De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

07
Out 08

Mafalda era normal. Normal, no sentido gaussiano da palavra, isto é, confundia-se com a esmagadora maioria das pessoas à sua volta. Mas ser-se normal acarreta um sem número de chatices e ela estava farta. Ter que se fazer tudo da mesma maneira: dormir de noite, acordar de manhã, tomar o pequeno-almoço, almoçar, lanchar e jantar, sempre à mesma hora, tomar banho, vestir o soutien antes da t-shirt, as cuecas antes das calças…
Decidiu ser Doente Mental, pois além de não ter que trabalhar, poderia fazer o que lhe apetecesse, quando e como quisesse, pois seria olhada com tolerância pelos outros. Impunha-se-lhe, então, uma pergunta: Que doença mental escolher?
Pensou em Esquizofrenia, mas assustou-se com a ideia da mania da perseguição e começar a pensar que o Mundo se reunia num complô contra ela.
Pensou em Doença Bi-Polar e, se por um lado, achou piada à fase eufórica da doença em que poderia ser a Rainha do Universo ou ainda mais, por outro lado, teve medo da fase depressiva e dos internamentos hospitalares que requereriam.
Quedou-se então pela Personalidade Obsessivo-Compulsiva. Precisava ainda de escolher que obsessão e consequente compulsão adoptar.
Depois de magicar, Mafalda decidiu que iria passar a ter nojo de unhas grandes e que compulsivamente teria de as cortar até à cutícula. É claro que este corte de unhas teria que respeitar um ritual:
Sempre da esquerda para a direita,
começaria pelo mindinho da mão esquerda e cortava as unhas dessa mão,
passaria, de seguida, para o dedo grande do pé direito;
Voltava à mão direita, agora começando pelo polegar e,
terminaria no pé esquerdo, começando no mindinho.
Satisfeita, Mafalda começou a sua viagem no mundo colorido das pessoas ditas não normais…

publicado às 00:01

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