De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

26
Fev 09

Se olhassem para ele tudo parecia no lugar, arrumadinho na vida, adornado com um olhar atento e inteligente que o lançava numa epopeia de sonhos e aventuras. Mas as aparências podem esconder horrores, aquele jovem era alvo de terríveis pressões... ou melhor de uma arma de fogo! Nos últimos meses os seus miolos viviam em frente a uma arma, que estava na mão da sua própria mãe. Que ser humano louco é que fazia isto a outro, e para quê? Sem poder avançar com grandes explicações, adianto que esse mesmo jovem era obrigado a escrever três blogs... diariamente. Fazia-o por puro amor à vida, algo que o cano daquela arma nunca deixava esquecer. 

Não sabemos ao certo o que leva uma mãe a fazer uma coisa destas. Gertrudes chegou a uma idade crítica na vida, cuidar do seu gato mutante não era suficiente, destruir a vida ao seu filho era muito mais interessante. Estava Velha e como muitas pessoas velhas, queixava-se do seu tempo não passar. As novelas não prestavam e o tédio era tanto que nem conseguia ouvir a Rádio Renascença. Pobre Carlos Alberto, a esgotar as suas palavras pela Internet fora. 

Um dia, o Carlos organizou um plano de fuga, fingiu teclar ao pc, e quando a possível assassina foi mudar a areia do seu gato mutante, atacou-a à dentada e correu pelas escadas abaixo. Ouviu gritos de raiva e ameaças geracionais. Meteu-se num táxi e viajou sem destino por terras em que a noite dominava o tempo, os seus blogs não foram actualizados durante alguns dias. 

Surgiram perguntas pertinentes sobre o seu desaparecimento na blogosfera. Hoje foi capturado pelos capangas da sua mãe e, depois de uns merecidos açoites, voltou a escrever nos blogs. E quem sabe se as letras que estão a ler, não foram escritas por um rapaz oprimido ao som do miar de um gato mutante.

publicado às 00:24
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25
Fev 09

A minha ideia era lixar a Sara, porque pensei que fosse a dela também. Nenhuma de nós gosta de encontros às cegas, por isso quando ela sugeriu um meu com um amigo dela, e vice-versa, pensei que ela me quisesse fazer um arranjinho com um tipo nojento, ou assim. Por isso arranjei-lhe um encontro com o meu amigo menos... "encontrável".
Mas quando vi quem ela me arranjou, arrependi-me. Ele era MUITO giro, assim tipo Adrian Brody, só que menos magro, mais bem constituido. E com o nariz mais pequeno.
A Sara sabia bem do que eu gostava. Tentei não pensar em como correria o encontro dela com o Armindo.
- És a Teresa, certo? -  Meu Deus, até a voz era atraente! - Eu sou o Miguel.
Cumprimentei-o com um beijo no rosto, ele fez o mesmo, e fiz por não me agarrar a ele logo ali. Ainda por cima, apanhou-me num dia em que andava algo... propensa a excitar-me, o raio do homem.
Durante toda a noite, ele disse e fez tudo certo. Elogiou-me com humor, sem ser demasiado óbvio. Mostrou confiança sem se armar. Deixou-me pagar as minhas bebidas, e até oferecer-lhe uma (pronto, pagou-me duas cervejas, mas isso nem conta). E acima de tudo, tocou-me da maneira certa. Ele soube ir aumentando a intimidade fisica de forma perfeitamente natural. Depressa foi inevitável beijarmo-nos, e meu Deus, que beijos!
A noite foi aquecendo cada vez mais. Acabámos por ir para o apartamento dele. Fomos avançando para a cama nem sei bem como, e quando lá chegámos, nem me lembro de tirarmos a roupa.
Mas lembro-me de ele não estar... excitado. Pronto, entusiasmo tinha, mas não estava à altura, digamos. Tentámos várias coisas, diversos estímulos. Nada.
- Calma - disse ele - A noite está só a começar.
E fez-me o pior minete da minha vida. Fui para casa pouco depois.
Não lhe voltei a falar.


24
Fev 09

 

Fomos à nossa vida.

 

Voltámos as costas.

Dissemos adeus.

E ela disse: “Desculpe, mas tenho que ir atender…”

Chegou um cliente.

Olhámos nos olhos uma da outra e fiz-lhe uma carícia na face engelhada com tanto carinho.

Como eu gosto da minha sogra.

Ela disse: “Tão boa que você é! Gosto tanto de si. É pena não ter dado certo. Tanta pena!”

Então dei-lhe um abraço e chorámos as duas.

Trato por tu a solidão, conheço de cor o som gritante das paredes, senti a dor ensurdecedora da casa vazia, sei o que custa querer alguém para falar e ninguém para o fazer! Desejar acima de tudo, ser amada e querida por quem amamos e que é cego à nossa dor. Sei o que ela sentiu e sei o que doeu.

E com uma tristeza infinita nos olhos disse-me: “Veja lá, Filipa nenhum deles me telefona ou me vai visitar! O Ricardo apenas aparece com os meninos para comer ou com a roupa para lavar…“

E continuou: “Ahhhh, estou tão triste! Ontem, domingo, estive todo dia sozinha e pensei com os meus botões: Virgínia - tens cinco filhos e nenhum te telefona para saber se estás bem ou não, nenhum!”

“Ah, então quer dizer que o Ricardo está de folga e foi buscar os filhos. Acho bem…”, começou ela.

“Estão com o pai e eu vim pôr a mota na revisão e depois vou dar um passeiozito com a Matilde.”, respondi-lhe.

Perguntou-me: “E a Filipa vai bem? E os meninos?”

Disse que sim, que estava bem.

Voltei a sorrir e perguntei-lhe: “Como vai, está boa?”

“Está bonita, a minha nora. Bem, você sempre foi bonita”, disse ela, simpática como de costume.

Eu sorri e beijei-a.

“Olha quem é ela!”, exclamou a Sra. Virgínia.

 

publicado às 00:01

19
Fev 09

Numa rua fria e movimentada, vivia o Homenzinho. Rodeado pela poluição de mais de mil tubos de escape, ele comia uma refeição ligeira dentro do seu quiosque com livros manuseados. Nada da sua vida espelhava as suas mais perfeitas ideias de como seria viver bem. Durante anos a ouvir buzinadelas de carros,lamentar de pessoas, rixas e outras cegadas, levaram a que a sua mente passasse a ler o mundo com novos níveis de entendimento. 

O rendimento obtido no quiosque não tapava o buraco negro da ganância. Como qualquer amante de leituras de contracapas sabia como puxar a atenção de quem por ali passsava. Com o tempo desenvolveu um instinto apurado para reconhecer coisas que davam dinheiro. 

O contacto com o grupo  “Arquitectos" ampliou a área de acção, passou a ter uma rede de contactos com o submundo do crime literário e a aceder a livros baratíssimos. Concebeu um esquema genial, vender banda desenhada usada a adolescentes com acne. Comprava a 10 escudos, vendia a mil. Comprava a 50 escudos, vendia a 5000. Rios de dinheiro encheram os seus bolsos. Por desconfiar dos Bancos, guardava o dinheiro no colchão, sempre em segredo da família. O seu poder tornou-se lendário, do quiosque controlava a economia do país e a comunicação social. 

Dois jovens, cujas identidades temos de manter em segredo, trabalharam disfarçados fingindo-se interessados nas sugestões literárias do Homenzinho. Reunidas provas comprometedoras, a polícia avançou um cerco ao quiosque. Num acto de desespero, pegou fogo ao seu prórprio quiosque e desapareceu nas cinzas. Nenhum corpo foi encontrado, nem nenhuma pista sobre os “Arquitectos” foi sólida para os apanhar. Todo o submundo do crime literário ficou em brasa com as chamas daquela noite e assim começou  a guerra pelo legado do Homenzinho, mas isso é uma outra história para outra altura.

 

Este conto é dedicado ao meu amigo Rui G. e às nossas aventuras com o verdadeiro Homenzinho.


18
Fev 09

Quando Roberto dizia que era um swinger (e costumava dizê-lo sem problemas), toda a gente tinha a mesma reacção, uma qualquer variante de "elá, isso é só rebaldaria! É só pegar e andar!" Algumas das reacções eram mais positivas que outras, mas eram sempre parecidas.
As pessoas não entendiam. "Por mais que se explique, quem está de fora não pode entender", pensou, ao ajeitar os documentos à sua frente, de esferográfica na mão.
Fez uma pausa, e mais uma vez, pensou no estilo de vida que estava a deixar para trás.
As pessoas pensavam que encontros de swingers eram só orgias desenfreadas, que bastava saltar para cima da primeira pessoa que se encontrasse, montá-la por meia dúzia de minutos, e passar à próxima.
E pelo menos para ele, não era nada disso. Se fosse, Roberto nunca teria participado. Não foi isso que o atraiu, nem a sí nem à sua mulher. O que os atraiu foi a partilha. A comunhão. Todos os elementos do grupo habitual sentiam uma intimidade enorme entre si. O sexo era para eles uma maneira de se partilharem com os outros, uma forma de exporem o seu âmago, de ligarem a sua natureza. E isso sentia-se imediatamente, mesmo quando se era novo no grupo.
Era uma comunidade. Não unida por causa do sexo, mas através dele.
Por isso quando alguém lhe dizia que "epá, eu precisava de dar umas quecas, e tal. Dá para me apresentares ao grupo", ou outra variante disso (também esta conversa era demasiado frequente), Roberto respondia sempre negativamente. Porque não era disso que se tratava. Não era, nem nunca fora, sobre foder.
"Quem me dera que fosse", pensou, triste, assinando finalmente os papéis do divórcio. "Porque eu aguentava bem vê-la a foder outros homens. Mas já não consigo mais vê-la a fazer amor com mais ninguém."

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17
Fev 09

Quando teve força, divorciou-se mas não conseguiu enterrar o passado. Ela bem que tentava, mas sempre que o fazia, deixava uma pontinha solta e, bastava uma pequena distracção e lá estava ele, o Tal, a assombrar a sua Vida, tornando-a insuportável.

Ela queria voar, mas o lastro do Passado prendia ao solo.

Olhou para dentro de si e procurou incansavelmente pelas razões pelas quais não conseguia largar o lastro incómodo, diria mais, doloroso e desnecessário.

Gastou horas do seu Tempo.

Perdeu a sua Paz.

E não conseguiu.

Ele, o Tal, continuava a sua assombração, impedindo-a de ser feliz.

Tentou tudo:

Calmantes;

Anti-depressivos;

Estupefacientes;

Álcool;

Boxe;

Kickboxing;

Gritar no meio do nada;

Comer ameixas verdes;

Dança;

Corrida;

Sexo;

Meditação;

Reiki;

Yoga

e nada, nada lhe aliviava o peso do passado. 

Forçava-se a pensar no mal que o Tal lhe tinha feito.

Tentava acreditar que tinha sido ela a não querer viver assim.

Sempre que pensava nele, obrigava-se a gritar a si mesma: Pára!!!! 

O pior era mesmo à noite, quando não tinha controle sobre os seus sonhos: o Tal povoava-lhos e estragava-lhe o descanso.

Ela bem sabia, não se conseguia enganar, tinha a plena consciência, que não era o Tal que lhe fazia isso. Ela tinha a noção que era a sua Mente sem Paz que lhe pregava estas partidas.

Ontem na praia, ao calor morno da tarde, ela encontrou uma garrafa de gargalo largo e lá dentro conseguiu colocar:

O Tal;

O casamento;

A traição que engoliu;

As mentiras que ouviu;

O desprezo que sofreu;

O egoísmo e

A indiferença de que foi vítima e

O desespero que quase a levou à

Morte. 

Rolhou a garrafa e lançou-a ao mar. 

Espera agora que a Paz chegue.

 

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13
Fev 09

   O Atirador estava sentado no topo de um dos vários prédios de escritórios que marcavam aquela zona da capital. Fazia-se acompanhado de uma espingarda de longo alcance Van Dyke com silenciador e balas KTW capazes de perfurar armaduras.

   Esperava por um eminente homem de negócios, o seu Alvo. Este chega ao escritório às nove da manhã depois de tomar um frugal pequeno-almoço em casa, torradas com manteiga, café e sumo de laranja natural. Conduz sempre o seu Audi S8 Phanton Black. Almoça no Beach Blanket Babylon ou no Momo quando tem companhia, e ele tem sempre companhia. À tarde joga squash no City Point Club. Ganha sempre. Janta no Athenaeum Hotel quando acompanhado por uma das amantes, onde tem uma suite sempre à sua disposição. Fuma cigarrilhas Sobranie Black Russian, ricas, aromáticas e suaves e para relaxar bebe vodka.

   O Atirador estudou-lhe a rotina até esta se tornar sua. Tomou o mesmo pequeno-almoço. Comeu nos mesmos restaurantes. Desejou as mesmas mulheres. Fumou as mesmas cigarrilhas e bebeu da mesma vodka. Aprendeu a pensar como o Alvo, a sentir e agir como ele. O Atirador tornou-se no Alvo.

   À hora prevista, o Alvo sai do hotel onde jantara acompanhado pela amante nº 2. O Audi S8 já está à sua espera na estrada. Caminha com a calma e confiança que o caracterizam. O Atirador olha-o pela mira da espingarda, aponta-a e dispara. O cartucho vazio bate no chão cimentado e ressalta. O Alvo continua a andar, como se nada fosse. O Atirador reajusta a mira e dispara mais duas vezes. Nada! O Alvo entra no carro e arranca.

   

O Atirador fica-se sentado, perplexo. Sente algo húmido e quente a escorrer-lhe pelo peito. É sangue que esguicha de três buracos de bala. Os buracos que deviam de estar no peito do Alvo. 

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editado por B. T. Estanqueiro às 09:57
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12
Fev 09

Nasceu numa noite de Inverno em que a Lua estava Cheia, e três mulheres nuas o invocaram através de uma oferenda. Era um ser estranho para o padrão de qualquer espécie existente em todo o Universo, abençoado por ser único no seu ar assustador, solitário pelo mesmo motivo. A sua forma não era consistente, dependia de quem olhasse para ele e com que intenção. Enquanto outros monstros estudaram em finas cavernas europeias, este educou-se através dos seus recursos. 

Não consegui arranjar o trabalho que gostaria (jardineiro de grades de vidro) e optou por se dedicar ao comércio do horror. Aos 27 anos geria um pequeno comboio fantasma, aos 70 assombrou uma casa na Buraca e finalmente aos 102 assentou a assombrar um lar de idosos. 

Um simples olhar pelo seu currículo dá a informação que dedicou parte da sua vida a horrorizar adultos. Era um prazer inefável encontrar espaços nas almas dos adultos, para os preencher com terríveis sombras. Como muitos monstros do seu tempo, vivia debaixo de uma cama, pois o negrume dos quartos quando todos se vão deitar é deveras assustador. 

Os membros de diversos partidos políticos eram alvos preferenciais, os horrores deles eram tão grandes que até de dia podiam ser facilmente assustados. Quantos discursos no Parlamento foram afectados pelo aparecimento deste Monstro? 

Quando ia gozar férias ao Algarve, divertia-se nas praias a afogar adultos e a fingir que era uma mistura entre tubarão e tsunami. As gritarias dos humanos pelas praias fora, eram uma doce melodia para os seus ouvidos. Nunca foi apanhado pela Polícia Marítima, sorte a deles! Nada o fazia estremecer, vivia sem qualquer cuidado. 

Morreu numa manhã de Inverno, de sorriso nos lábios depois de ter apanhado um susto dos diabos, ao ver uma criança disfarçada de fantasma com um lençol branco. E muitos adultos deixaram de se urinar durante a noite.

publicado às 08:22
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11
Fev 09

Ontem ainda tinha saudades tuas.
Fui para o trabalho, ansioso por que o dia passasse.
Amanhã irei para o trabalho, com todo o peso do dia nos meus ombros.
Farei todas as minhas tarefas como um bom autómato.
Despachei-me de tudo, cheio de alegria.
Nem dei pelo tempo passar, mesmo quando já tinha tudo terminado, e fiquei a olhar para as paredes.
Irei beber um café, com a mão a tremer, e acidentalmente, deixarei cair a chávena. Ela vai partir-se, e ao olhar para os fragmentos, serei inundado por uma tristeza que me consumirá por horas.
Assobiei o dia todo. Sempre a mesma música. Deixando os momentos passar por mim, fantasmas de um tempo que não queria.
Não será a chávena a entristecer-me.
Cheguei a casa, e vi os episódios novos das séries que acompanho. Não memorizei um único evento.
Tentarei distrair-me, pensando nos episódios das séries de que gosto. E notarei que não me lembro dos mais recentes por inteiro, serão apenas fragmentos espalhados pela memória.
Olhei à minha volta, para a minha casa, para a minha vida. Tudo me pareceu etéreo, não me pareceu real.
Chegarei a casa, e serei esmagado pelo peso da prisão em que vivo, cujos confortos não me satisfarão. E chorarei.
Mas não hoje.
Hoje estou contigo. Gozo a tua presença, o teu sorriso quando olhas para mim, o teu toque. Todos os momentos contigo são preciosos, e saboreio-os como tal, doces raros que me alimentam a alma e o coração, um a um.
Ontem nada foi real porque ainda não estavas comigo.
Amanhã tudo será real demais, porque já não estarás.
Mas hoje estás. Aqui mesmo, ao meu lado. Com a tua mão na minha. E neste momento, sinto-me como raras vezes me sinto.
Sinto-me feliz. Completo.
Inteiro.


10
Fev 09

Tudo começou de repente. Um dia, no banho, reparou que tinha uma mancha negra na mão.

Preocupada, foi ao médico que lhe diagnosticou o pior: gangrena. Não acreditou nesse destino atroz que a vida lhe estava a oferecer. Pediu uma segunda opinião. E uma terceira. E ainda uma quarta. Todos lhe garantiram e confirmaram o primeiro diagnóstico!

-Tratamento?, inquiriu.

- Amputação!, disseram-lhe.

Impossível de aceitar pacificamente: não permitiu que lhe amputassem a SUA MÃO!

No entanto, sabia que apenas tinha dois destinos: ou ficava sem a mão ou perdia a vida! Angustiada, consciente que adiava o inevitável, conseguiu viver mais algum tempo, tentando acreditar que aquela mancha não era gangrena e que não iria alastrar para o resto do corpo.

Mas a cura sonhada e impossível não veio. A mancha aumentava ligeira e inexoravelmente, cobrindo a mão e subindo pelo braço. Tentava negar a dor, o aspecto e o cheiro que lhe provocavam horas de angústia e um mau estar imenso.

Com o tempo, a ideia da amputação começou a ser-lhe querida. E notava que se o tivesse permitido, aquando do primeiro diagnóstico, apenas tinha ficado sem A mão. Agora, cada dia que passava, a amputação necessária à sua sobrevivência subia, centímetro a centímetro. Mesmo assim, adiava a decisão.

Uma manhã, olhou-se ao espelho e viu que já era a sua Vida que estava em jogo e escolheu a Vida.

A dor da perda foi quase insuportável. O braço amputado fazia-lhe falta. Sonhava que o tinha. Sentia uma comichão impossível. Com dor, habituou-se a viver sem ele.

Um dia, quase morreu de susto, pois viu o SEU braço (antes morto!) enxertado no corpo de uma bela rapariga. E estava vivo, a podridão desaparecera!!

Desesperada foi para um viaduto esperar por um comboio e no primeiro Alfa-Pendular que apareceu, lançou-se …


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