e o empregado viramo-nos para o local de onde a voz proveio; uma senhora de idade, mal encarada, agarrada a um fio que sustentava uma daquelas molduras portáteis.
«Dona Maria, que coisa desagradável de se dizer!» - tenta o empregado, para conter o mau estar.
«Era matá-los! Agora é que se sente a falta do Salazar!» - a mulher estava determinada a fazer sentir-me muito, mas muito mal.
No meu cérebro surge no entanto uma decisão. Olho o empregado e digo-lhe:
«Chame a polícia. Eu pago a minha e a vossa multa.»
Inesperadamente, o empregado nem debateu. Talvez o meu olhar tenha sido eloquente.
«Dona Maria, o Senhor aqui recusa-se a apagar o cigarro, descanse que eu chamo a polícia.» - diz o empregado levantando o auscultador do telefone.
A toada manteve-se durante os minutos que demorou a chegar um agente. Este entra no restaurante e, sabedor da queixa, caminha na minha direcção. Pára, olha para mim, olha para o maço na mesa, olha de novo para mim e senta-se.
«Cohiba? São os melhores do mundo! Vale a pena uma cigarrada!» - atira o agente acendendo de pronto um dos meus cigarros.
A mulher perdeu a cor. Levantou-se em murmúrios e saiu do restaurante apressada.
Afinal, sempre dá jeito o polícia que aos fins de semana faz a ronda neste quarteirão me dever dinheiro...

publicado jjnopants às 00:01
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