De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

31
Mar 09

- Como posso viver um dia de cada vez, se sinto que vivo todos ao mesmo tempo?
Era uma boa pergunta. O meu entrevistado, que pediu para manter o anonimato, tinha uma capacidade invulgar: o seu cérebro não eliminava memórias. Ele lembrava-se de tudo, de forma tão nítida e lúcida como se estivesse a acontecer no presente.
- Quantas pessoas já lhe disseram que desejavam ter o seu "dom"? - Era uma pergunta algo óbvia, mas não lhe resisti.
- 243 - respondeu sem hesitar. - As pessoas pensam que ter memória permanente é muito giro e útil. Mas não é. Elas não imaginam... Não sabem...
Pensei por segundos que ele ia chorar. O peso das memórias pode ser esmagador mesmo para quem tem a sorte de as poder esquecer. Mas para ele, elas estão sempre vivas, e o impacto dos acontecimentos nunca diminui. Não me teria surpreendido se a conversa comigo o tivesse confrontado com algo doloroso do seu passado. Mas de repente, olhou na minha direcção como se eu não estivesse ali, com um sorriso preguiçoso nos lábios.
Perguntei-lhe o que estava a "recordar".
- Heroína - riu-se. - Quando me sinto a focar-me... a focar-me sem querer em algo mau, a vez em que experimentei é porreira para reviver.
- É assim que consegue aguentar? É tudo uma questão de foco?
- Tento que seja. Muitas vezes, focar-me só no que quero funciona. A maioria das vezes, não.
Acabei por sair dali sentindo que mal tínhamos aflorado a questão. Havia muito mais por dizer sobre a condição dele, e combinámos que voltaria noutro dia, talvez para uma segunda reportagem, ou só para uma conversa amigável.
Não tive essa hipótese. Ele foi encontrado morto pouco depois, com um buraco na nuca aberto por um berbequim. Oficialmente, foi suicídio.
Eu acho que ele só queria deixar as memórias escapar.

publicado às 23:36
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30
Mar 09

No último piso do Centro Comercial, sentada num sofá de napa azul índigo, entretida com o Novo Livro que acabara de comprar na livraria do piso de baixo e a aproveitar a luz natural que espraiava da clarabóia, estava à espera dos amigos para ir almoçar.

Um movimento anormal, apenas adivinhado ao fundo do seu campo de visão, chamou a sua atenção: na clarabóia, um vulto mexia-se. Um homem sentado numa tábua presa por dois cabos seguros a um principal, preso num local invisível, munido de um balde e de uma escova para limpar vidros, fazia acrobacias impensáveis a 50 metros de altura.

Da atenção indivisa ao Novo Livro, passou a estar atenta ao Sr. Lavador dos Vidros da Clarabóia do Centro Comercial. A cada passagem da escova, o sujo desaparecia e a sombra da água a escorrer criava imagens que lhe alimentavam a imaginação. Absorta nestes desenhos e pelos malabarismos do Sr. Lavador de Vidros, que se esticava, sentado na ponta da tábua, para chegar ao ponto mais distante do vidro, quase que ia morrendo de susto quando ouviu um apito de alarme no lado de dentro do Centro Comercial.

Um homem baixo, quarentão, vítima de Trissomia 21 divertia-se a assobiar o aviso de marcha-atrás da maquinaria pesada. A diversão dele passou a ser a sua e ela saboreou a alegria do Homem Apito durante uns minutos.

Entretanto, olhou para cima e o Sr. Lavador de Vidros desaparecera: a tábua baloiçava pendurada…

Aflita, olhou à sua volta, procurando olhares cúmplices do seu, mas apenas viu o olhar vazio dos lojistas desocupados.

Ia chamar socorro e…

- Aí estás! - disse um colega. - Já tocou e tu a inventares histórias como de costume…

E ela foi, mais uma vez, dar uma aula na Escola Velha e Cinzenta, com vidros sujos e sem clarabóias.

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28
Mar 09

Saiu da casa e desceu as escadas atabalhoadamente. Tropeçou, não caíu. Equilibrou-se. Agarrou o corrimão, áspero, enquanto acendia o cigarro com a outra mão. “Vá lá, acalma-te.” No escuro, as imagens vieram claras. A savana. Foi a última coisa que viu do avião, a savana. Em direcção ao céu, em direcção às nuvens, e cá em baixo tudo calmo. Expirou uma nuvem de fumo e sentiu-se melhor. Os anos já eram muitos, pensou. Sim, devia ser dos anos. O coração já dava sinais e as pernas já não eram como dantes. O trabalho não era dificil, fazia o que lhe pediam e na maioria das vezes não eram demorados. Ficava com muito tempo livre, o que também se tornava um problema. Não gostava particularmente do que fazia, mas sempre dava dinheiro e era preciso que alguém o fizesse. Sem ilusões: se não fosse ele, era outro. E enquanto estivesse no lado certo, não haveria problema. No lado certo... bem, pelo menos no lado dos que viviam. Lembrou-se outra vez da savana e das caçadas. De acompanhar o pai, dos jogos de bola e da mãe que o fazia prometer que ia estudar. Para médico ou professor. Riu-se de como parvo parecia agora. Parece sempre, quando se olha para trás, dizia o Branco. E realmente não havia muitas coisas que parecessem certas. Talvez se tivesse ficado. Talvez se ele não tivesse visto o dinheiro e a promessa, estragada, de uma vida, bastante parecida com a ideia que tinha de morte, agora que pensava nisso.
Olhou para o relógio. Havia dez minutos que estava parado no meio das escadas. Puxou do telemóvel e marcou 112. Era preciso avisar a polícia dos corpos e aqueles não tinham sido fáceis de disfarçar.

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27
Mar 09

Sentada e preparada para saborear uma baba de cabelo estava a Patrícia, com um sorriso de orelha a orelha. Primeira garfada, segunda garfada e IAC... estava horrorizada com a sua baba de camelo, era horrível! Uma tentativa falhada em criar uma baba de camelo com aroma a chocolate mas nem a isso sabia. Exigiu falar com o responsável do estabelecimento. Aproximou-se um senhor de cabelos brancos a perguntar o que se passava, ela explicou e como resposta obteve apenas um sorriso paternal:

- A menina não sabe o que é a verdadeira baba de camelo.

- O quê?! Já li muitos livros sobre o assunto, tirei apontamentos e até consigo dissertar sobre o assunto.

- Claro, menina! Mas se tem assim tanto jeito porque não faz a sua baba de camelo e deixa de dizer mal da nossa.

Foi furiosa para casa, a digerir a lata daquele indivíduo. "Menina, isto", "Menina aquilo"... Que insulto! Tinha de fazer qualquer coisa, projectou a Sociedade Secreta da Baba de Camelo com o objectivo de produzir a baba de camelo mais perfeita do Universo. Horas de estudos aprofundados, milhares de experiências, meditações quânticas, dinheiro investido e Obra alcançada. Uma baba de camelo dourada, de textura perfeita e sabor inigualável. A fórmula secreta foi gravada em tinta-da-china num papiro e selada num cofre.
Fundou uma loja, no Bairro Alto, que era alvo de autênticas peregrinações. Ao fim de uns tempos, todos queriam colocar as mãos na receita secreta, houve vários assaltos aos cofres da Rua do Ouro mas nunca conseguiram encontrá-la.
Numa noite recebeu um telefonema:

- A menina tinha razão, desculpe naquele dia... Nunca mais faremos uma baba de camelo tão má.
Patrícia ficou com um sorriso vitorioso que durou até ao dia seguinte. Pois estava noutra esplanada e comeu um pastel de nata mau, reclamou e o senhor gozou com ela. Disse-lhe que uma miúda não percebia nada de pastéis de nata.

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25
Mar 09

- ... E sabes qual foi a resposta que eles deram ao mistério? - disse Rafael, não escondendo a sua indignação.
- Não. - Do outro lado do telefone, a palavra veio acompanhada de um suspiro frustrado, mas Rafael ignorou-o.
- "Ah, isso aconteceu assim porque Deus fez com que acontecesse assim! E usou anjos, e tal!" Tu acreditas nisto???
Miguel soltou uma gargalhada.
- Se tu o dizes, eu acredito. Mas é parvo, sim.
- Então não é? Isso é resposta que se dê, por acaso?? "Foi Deus"? É gozar com os fãs!
- Mas ouve lá, não achas que estás a levar a coisa demasiado a sério? É só uma série de televisão, homem...
- Está bem, é. - Apesar do pedido do amigo, quanto mais Rafael falava no assunto, mais se irritava. - Mas bolas, os fãs seguiram a série religiosamente por nove anos! Nove! E a resposta que eles dão a mistérios que duram desde o primeiro episódio é só aquela? E numa série dramática e supostamente realista, ainda por cima, o melhor que eles arranjam é "foi Deus que fez tudo"? Epá, é uma estalada na cara dos fãs, desculpa lá!
- A série sempre foi bastante espiritual...
- Espiritual sim! Mas não literalmente! A ideia não era ser uma série sobre milagres, caramba... - Rafael fez uma pausa. Por mais que a situação o frustrasse, realmente tinha que admitir que estava a fazer uma tempestade num copo de água. - Desculpa, rapaz. Não queria despejar-te isto em cima, mas pronto. Estavas a jeito.
- Não te preocupes com isso. Distrai-te com alguma coisa, mas é.
A chamada não durou muito mais. Os dois amigos despediram-se, e Rafael voltou à sua secretária, para terminar a sua tarefa anterior. Fechou os olhos e respirou fundo, tentando recompor-se.

E voltou aos preparativos da missa que daria no dia seguinte.

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23
Mar 09

Era uma vez um Sapo que pensava que era um Boi.
E, de facto, o Sapo conseguira inchar de tal modo que enganava qualquer um. Havia animais que morreriam sob tortura, jurando que o Sapo era mesmo um Boi.
A Gata, perdida de amores pelo Sapo que, embora visse um sapo, pois como qualquer felino, tinha uma visão apuradíssima, teimava em acreditar que estava na presença dum boi.
Essa Gata dedicou parte da sua vida e da sua energia vital a cuidar dele. Mas, o Sapo, pensando que era o maior Boi da Quinta, esqueceu-se dela e dos Patitos que prometera cuidar, como dos seus próprios Girinos se tratassem.
E assim se passou algum tempo. A Gata cuidava dos Patitos e do seu adorado Sapo/Boi e todos o veneravam quando lhes retribuía alguma atenção, o que era raro. A sua importância era tal, os seus assuntos tão delicados, que estar com aquela Gata, lhe parecia um desperdício do seu tão requisitado tempo ou atenção. A adoração da Gata começou a esfriar.
Até que um dia, a Gata olhou para o Sapo e já não viu o Boi. Tinha sido enganada pela sua cega adoração. Ainda vou a tempo, pensou, com este sapo não viverei mais.
Assim, agarrou nos Patitos e mudou de Quinta. O Sapo foi fazer queixa dela. Dirigiu-se, indignado e ofendido, à casa do Mocho, animal sábio e capaz de resolver conflitos. Começou a gritar, que injustiça tremenda lhe estavam a fazer, que nunca tal se tinha visto, uma Gata abandonar um Boi.
O Mocho ouviu sereno e, no fim da gritaria, limitou-se a estender a pata e com uma unha furar a pele do Sapo. O silvo do ar a sair lentamente ouviu-se com nitidez e todos puderam ver que afinal aquele Sapo era mesmo um sapo.

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21
Mar 09

Mas como? Cooomooooo?
Como foi possível teres-te deixado influenciar pela estória ridícula de um livro? E ainda para mais sabendo como eu detesto feridas, hospitais, sangue!

Andaste muito silenciosa nos dias após a leitura daquela merda de livro. Depois começaste subtilmente a questionar se te amava verdadeiramente ou não. E depois? Depois começaste a exagerar.

«Eras capaz de fazer alguma coisa de irreversível por mim?» perguntaste-me um dia; «hmmm, hmmm» respondi-te enquanto folheava o jornal do dia anterior.

Como é que me iria passar pela cabeça que querias que tatuássemos as nossas iniciais à tesouradas no nosso corpo? Mas que gesto de amor é esse? Não chegam as vezes que te aturo as birras, que partilho as tuas alegrias, que te compro presentes?

Mas não, querias mais, leste uma estória de amor ridícula nesses romances que só tu gostas de ler, e decidiste que querias mais de nós! Que a vida assim a dois era uma seca. Querias mais provas.

«Ah sim, então já agora porque não nos matamos, como o Romeu e a Julieta?» espicacei-te um dia quanto te apresentaste na sala com uma tesoura afiada. Voltaste-me as costas resignada e amuada, e pensei que a coisa ficasse por ali.

E foi então que um dia te encontrei em casa, estendida, com um frasco meio cheio de comprimidos ao lado e um bilhete que dizia: «É a tua vez. Amas-me ou não?».

Maldita sejas. Sabes bem que sempre fui um indeciso.


20
Mar 09

Última actuação. De uma cartola preta saltou um coelho gorducho, foi o espanto de todos os presentes. Seguiram-se outros coelhos e muitos risos de crianças. Ao todo eram cerca de vinte coelhos branquinhos, alinhados em frente ao Ilusionista. O espectáculo terminou com uma salva de palmas depois de todos os animais fazerem uma vénia. Música de circo, a cortina baixa e o Ilusionista sozinho no seu camarim era apenas um homem sem ilusões. Um homem chamado Fernando.

Fernando podia acabar com a fome no mundo, bastava tirar todos os coelhos que quisesse da cartola e depois seria só cozinhá-los. Que raio de ideia! Ele adorava coelhos. O problema sempre foi que tirava muitos coelhos da cartola mas depois não os conseguia voltar a colocar na cartola. Como não era capaz de se livrar deles, tinha uma casa cheia de coelhos. Naquela noite abusou muito, vinte coelhos, é o que dá ser viciado em palmas.

A namorada deixou-o por ser alérgica a coelhos, os amigos não achavam que ele tivesse uma vida digna, os seus colegas no circo eram apenas colegas. Para muitos seria sinal de uma má vida, para o Fernando eram contratempos partes integrantes do seu caminho individual. Tal como aquele dia, em que encontrou a cartola preta e se tornou parte de algo diferente. Foi o seu último espectáculo, a sua jornada de aprendizagem terminou, agora estava pronto para se tornar o mestre da sua cartola.

Despediu-se dos seus coelhos num campo onde eles podiam sobreviver, colocou a cartola na sua cabeça e seguiu estrada fora. Mente clara, sorriso na cara e com um objectivo em mente. Ao atravessar uma ponte viu um estranho vulto de cartola, como se estivesse à espera dele. Ao aproximar-se notou que o outro homem de cartola tinha um coelho branco no ombro.

De resto não sabemos mais nada, nunca mais foi visto... Pelo menos neste mundo.


18
Mar 09

Assim que saiu do carro, decidi que ela tinha que ser minha.
Quando a Sara me falava da amiga, eu presumia sempre que ela estivesse a exagerar, mas não. A Teresa era exactamente o tipo de mulher que me agradava. Rosto elegante, sorriso caloroso, mamas grandes mas não demais, pernas que nunca mais acabavam... Fiquei agarrado.
Estava decidido a conquistá-la, por isso entrei logo em modo de "jogo". Fiz por falar com voz mais profunda. Ela não pareceu notar.
Cumprimentei-a com um beijo no rosto, delicado mas másculo. Senti-a retrair-se, apesar do sorriso.
A coisa não estava a correr bem.
Normalmente, gosto de deixar as coisas correr de maneira mais natural, mas eu queria-a demasiado. Optei por usar todas as artimanhas que tinha aprendido com os melhores. Um pouco de "convencido mas divertido" aqui, alguma progressão planeada de contacto fisico ali, com uma pitada de "és toda boa, mas estou só a brincar, não penses que estou a babar-me". E aí, senti que a noite estava a melhorar.
Claro que fiquei um pouco aflito quando reparei que o dinheiro que trazia não chegava para pagar as bebidas. Mas ainda consegui pagar as primeiras duas cervejas de cada um, e fiz a última render. Ela não reparou.
O ambiente foi aquecendo. Acabei por perder a cabeça, e beijá-la antes do tempo, e de forma pouco controlada. Temi ter estragado tudo, mas felizmente, ela entregou-se ao momento.
Fomos para minha casa. Arrancámos a roupa, atirámo-nos para a cama, e aí sim, fiz o que devia. Fiz-lhe sexo oral, recorrendo deliberadamente a todas as minhas técnicas mais eficazes. E como ela adorou! É verdade que, com a falta de espontaneidade, não me excitei muito. Mas correu tudo bem na mesma.
O que interessa é que ela é fantástica, e acho que isto pode ser sério.
Mas espero que não descubra que aprendi tudo num livro.


16
Mar 09

40 anos feitos. Era hoje o seu aniversário e para a ocasião, vestiu uns jeans muito justos que a favoreciam.
- Good. A exibir esse cu fantástico!, disse-lhe o seu cyberfriend (não, não disse! escreveu, aliás, pensa ela, mas nada lhe garante que não tenha sido outra pessoa a passar-se por ele, tantas vezes lhe pediu para ligar a cam, o que ele recusou, ainda não percebeu porquê, será velho?, será feio?, será uma mulher?, perguntas que lhe assaltam o espírito inquieto, mas que às quais se recusa responder, porque aquela “amizade” cyberniana é a única companhia que lhe resta, depois de ter desistido de investir nas amizades físico-reais, das pessoas que conhece, das que poderia conhecer, não quer tentar mais, sofreu desilusões suficientes para seis ou sete vidas).
E foi beber um café à esplanada Finisterra inaugurada há pouco tempo: vivam as eleições, não para termos governantes dignos e inteligentes, mas para termos festas, comida e bebidas de vez em quando e para se construírem esplanadas à beira rio, tão agradáveis nesta altura do ano, em que já não faz frio e o sol ainda não nos estorrica a pele, boa altura dos bifes virem fazer férias, não no Verão, ficam a pele que é uma vergonha, querem dizer aos amigos, ah, fui passar férias e assim, e aparecem em casa, qual lagostas suadas.
Lá bebeu o seu café solitário e pensativo, mas porque raio nos sentimos tão sós, quando temos uma família que nos ama, uns filhos que amamos, um cão que nos olha com adoração, quando apenas só nos falta um homem ou uma mulher, conforme o género ou os gostos.
Foi pagar, o dono do café olhou para o cu fantástico que ela exibia, olhou para ela, ofereceu-lhe o café e pediu-lhe o número de telemóvel.

 

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