De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

11
Set 08

Todos os adultos daquela casa tinham as calças ensopadas de mijo. Cinco homens depois da casa dos quarenta anos assustados de uma forma que apenas esperamos de uma criança. Cada um deles segurava uma espingarda pronta a disparar, respirava de forma ofegante e mantinha os olhos escancarados. Uma porta abriu e a confusão espalhou-se por todos os recantos da realidade.
A notícia espalhou-se, 2 polícias foram mortos ao tentarem dar resposta a um pedido de socorro numa casa junto à Ribeira de Gaia. Os pormenores da história estavam ausentes e as pessoas não se preocuparam muito com a situação. “Coisas dessas acontecem”, “Este mundo anda maluco” e coisas desse género ficaram na cabeça das pessoas.
As pessoas que tanto opinaram sobre este assunto, não chegaram a saber o que se tinha passado no interrogatório. Os cinco homens capturados não conseguiram dizer mais que xiribi (ou seria ziribi?), a sua capacidade de comunicação estava seriamente comprometida.
Dois dias mais tarde, este nome tornou a ser pronunciado desta vez durante um delírio febril de uma criança em Portimão. As autoridades não vieram a saber deste dado. Nas ilhas, mais precisamente na Terceira, deu à costa uma estranha arca com um livro antigo, arca foi aberta… Curiosamente coincidente com o dia do incidente em Gaia mas ninguém se apercebeu.
Um dos homens envolvidos no incidente de Gaia, começou a ouvir uma voz, diferente aos ecos dos seus pensamentos, apenas material novinho em folha. Numa noite chuvosa, passados cinco anos, mudara completamente, tornara-se escritor e compilou uma obra de pensamentos de nome “Legado de Xir’ibi”. Por motivos que ainda hoje desconhecemos, esse livro tornou-se de leitura obrigatória em todos os anos do ensino obrigatório.
Depois disso já sabem, foi a noite em que Xir’ibi desceu dos céus e assumiu a liderança do nosso país.

publicado às 00:01
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comentário:
Bom dia Jorge

Para começar, e como já felicitei dois elementos deste belo blog, dou-te também os parabéns pela tua forma vanguardista da transcrição do pensamento.
Mas como o pensamento e segundo dizia o grande filosofo “Se penso, logo existo”, leva-me a comentar este tema de uma forma salutar, pois este não me parece de forma alguma adaptado à realidade de alguma situação vivida, portanto espero não levar nenhum arrepio nas minha considerações.
Só espero que um dia, se me acontecer algo do género, por motivos vários, daqueles que agora assolam o país não me aconteça como aqueles adultos, que eu na casa dos quase cinquenta, ainda não me considero incontinente, mas como “nunca digas nunca”, quem sabe se um dia e perante uma adversidade destas, não acabo por fazer pior e borrifar-me todo, tornando o fundilho dos cueiros, num ensopado nauseabundo.
Mas nestes tempos modernos assiste-se a um galopante viver de situações que a pacatez desta terrinha à beira mar plantada não estava habituado a ver.
Sinais dos tempos modernos? Sinais de uma sociedade desvalorizada de valores? Sinais de exclusão de outros credos e cores? Desemprego? Diferenças sociais?
Nestas interrogações, deambulo nas minhas conclusões e fico ainda mais confuso. Nesta era em que vivemos, em que quase tudo está descoberto, vejamos o último grande feito da história “O acelerador de partículas”, e ainda temos tanto a fazer a nível das condições humanas.
É nesta amálgama de pensamentos que por vezes até imagino que bem poderia me transformar no temível Hulk (aquele homenzinho verde da banda desenhada, que se identifica muito com a minha cor favorita, no futebol claro), e que sairia à caça de bandidos e ladrões, ajudando desta forma a sociedade e as policias em geral (que se dizem desfalcadas de meios), e claro dando uma ajuda aqueles que assumiram a liderança do país, contribuindo ainda mais para um cenário cor de rosa que nos querem injectar.
Quem sabe se numa dessas caçadas eu não conseguiria capturar os teus xiribi’s ou será ziribi´s?
Olha foi nesta dúvida que concentrei as minhas ultimas atenções e lembrava-me de algo assim sonante.
Consultei alguns alfarrábios que possuo, pois com o passar dos anos já tenho algum pecúlio alfarrabista, e basculhei algum significado.
Não descobri, mas descobri sim o “xiribiti”, que é uma mistura ancestral, feita de mel com bagaço que tomada nas doses certas até se conseguem grandes feitos, que entorpecem os músculos e nos fazem arriar das canetas.
Caramba até tem alguma ligação. Será que o Hulk descobriu o xiribiti? Decerto o danado abusou na quantidade, vai daí ficou verde, e saiu caçando xiribi’s, ou será ziribi´s?
Desculpa, nem dei por nada, desviei-me do cerne do meu pensamento, e da linhagem comentarista do texto.
Teria sido do xiribiti?
Não pode ser, porque tomei um descafeinado…

Um abraço, e continua…
Carlos a 11 de Setembro de 2008 às 11:21

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