De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

12
Nov 08

A Grande Máquina saíra do céu, e estava directamente por cima dele. Os ângulos eram bizarros, por isso era difícil discernir, mas dir-se-ia que apontava para ele. Só teve tempo de pensar uma única palavra, a única que inconscientemente decidira estar à altura daquilo que via:
"Deus?"
Um raio cor de rosa, fino como o dedo de uma criança, saiu da Máquina e atingiu-o directamente no centro da testa. A palavra foi-se da sua mente. A informação que lhe estava a ser transmitida eliminou a sua capacidade de pensar em palavras. O Conhecimento que lhe estava a ser transmitido ia bem para além da linguagem humana.
Mas ele Soube. Soube o que era a Máquina, que não era Deus, nem Deus estava dentro dela. Soube a natureza do Universo, o propósito da Grande Máquina, e o da Máquina Maior a que ela, e ele, pertenciam.
Num instante, ele soube. Tudo.
E no instante seguinte, a Máquina fora-se, e ele estava outra vez reduzido à sua humanidade. O Conhecimento, no entanto, estava ainda com ele. Temeu por um momento que o viesse a esquecer, ou a interpretar mal, mas depois soube, dentro de si, que isso já não era possível. O Conhecimento fazia parte dele.
Olhou à sua volta. Não estava ninguém por perto. Sentou-se no chão, encostado a uma árvore, gozando a sensação da terra e da relva, tanto directamente na sua pele como através da sua roupa.
Tirou um cigarro do bolso, e acendeu-o. O gosto não mudara, mas soube-lhe melhor do que estava habituado.
Uma ligeira brisa levantou-se, e acariciou-lhe o rosto. Ele fechou os olhos, deu mais uma passa no cigarro, com a sua outra mão na relva, deixando-se levar pelas sensações.
Passou ali o resto da tarde, sorrindo. Sem pensar em absolutamente nada.

publicado às 00:01
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