De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

04
Set 08

Tajima Kozo deixava o mundo em redor desaparecer quando se dedicava à sua Natureza, ao seu Caminho. Dedicava-se à cerimónia do Chá com a mesma naturalidade com que uma pedra lançada ao rio chega ao fundo do mesmo. Não havia som ou acontecimento que interrompesse o seu ritual, essa sempre foi a sua força.
Num dos seus passeios de contemplação do céu, chocou acidentalmente com um homem que lhe respondeu com um desembainhar de espada, percebeu que era um samurai sem mestre. Utilizou palavras suaves para lamentar o ocorrido mas a cólera do ronin era visível nos seus olhos confiantes da sua vantagem de guerreiro. Tajima fez uma vénia, mas o ronin desafiou-o para um duelo no dia seguinte. Como não podia recusar o duelo sem perda de honra, o Mestre de Chá preparou-se para morrer.
Procurou por um Mestre de Kenjutsu para aprender a morrer dignamente. Encontrou quem ajudasse, mas antes de o ensinar pediu-lhe para preparar um chá. Tojima ficou deliciado por ir fazer aquele ritual antes de morrer. Cuidadosamente preparou e executou o ritual do chá e então o Mestre de Kenjutsu disse-lhe que a única coisa que ele devia fazer era no momento do duelo seria pegar na espada como que se estivesse a executar a cerimónia do chá.
Chegado ao local do duelo, o mundo em redor pareceu torna-se uma bruma. Os dois homens ficaram frente a frente. Tojima pegou na espada como se estivesse a servir chá a um amigo, levantando-a acima da cabeça de forma dedicada. Para o adversário apresentou-se como uma rocha sem qualquer fraqueza.
Então o Ronin tomou consciência da sua injustiça perante o Mestre de Chá, deitou fora a sua espada, prostrou-se perante o próprio e pediu-lhe perdão. Tajima ajudou-o a regressar à postura vertical e convidou-o para um chá.

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