De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

31
Out 08

Estava sentado na paragem, à espera do autocarro que o levaria a casa, fazia já meia hora, quando um grupo de amigos o chamou para ir beber uma cerveja no bar em frente.

O placar electrónico com as estimativas de chegada não estava a funcionar, mas mesmo assim decidiu-se a segui-los, já que conseguia ver a paragem da janela do café.

No interior do café a temperatura era agradável, por isso deixou-se relaxar, e ficou na conversa com os amigos, enquanto comia amendoins salgados, e mantinha um olho na paragem a ver se o autocarro aparecia.

De tempos a tempos um autocarro chegava à paragem e um dos seus amigos despedia-se do grupo e corria a apanha-lo. Um a um, a todos viu apanhar um autocarro, mas o seu continuava sem surgir. Resolveu ficar pelo café, apesar de estar sozinho, pois o fim de tarde era frio e ventoso. Começou a conversar com o dono do bar e depressa fez amizade com ele e com os restantes patronos.

No entanto estes também acabaram por se ir embora, um a um, de autocarro. Houve quem se oferecesse para o acompanhar a casa, mas recusou dizendo que esperaria pelo seu autocarro. O café ficou vazio e fechou, e por isso teve voltar à paragem e ai esperar pelo seu autocarro. Pouco depois, chegaram outras pessoas à paragem, mas também estas se foram embora, uma a uma, de autocarro.

Acabou por ficar totalmente só na paragem, à espera do seu autocarro, um autocarro que tardava em chegar. Começou a ficar angustiado e triste com a injustiça da sua situação, pois todos tinham apanhado os seus autocarros, menos ele.

Mas não havia nada que ele pudesse fazer. Apenas esperar, que o seu autocarro um dia chegasse e o levasse a casa.

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editado por B. T. Estanqueiro às 10:21
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30
Out 08

O meu revólver chama-se Mickey, o revólver do meu melhor amigo chama-se Pateta. Fizemos o juramento de dispararmos lado-a-lado até ao último sopro de vida, a nossa vida foi uma montanha-russa desde do incidente da bomba na EuroDisney. Renovámos a magia Disney com um estouro em grande.

O Mickey e Pateta reformaram-se quando encontrei um pardal ferido e decidi cuidar dele. Como uma coisa tão pequena alterou profundamente a minha vida. Foi assim que se passou: Eu e o meu amigo estávamos a correr depois de um assalto a um banco quando ouvi um piar. Parei estupidamente, tirei a meia da cabeça, guardei o Mickey no bolso, contornei uma árvore e vi o "Falcão" (foi assim que mais tarde o baptizei) pela primeira vez. Peguei no pardal com a asa ferida e levei-o para casa.

O simples facto de ter parado para procurar o responsável pelo piar já foi importante, pois dessa forma eu não fui apanhado pela polícia. Sorte igual não tiveram o meu amigo e o Pateta. Entendi que aquele momento era uma oportunidade para auxiliar para um ser vivo (para pessoas não tenho muita pachorra).

Foram duas semanas de esforço para recuperar a funcionalidade daquela asa ferida, bons momentos de conversa (eu a falar para ele) e a simples constatação que eu próprio precisava de voar. Como é que um ser humano pode viver tantos anos sem nunca desejar voar? Estamos a falar de tocar nas nuvens com as nossas mãos, não termos de aturar mais filas de trânsito e podermos conviver com as aves.

Ontem ao nascer do dia, foi a nossa despedida. Abriu as asas e voou. Espero que tenha voado alto e longe pois a partir de hoje esse é o objectivo da minha vida e nada do que fiz anteriormente tem qualquer sentido.

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29
Out 08

A alegria preenchia-o de tal maneira, que ele não aguentava mais ficar dentro de casa. Por isso saiu.

Ele não era de apreciar o ar de noites húmidas e frias como aquela. Mas não se conteve.

Deixou a vivenda para trás, e dirigiu-se para o pequeno aglomerado de árvores a que sempre chamara bosque. Sentou-se na terra húmida, olhando as nuvens, pensando na sorte que tinha. Sentia que tinha toda a sorte do mundo.

Na véspera, confessara finalmente o seu amor. Não fora fácil. A mulher que amava era sua amiga há anos, tinha medo de a afastar. Mas não aguentara mais, e dissera-lhe tudo o que sentia. Ela nem soube como reagir. "Sinto tantas coisas neste momento, parece que vou explodir", dissera ela.

Ele fora para casa, e passara o dia seguinte sem sair, desolado. O que mudou ao anoitecer, com um telefonema dela. Queria falar com ele pessoalmente. "Estou mais calma, e tenho pensado muito. Acho que vais gostar do que tenho para te dizer."

Ele quase explodiu de alegria. Mas ela tinha um compromisso, e combinaram para a noite seguinte. Não cabendo em si de contente, ele saiu, para o pequeno bosque onde agora, sentado, observava o céu.

Viu uma estrela cadente. Desejou fazê-la feliz, ir contra todas as probabilidades.

A estrela não respondeu. E tarde demais, ele reparou que ela vinha na sua direcção. Tentou levantar-se, mas a bola de fogo foi mais rápida.

A última coisa em que pensou, antes da massa de fogo atingir o bosque, foi na probabilidade quase nula de ser atingido por um satélite. "É quase como ir ao casino durante toda a vida, e ganhar sempre os prémios máximos", ouvira certa vez. "Não é impossivel. Mas é preciso ser-se um homem de sorte".

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28
Out 08

Todas as mulheres são únicas, costuma-se dizer. Bom, posso dizer que, da minha experiência, sim, havia características únicas em cada mulher que foi minha. 

A Maria foi única em tudo, pois foi a primeira. Tudo nela foi novidade. E tudo nela não voltou a repetir-se. A aprendizagem completa. Tive a sorte de ela ser ligeiramente mais velha que eu e, por isso, menos ansiosa, mais sábia. 

A Zulmira adorava palmadas no rabo. Foi difícil habituar-me à ideia, pois cresci a ouvir em todo lado que as mulheres gostavam de carinhos e nunca me tinham dito, que por vezes, umas palmadas no rabiosque funcionam tão bem como as melhores carícias. Como ela gostava das palmadas sonoras dadas com as mãos abertas, no rabinho rijo e rechonchudo… 

A Albertina arranhava e mordia quando estava prestes a atingir o clímax, o que acontecia algumas vezes, não raras, por sessão. Ficava eu com as costas a arder, com os ombros marcados pelos dentes, mas o prazer que tinha ao ver a intensidade do dela compensava as dores sentidas. 

A Filomena tinha uma voz FA-BU-LO-SA de contralto. Cantava, lia e dizia poemas como ninguém. O que eu gostava de a ouvir ler em voz alta!... O que eu adorava ouvi-la cantar!... O prazer que eu tinha de a ouvir declamar!... Ficava em ponto de rebuçado quando, na cama, deitado de lado, apenas a ouvia a ler, um livro qualquer, prosa ou poesia, tanto fazia. Ouvi-la ler dava-me tanto prazer como abraçá-la ou beijá-la. Nunca mais me interessei por mais nenhuma mulher. Nenhuma me iria preencher mais que Filomena. 

O que eu gostava da voz da Filomena!

O bem que me fazia!

Raios partam a velhice…

Raios partam a surdez…

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27
Out 08


Final de tarde. Apesar do vento forte que atravessa aquele bosque na colina, o casal não se sente incomodado. Pelo contrário.
Chamar “casal” pode não ser apropriado – depende da perspectiva – dado que nada de oficial foi alguma vez declarado. Beijam-se todos os dias, dando de beber aos seus desejos; fazem amor com paixão, ainda que encarando os momentos ardentes com espírito jovial. Há uns anos que assim é. Apesar disso, eles nunca assumiram a palavra assustadora “namoro” e, consequentemente, muito menos “casamento”. Por isso, depende da perspectiva chamá-los de “casal” – deixo ao vosso critério.
Sérgio é músico. Consigo anda sempre a sua guitarra, instrumento já muito vivido e cicatrizado pelo uso. Filipa é estudante. Finalista do curso de Gestão, sonha com uma estável e recheada carreira empresarial. Talvez por isso, ultimamente, ela tem reflectido muito. Ama o Sérgio, quer viver com ele, conjugar aqueles dois mundos tão distintos. Talvez seja tempo de enfrentar as palavras das quais fogem. Mais até; Filipa deseja saltar o “namoro” e atirar-se à aventura de um “casamento”. Por isso sugeriu a colina ao pôr-do-Sol, este ambiente ventoso que torna tudo mais fácil...
As palavras, quando ela avança, soltam-se todas de uma vez, expelidas sob pressão.
«Quero casar contigo.»
Sérgio sorri; já esperava.
«Só há uma mulher com quem eu casaria.»
«Eu?»
Ele sorri abertamente - «Se adivinhares o que estou a pensar, respondo com uma canção.»
Ela olha-o, pensa um pouco e sorri - «Ahhhh...» - num olhar maroto.
Curva-se, desaperta as calças, afasta o cabelo que se rebela ao vento e saboreia-lhe o pénis.
Sérgio pega na guitarra e começa a tocar. Como prometido, entoa a sua resposta com um refrão conhecido:
«The answer my friend... is blowing in the wind... the answer is blowing in the wind...»

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24
Out 08

Luísa tinha acordado naquela manhã com uma dor de cabeça fenomenal, daquelas que espremem o cérebro e a paciência de uma pessoa e que resistem a doses massivas de analgésicos e anti-inflamatórios.

Durante esse dia as horas foram-se arrastando indefinidamente e a dor de cabeça, em vez de abrandar, começou a alastrar-se pela coluna abaixo, espalhando-se pelos braços e causando uma sensação de dormência nas pontas dos dedos. Esta acabou por derivar em picadas persistentes, que pioravam consideravelmente cada vez que Luísa tinha de escrever algo no computador. Ao fim da tarde, estar sentada era uma tortura, pois as dores tinham-se instalado nas pernas, causando cãibras tão fortes que até os seus ossos rangiam.

Foi para casa de táxi. Não conseguia conduzir porque, ao pressionar os pedais com os pés, ondas de dores acutilantes lançavam-se pelas pernas até chegar à medula, onde se convertia em espasmos musculares, que lhe faziam tremer todo o corpo.

Quando chegou a casa, estava coberta em suores frios e todo o seu corpo tremia. O que começara como uma simples dor de cabeça tinha-se transformado num verdadeiro pesadelo. Luísa corre para a casa de banho, mesmo a tempo de vomitar uma pasta negra raiada de sangue coagulado. Deixa-se então cair no chão de azulejo, que apesar de fio, lhe ardia na pele do rosto, a chorar compulsivamente.

 

*

 

No anfiteatro reina o silêncio. O professor da cadeira de Diagnóstico Indutivo suspira enquanto pára a projecção e activa as luzes da sala com comandos telepáticos. Os alunos começam a despertar da sonolência induzida pela escuridão e agitam-se nas cadeiras para afastar a dormência causada pela recente inactividade. Ligam os blocos de notas à interface neuronal e preparam-se para registar o que o professor diz.

Ok classe. Alguém sabe qual é a doença retratada neste filme?”

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23
Out 08

O som imaginado de dentes metálicos povoava a mente fértil do Galo, do fundo das suas penas sabia que uma ameaça-arquétipo estaria para surgir na sua vida. Algo que o afligia profundamente, sempre gostou de pensar que iria viver para sempre.

Investiu grande parte da sua fortuna pessoal a equipar a sua capoeira, algo fortemente criticado pela gorda galinha branca (quem realmente mandava na zona). Todas as noites eram as mesmas invasões do seu mundo onírico, o cheiro a morte, a promessa de uma dor aguda e fria e o vazio de deixar de existir. Os alarmes de segurança e as grades electrificadas pouca segurança lhe deram.

Uma noite fria de Outono, o seu medo apareceu ao acordar com uma Raposa castanha matreira perto de si. Os seus pesadelos assumiram uma forma em carne e ossos.

- Calma! - Disse a Raposa – vim só conversar. Tens chá?

- Camomila serve? - Cuspiu o Galo ainda aterrorizado

- Claro acalma-me e é bom para ajudar na digestão - sorriso sacana - Sabes que a nossa história é famosa?

O Galo começou a preparar o chá, aproveitando cada instante para sondar a sua capoeira em busca de alguma coisa que pudesse usar como arma contra a Raposa.

- Qual história?

- A do roubo do Galo... Uma raposa matreira invade uma capoeira para roubar o galo, mais tarde na sua toca, faz com ele uma boa comezaina. Eras e Eras com a mesma história a arrastar-se pelo Tempo e pelo Espaço. Talvez tenha chegado à altura de pensarmos neste encontro de uma forma diferente

- O que queres?

Por um bocado, a raposa apenas sorriu.

- Vim dar-te em algo para pensares, vamos abandonar a rotina - A Raposa pegou numa pistola e dá um tiro na sua própria cabeça.

O galo urinou-se penas e patas abaixo e desatou a soluçar.

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22
Out 08

Admito, raramente tenho coragem para abordar mulheres atraentes que não conheço. Não tenho a capacidade de pura e simplesmente meter conversa, e isso intimida-me. Por outro lado, também é verdade que raramente QUERO abordar alguém. É preciso ser uma mulher especial para me dar essa vontade. E não aparecem muitas.
Há dias, no entanto, apareceu uma.
Eu tinha ido ao café onde ela trabalha, para fazer a manutenção à registradora. Ela estava lá, em conversa com outras duas empregadas. Não sei se foi visivel, mas a beleza dela deixou-me desarmado. Juraria que estive um ou dois segundos parado a olhar para ela, mas não tenho a certeza. Mas ninguém reagiu a isso, pelo que se calhar é só impressão minha.
Avancei para o lado de dentro do balcão, passando pelo grupo de empregadas. Cumprimentei-as com um "boa tarde", tão natural quanto consegui. Responderam, sem sequer olhar para mim.
Eu entreguei-me ao meu trabalho, tentando ser discreto nos olhares que deitava à "minha" empregada. Acho que não queria que ela notasse, não sei. Mas estava decidido a dizer-lhe alguma coisa. Não sabia o quê, mas estava decidido na mesma.
Conclui que o melhor seria ouvir por algum tempo a conversa delas, na esperança de poder comentar algum assunto. Podia ser que encontrasse uma aberta.
- ...E sempre foram ao cinema ontem? – perguntou uma das outras à “minha” empregada.
- Fomos. – respondeu. – Fomos ver “O Panda do Fung-ku.. Fung-tu... Pung-tu...”
Ainda pensei que estivesse a brincar, mas bastou olhar para a expressão dela para ver que não estava. Ela realmente não fazia ideia de como dizer o nome do filme. Ainda tentou mais uma ou duas vezes, e rematando com “aquela coisa dos chineses”, acabou por desistir.
E eu também. Despachei o meu serviço, e fui-me embora, sentindo-me algures entre a desilusão e o profundo alívio.

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21
Out 08


Quem olhasse para o BI de Rita ficava surpreendido, pois os seus quarenta anos estavam bem disfarçados no corpo bem cuidado em horas perdidas em ginásios, na cútis perfeita, no cabelo ruivo comprido e ondulado.
Rita aparentava não mais que trinta anos.
Rita era a mulher de sucesso que todas as outras invejavam e era a boazona que todos os homens sonhavam possuir.

Debaixo da aparência sumptuosa, da confiança exalada, Rita sentia-se frustrada, pois a sua vida amorosa era caótica. Conhecia de cor o insucesso das relações amorosas. Começava a desconfiar dos homens, a acreditar que eles apenas a queriam como troféu. Estava a ficar farta. Já não tinha paciência para aquilo que lhe parecia comum em todos eles: a fixação pelo tamanho. A confiança deles era directamente proporcional ao tamanho e este inversamente proporcional ao desempenho deles.
   
Surgiu a oportunidade de mudar de vida e de país. Podia escolher qualquer país industrializado. “Vou sentir vários homens diferentes”, pensou ela.
Foi para os Estados Unidos. Desilusão: mentalidade masculina igual, acrescida de maior gordura.
Depois, decidiu tentar os países nórdicos e experimentou a Noruega, mas a falta do Sol deixava-a depressiva, à beira do suicídio. Aí, nenhum homem a iluminou!
Ia arriscar tudo: um país onde não conhecesse nada, mas, não menos importante, onde o desempenho sexual dos homens devesse ser fabuloso, acreditando na sua teoria da proporcionalidade inversa do tamanho, o Japão.

Enquanto esperava pela burocracia, comprou um dicionário bilingue para ir aprendendo algumas frases. A dificuldade linguística era tremenda. Cada página que virava a afastava da sua aventura.
Desistiu quando verificou que dizer “Estás apenas a usar-me para sexo!” era extremamente difícil:
WA-TA-SHI  O  SEK-KUS  NO  TA-ME  DA-KE  NI  TSU-KAT-TE  I-MAS

Mais frustrada ainda, quedou-se pelo português típico, tentando evitar, ao menos, aqueles das unhacas no mindinho.

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20
Out 08

Éramos vinte, praticamente uns em cima dos outros. Agora restamos dois. Vivemos em constante medo. Quando a cela é aberta, um de nós é levado e não regressa. Não sabemos o que acontece, mas sabemos que é mau.
A cela abre-se. A luz inunda a escuridão da nossa existência.
Incandeado pela luz forte, encolho-me o mais que posso e aguardo o meu destino, dominado pelo pânico... mas a cela regressa à escuridão natural, comigo ainda lá. Estou sozinho, o último dos meus companheiros foi levado. Sou o próximo.

Passa muito tempo, mesmo que tenha sido pouco. Estou exausto. Ter medo constante é como morrer em todos os momentos.
Não aguento esta espera! Matem-me de uma vez mas não aguento estes momentos vazios de espera por um destino incontornável.
A cela baloiça vigorosamente, como quase sempre acontece, e sou projectado contra todas as paredes sem ter onde me agarrar. Quando éramos mais, apoiavamo-nos uns nos outros e resistiamos. Agora, deixo me amassar por todos as paredes, que esta tortura distrai-me ao menos do constante pânico da espera...
Finalmente, a cela abre-se e sou puxado. Há luz a toda a volta. Consigo distinguir uns dedos e uma boca gigantes. Os dedos levam-me até à boca que se fecha na minha cabeça...
Mas ainda não estou morto!
Sinto um calor nos meus pés...
um ardor...
é insuportável!
Estou a arder!
Ahhhhhhhh!
Sinto pedaços a cair do corpo e o fogo a consumir-me na direcção da cabeça!
Ahhhhh!
O fogo está muito próximo da minha cabeça!
Os dedos gigantes pegam-me novamente e esmagam-me contra uma superfície dura!
Morri... que alívio!

Do outro lado, surge um anjo que me diz com um ar paternalista:
«Vês? Bem te disse que era má ideia incarnar num cigarro...»

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