De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

16
Jan 09

   Sete e meia, o despertador toca e Manuel levanta-se, ensonado depois de uma noitada ao computador a terminar o projecto que, se bem sucedido, poderá conduzir a uma promoção, um escritório maior e ao televisor LCD da SAMSUNG que tem andado a namorar há meses. Liga o portátil para consultar o email da empresa e descobre que a reunião foi mudada para as nove da manhã.

   “Filho da mãe do gajo!”

   O filho da mãe em questão era o João Paulo, que andava a tentar lixar-lhe a vida desde que ele começara a trabalhar na empresa.

   Manuel arranja-se à pressa e sai de casa a correr, com um croissant na boca. Está tão stressado que esbarra com o vizinho do 3ºC, um velho reformado e enlouquecido por quem nutria um misto de pena e repulsa. Os olhos do velho focam-se em Manuel quando este se preparava para lhe dar os bons dias, e repentinamente o velho pula em frente, agarra-lhe os ombros e desata a gritar:

   “O fim do mundo… é o fim do mundo! Ele vem ai! Ele vem ai e traz consigo o fogo da eterna danação!”

   Manuel conseguiu com alguma dificuldade livrar-se do velho. Estava danado, pois não só tinha ficado sem pequeno-almoço mas também tinha-se atrasado ainda mais. Corre para o carro e arranca a toda a velocidade em direcção à via rápida que o levaria para fora da cidade. Meia hora depois, Manuel chega à publicitária onde trabalha. Tinha menos de dez minutos para tirar um café na máquina e seguir para a sala de reuniões. Tempo de sobra para apreciar o belo dia que se estava a compor. Manuel olha para o céu e vê o meteoro flamejante que viaja a 72 Km/s na sua direcção. Menos de um segundo depois Manuel morre.

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15
Jan 09

 Junho a elevar todas as temperaturas, um céu estrelado com a Lua reinar e o som de uma casa parecia estremecer todos os prédios em redor. Música realmente em altos berros e uns vizinhos muito porreiros que nem pensaram em chamar a polícia. Todos sorriram naquele momento em todas as partes do mundo. Um fenómeno acompanhado de perto por um jovem pensador de nome André, na altura devia ter por volta de uns 12 anos. Nunca mais esqueceu que viu pela primeira vez toda a sua família a sorrir, as discussões pararam, a troca de insultos esfumou-se e a ele já não lhe apetecia chorar. Quando pensava nisso, achava que se recordava do seu cão a sorrir. O Tio Luís tirou-lhe uma fotografia com a polaroid, era a fotografia que ainda hoje mais gostava, que sorriso fantástico! 

A "noite do sorriso universal", como acabou por ser conhecida, foi documentada em diversos livros e motivo de diversas divagações religiosas; continua a ser hoje um daqueles mistérios que nos absorve a atenção. O tema voltou às vozes do mundo uns 14 anos depois do acontecimento, com aquele que em tempos têve 12 anos. André era um adulto curioso que estudava milagres, o seu objectivo de vida era compreender todo o processo de desencadear um milagre para depois o reproduzir. Passou mais de uma década a amadurecer uma tese profunda sobre a mítica noite, meditou durante meses e orou outros tantos. Até ao dia que revelou ao mundo as suas descobertas, a comunicação social em peso acompanhou o momento em que ele se dirigiu ao público e simplesmente apresentou um lançamento do seu novo livro "respostas a perguntas que fazemos". Desilusão total, as pessoas presentes protestaram, por um instante uma pessoa que estava numa cadeira de rodas levantou-se para insultar o André. Nesse um breve instante todo o universo sorriu.

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14
Jan 09

A chuva caía lá fora, gotas finas como agulhas, pintando no vidro da janela padrões depressivos de Inverno.
Ele olhava para a rua, sentindo o peso de um sábado vazio.
A chamada não vinha. Tentou fazê-la ele, mas ninguém respondeu. A rapariga, pelos vistos, tinha-se esquecido do que combinara com ele, ou pelo menos de que o encontro tinha ficado por confirmar. Confirmação que teimava em não chegar da parte dela.
"Ela que se lixe", pensou ele. "Tenho mais que fazer".
Ligou o computador, para combinar algo com algum amigo que encontrasse online.
A ligação não funcionava.
"Caraças, em casa eu não fico!" Mandou SMS para todos os amigos de que se lembrou, e até telefonou para alguns.
Aqueles de que obteve resposta estavam ocupados. Com planos que, por uma razão ou outra, não o incluiam.
Pensou em ir ao cinema sozinho, ou a outro lado qualquer. Ainda entrou no carro, mas ele não pegou.
Resignado, entrou em casa, para passar o resto do dia a ler, ou a ver filmes. Não sabia bem, logo se veria o que lhe apetecia.
Assim que ligou o leitor de DVD, faltou a luz. No bairro inteiro.
Acabou sentado no escuro, ouvindo duas músicas particularmente depressivas, as únicas que tinha no leitor de mp3. Cuja bateria depressa se esgotou.
Ao todo, esperou às escuras, sem nada para fazer, por 5 horas, fazendo um esforço enorme por separar a sua identidade da falta de actividade.
"Eu não sou isto", pensou, vezes sem conta. "Eu não sou a falta de que fazer, não sou a falta de com quem estar. Não sou este vazio. Não posso ser."
Acabou por se deitar, sem ficar convencido.
Revirou-se na cama por mais uma hora, até por fim chegar ao estado imediato ao sono.
Precisamente nesse momento, voltou a luz.

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13
Jan 09

Bonita, mas sem consciência disso. Era olhada com desejo pelos homens. Ela não se apercebia. A idade da inocência ainda não lhe tinha estragado a boa-fé. 

Um dos seus prazeres era correr ou andar de bicicleta. Outro era estar sentada na margem do rio, apenas a ouvir a água a correr para o mar ou os pássaros a pipilar. E sentir o calor do Sol.

As miúdas da sua idade não partilhavam os mesmos prazeres, o que a tornava numa solitária. 

Na Primavera, os toiros da ganadaria próxima costumavam pastar na margem alargada do rio onde a erva era viçosa. Quem controlava a manada era o pastor, um homem de trinta e poucos anos, marido de uma matrona pesadíssima e pai de dois petizes ranhosos. Sempre de cigarro na mão, tinha olhos azuis, faróis na cara escurecida de tanto fumar.  

Como de costume, ela foi para a margem do rio juntar alguns dos seus prazeres, correr, sentir o calor primaveril do Sol e ouvir a água do rio a escapar pelas pedras. Apercebeu-se da presença dos toiros e do pastor, cumprimentando-o em passada de corrida. No fim da sua volta rápida, sentou-se mesmo na beirinha da água. Nessa altura a presença dele tornou-se incómoda, pois ele veio sentar-se mesmo ao lado dela. Assustada, ela levantou-se e desatou a correr, correr pela sua integridade. Chegou a casa exausta. 

Sentiu-se privada da liberdade.

Privada do seu prazer.

Acorrentada. 

Um dia venceu o medo e ela voltou para o rio.

Agora de bicicleta.

Não viu os toiros.

Pensou que estava sozinha.

Mas o pastor apareceu, também de bicicleta.

Ela pedalou pela vida, perseguida por ele e pelo seu riso escarninho.

Pedalou. Pedalou. 

As risadas foram morrendo.

Ela avançava, mais livre a cada pedalada.

Ele desistiu, cansado. 

Ela pensou: “De facto, fumar faz mal!”

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12
Jan 09

«Quero levantar-me da cama...» - sussura-me ela, aninhada em mim.

Já estávamos acordados há um tempo, porque não levantar-nos?

«Porquê?» - pergunto num impulso intuitivo.

A minha pergunta repentina fê-la atentar-se e olhar-me, com os seus olhos grandes e meigos de princesa das Arábias. Durante uns segundos a sua mente considerou. Se a sua psique fosse um oceano (e é mais que isso: é um Universo!), durante esses momentos, uma tempestade intemporal se levantou – as ondas arranharam o céu com a sua magnitude, enquanto o solo que sustenta aquela imensidão tremeu e eboliu com vulcões de inimaginável incandescência.

«Porque há coisas para fazer...» - acabou por responder.

Eu sorri. Percebi então o verdadeiro e profundo motivo da minha pergunta. Virei-me de lado, encarei-a. Afaguei-a e passei a pente fino os seus lábios volumosos com o meu olhar e a minha língua. Depois, ainda sorrindo, perguntei-lhe:

«É essa razão suficiente para nos levantarmos desta cama e deste abraço?»

Ela desviou o olhar.

«Que outra há?» - perguntou.

Eu beijei-a outra vez, intensamente, apertando o seu corpo firmemente contra o meu e disse-lhe:

«Amo-te...»

Os lábios dela abriram, como uma flor ao sol, e a sua face desenhou um sorriso autêntico.

«Também te amo...»

Apertei-a de novo contra o meu peito e enrolei-a nos meus braços.

«Sentes?»

Ela moveu ligeiramente a cabeça, num aceno roçado contra o meu rosto.

«Sinto...»

Eu soltei o abraço e olhei-a bem fundo e disse-lhe com carinho:

«Então agora podes levantar-te e eu contigo, porque o nosso dia começará com Amor, não com dever, não com obrigação. Eu e tu, temos uma ilha, sabes? A nossa ilha de Amor que, no fundo, é de todos os que nela desejem entrar...»

Ela riu-se, feliz e levantou a coberta da cama, destapando-nos.

Um verdadeiro novo dia começara então.

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09
Jan 09

Era uma vez uma batata que se tornou consciente. Estava enterrada com as outras  batatas quando a consciência a tomou de assalto, e disse:

   “Merda, tenho medo do escuro!”

   Passaram-se dias de pesadelo para a Batata Consciente. Descobriu que não só tinha medo do escuro como também a aterrorizava o raspar da terra e o regougar dos anelídeos que dela se alimentavam. Era demais para uma simples batata! Uma semana depois de ganhar consciência, começou a contemplar o suicídio como a sua única saída.

   Felizmente tinha chegado a altura da colheita e a nossa heroína foi salva de um destino pior que a morte, o da inutilidade. A Batata Consciente foi levada, encaixotada entre centenas de outras batatas, até à central de processamento de tubérculos.

   Estava cega. Acontecera pouco depois de ter sido desenterrada por causa da intensidade da luz. Via apenas uma mancha branca. Descobriu que também tinha medo da luz! Pensou que estava condenada a viver entre medos e que esse tipo de vida não era vida nenhuma, mas uma tortura auto infligida. Então decidiu enfrentar o Medo!

   A camioneta chega ao ponto de descarga e em alguns segundos despeja uma tonelada de batatas ainda enfarinhadas em terra seca. Os tubérculos seguem pela passadeira rolante, onde são lavados, descascados, cortados em lascas finas, fritos em óleo, temperadas com aromatizantes artificiais e sal e finalmente embaladas.

   A Batata Consciente desconhece todo este processo. Segue na passadeira que a levará a uma morte precoce, sem medos, elevada pela coragem recém-adquirida. Mais tarde, descarnada, semi-inconsciente de dor, a Batata depara-se com as lâminas que a vão cortar em finas fatias, e grita:

   “Nada me derrubará!” 

   * 

   

Um pacote de batatas fritas é aberto e alguém se alimenta de Coragem e Percepção. Infelizmente estes são ignorados. Afinal era só uma batata!

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08
Jan 09

No início do século XXI as pessoas trabalhavam mais que formigas, nem no Inverno descansavam. Corriam de um lado para o outro, não faziam nada criativo e ao final do dia dormiam umas poucas horas para voltarem ao reboliço da rotina do dia anterior. Casa, trabalho, casa, trabalho. O vazio crescente nos seres humanos era assustador, mas não havia muito tempo para se pensar nisso. 

Apostou-se na criação de sistemas de entertenimento portáteis para acompanhar as pessoas nas suas movimentações rápidas. Sistemas de som, consolas portáteis, livros de bolso, jornais diários, enfim tudo e mais alguma coisa. O mais misterioso é que tinha sido as próprias pessoas a inventarem o trabalho e o seu número de horas de escravidão. 

Isabel ficou em casa com uma gripe e parou para pensar nisto tudo. Que vida maluca! À hora de jantar desligou a televisão, negou uma rapidinha ao marido e pediu para conversarem. Ele olhou para o relógio e disse “Ok, temos 10 minutos antes da novela começar”. Ok, aquilo foi demais da parte do Alberto mas ela ignorou (mais ou menos, as mulheres não esquecem) e iniciou a exploração das suas ideias. Primeiro ele disse que estava bem assim, ficarem em silêncio, depois de lavar os dentes, mesmo ao aproximar-se da cama disse-lhe “És capaz de ter razão, temos de arranjar uma maneira para termos mais tempo”. 

E assim inventaram o beijo da preguiça, Isabel beijou-o até ter a certeza que ele ia ficar com gripe para passados uns dias ficar em casa a meditar na vida e ter tempo para si. Sempre que um sentia a necessidade de preguiçar, arranjava uma forma de criar um beijo de preguiça que podia nem sempre ter a sua forma original mas era uma forma de fugir aos grilhões criados por antepassados e perpetuado pelos seus pares.

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07
Jan 09

Uma parede de vidro explode em estilhaços à minha volta, quando irrompo pela janela da frente do hall, mantendo as minhas duas pistolas automáticas em riste, e os meus olhos ilesos, só porque me recuso a ser ferido por mero vidro. Os estilhaços acariciam-me a pele, querendo fazer amor com a minha carne, mas são rejeitados pela minha roupa protegida ao mesmo tempo que os meus pés tocam o chão.
Começo a disparar quase antes de ver o cerco de 37 guardas (conto-os com um mero relance). Sei que não tenho balas suficientes para todos. Não interessa. Disparo na mesma, ciente de que cada tiro será certeiro. É impensável que eu falhe uma bala sequer, e como tal, não falho, e pedaços de carne voam de todos os meus alvos enquanto corro, procurando abrigo atrás duma recepção de plástico-a-fingir-madeira-e-mármore, e aterro do outro lado sem balas. Os tiros dos 5 sobreviventes crepitam no plástico, e uma rapariga encolhida ao meu lado geme de medo.
Atiro uma granada de fumo sem olhar, e espero até ver a névoa a passar-me por cima da cabeça. Espreito por cima da recepção, e vejo os cinco vultos desaparecerem no fumo que os envolve. É quanto basta. Fecho os olhos, salto para fora da minha protecção, e lanço-me na direcção deles, derrubando-os com golpes certeiros, detectando as posições em mudança pelo som das botas no soalho.
Pego em duas armas dos meus inimigos, e acendo um cigarro. Ninguém dará por isso no meio deste fumo. Dirigo-me ao escritório, e abro a porta. O meu alvo olha-me, boquiaberto. Um tiro certeiro abre-lhe um terceiro olho na testa. Dirigo-me à agenda dele, e retiro o número de um colega do homem que acabei de matar.
Detesto mudar de dentista, mas eu tinha-lhe dito que ia chatear-me a sério se a maldita raiz continuasse a doer.

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06
Jan 09

Ele não sabia como lhe dizer que a amava do fundo do coração, todas as frases feitas lhe pareciam pouco, as rosas não eram belas o suficiente e não era dado ao teatro e a dramatizações que lhe permitissem ajoelhar-se e dizer-lhe apenas: Amo-te!

Um dia saíram e passaram uma bela noite, trocaram palavras doces, beijaram-se carinhosamente e ele ficou com mais certeza que o seu amor por ela era infinito.

No caminho de regresso, olhou para ela que conduzia o carro, inspirou-se nos Smiths e disse-lhe:

Se um autocarro de dois andares

viesse contra nós,

morrer ao teu lado,

seria uma maneira divina de morrer!

Se um camião de dez toneladas

nos matasse aos dois,

morrer a teu lado,

bom, o prazer – o privilégio seria meu!

Não me leves para casa,

porque já não é a minha casa, pois não moras nela!

Leva-me contigo,

para qualquer lugar, desde que estejas lá!

 

Ele viu o olhar dela cheio de ternura, os olhos marejados de lágrimas pela emoção. Percebeu que a tocara, que ela achara aquelas palavras uma bela declaração de amor. Perderam-se nos olhares e …

Acordou com uma luz branca por cima dele, médicos e enfermeiros atarefados à sua volta, vozes urgentes gritavam ordens desesperadas. Ao seu lado, noutra maca estava ela, o lençol que a cobria manchado de sangue. Gritou o nome dela e todas as outras vozes se calaram. Nenhuma reacção. Gritou ainda mais alto. Nada.

Desesperado por não obter nenhuma resposta, gritou por ajuda, que lhe dissessem o que tinha acontecido.

Um médico, compassivo, baixou-se e segredou-lhe:

- Um acidente de viação muito estranho: um autocarro de dois andares foi contra o vosso carro que, de seguida, foi esmagado por um camião de dez toneladas.

E ele morreu ali, ao lado dela, como tinha desejado.

 

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editado por Rui Diniz em 07/01/2009 às 10:08

05
Jan 09

"Vivo de novo."
O único conteúdo da nota deixada no correio, assinada “Alina”. Brincadeira de mau gosto. A minha amada Alina morreu há dois anos. Ainda sofro pela perda. Brincadeira de extremo mau gosto... mas eu vou lá.

Chego à morada indicada no envelope. Toco e a porta abre-se.
Olhando, caio no chão de imediato - os joelhos cedem, sem força.
«Alina?»
«Entra, querido.»
Alina olha-me ternamente, como sempre - fazendo-me sentir um rei.
A força regressa e eu entro. Sorrio e abraço-a. Depois, sentindo de novo aquele seu cheiro, beijo-a. Depois dispo-a. Um fogo acende-se em nós e eu dispo-me também.
Contra a parede, penetro-a. Beijo-a e penetro-a de pé, as suas pernas enganchadas na minha cintura.
Os nossos olhos encontram-se… mas já não é a Alina! É a minha mãe! Não consigo parar o movimento sexual, nem quando ela ralha comigo.
«Puta!» - grito enquanto a minha mão agride a face dela.
E de repente ela é novamente a Alina e chora. Eu sinto pena e culpa invadindo-me.
«Alina... desculpa...»
A minha cabeça é impelida para trás pela força do estalo da minha mãe.
«Mãe! Não! Eu sou...» - e aí consciencializo-me do momento.
Ergo-me e esmurro-a com toda a força, toda a raiva, toda a culpa...

À minha frente jaz Alina, novamente morta. Matei a menina inocente e obediente que amava, junto com a severa mulher. Por qual delas choro?
Por nenhuma. Choro por mim.
Alina morreu há dois anos de leucemia, porque existiu apenas por mim. Aprisionei-a e dei-lhe todas as respostas que queria. Nunca viveu. Apenas existiu e morreu.
Hoje morro eu. Eu que, de tanto lutar, me transformei na mãe que odiava.
Hoje sigo em frente… e deixo para trás, sem memória, o cadáver da prostituta que alguém contratou para me agradar...

publicado jjnopants às 00:01
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