De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

26
Set 08

“Percorre as ruas de qualquer cidade e vais sempre encontrar dois tipos de pessoas. Os Lobos e os Cordeiros.”
“As hipóteses de encontrares um Lobo enquanto olhas os transeuntes são escassas. Mas isso não é importante, pois quando tu encontras um, tu sabe-lo imediatamente. Tu ficas com aquela impressão irritante, algures no teu sub-consciênte, que diz que há algo de errado com aquela pessoa, uma espécie de gume escondido. E, tal como um cordeiro a olhar para um lobo, tu és simultaneamente fascinado e aterrorizado por essa pessoa.”
“Em tempos, eu conheci um Lobo. Chamava-se Vitor. Ele não sabia o que era, apenas que não pertencia, que era um animal diferente. Vagueava de noite pelas ruas à procura de uma resposta para uma pergunta que não tinha. Foi então que conheceu outro Lobo, este na pele de uma miúda, a Rita. Ela também não sabia que era um Lobo, apenas que era diferente, mas ao contrário do Victor, ela tinha desistido de procurar. Ela tinha aceitado a diferença.”
“Passado pouco tempo o Vitor e a Rita formaram uma alcateia, macho e fêmea alfa. O inicio da relação foi intenso e apaixonado, como dois lobos solitários que finalmente tinham a companhia da sua própria espécie.”
“Não sei se foi o facto de o Vitor não conseguir viver com a diferença que os unia ou se foi o facto de a Rita se orgulhar dela, mas algo começou a envenenar aquela relação. As discussões eram tão intensas quanto as lutas entre lobos, chegando a envolver agressões físicas. Eles acabaram por se separar e a Rita desapareceu de circulação.”
“O Vitor voltou às deambulações nocturnas, mas de ânimo diferente. Já não procurava uma resposta, procurava uma solução. Encontrou-a na heroína.”

“Nós dividimo-nos em Lobos e Cordeiros. Eu sei o que sou. E tu?”

publicado às 00:01
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