De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

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Out 08

Admito, raramente tenho coragem para abordar mulheres atraentes que não conheço. Não tenho a capacidade de pura e simplesmente meter conversa, e isso intimida-me. Por outro lado, também é verdade que raramente QUERO abordar alguém. É preciso ser uma mulher especial para me dar essa vontade. E não aparecem muitas.
Há dias, no entanto, apareceu uma.
Eu tinha ido ao café onde ela trabalha, para fazer a manutenção à registradora. Ela estava lá, em conversa com outras duas empregadas. Não sei se foi visivel, mas a beleza dela deixou-me desarmado. Juraria que estive um ou dois segundos parado a olhar para ela, mas não tenho a certeza. Mas ninguém reagiu a isso, pelo que se calhar é só impressão minha.
Avancei para o lado de dentro do balcão, passando pelo grupo de empregadas. Cumprimentei-as com um "boa tarde", tão natural quanto consegui. Responderam, sem sequer olhar para mim.
Eu entreguei-me ao meu trabalho, tentando ser discreto nos olhares que deitava à "minha" empregada. Acho que não queria que ela notasse, não sei. Mas estava decidido a dizer-lhe alguma coisa. Não sabia o quê, mas estava decidido na mesma.
Conclui que o melhor seria ouvir por algum tempo a conversa delas, na esperança de poder comentar algum assunto. Podia ser que encontrasse uma aberta.
- ...E sempre foram ao cinema ontem? – perguntou uma das outras à “minha” empregada.
- Fomos. – respondeu. – Fomos ver “O Panda do Fung-ku.. Fung-tu... Pung-tu...”
Ainda pensei que estivesse a brincar, mas bastou olhar para a expressão dela para ver que não estava. Ela realmente não fazia ideia de como dizer o nome do filme. Ainda tentou mais uma ou duas vezes, e rematando com “aquela coisa dos chineses”, acabou por desistir.
E eu também. Despachei o meu serviço, e fui-me embora, sentindo-me algures entre a desilusão e o profundo alívio.

publicado às 00:01
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