De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

09
Out 08

A mesa era redonda e todas as 8 líderes sentaram-se à sua volta, o ambiente deixara de ser jovial nos últimos meses e um pesado manto parecia acomodar-se sobre os ombros destas mulheres. Cada uma governava uma porção do planeta, com um rigor friamente racional e o mundo vivia em paz. Sofia tomou a iniciativa do discurso de abertura.

"Corremos o risco das nossas luzes terminarem e de mergulharmos numa Era de Trevas. Os animais deixaram de falar connosco, o alimento que recolhemos à Terra está a perder sabor, os dias tornaram-se longos, os nossos irmãos e irmãs vivem de forma pouco energética e até no nosso grupo vejo olhares desorientados. O que se passa?"

A resposta veio da irmã sentado ao seu lado direito, "Temos governado com sabedoria e rigor, mas deixamos os contadores de histórias desaparecerem e talvez esta seja a causa do vazio da nossa Era"

Houve um silêncio palpável, mas o que passou pela cabeça das oito mulheres foi uma ideia vincada, "Farsas, invenções e embustes?! É disso que o mundo precisa? Mais distracções que os afastem do mundo físico?". Por muito forte que a ideia não lhes fizesse sentido, não custava experimentar.

Decretaram-se cursos de contadores de histórias, "imaginação livre" passou a fazer parte das disciplinas escolares, as estantes carregadas de livros técnicos começaram a ter alguns romances como "A história triunfante do rectângulo que meteu na cabeça que ia ter o comprimento do lados iguais" ou "As aventuras de um responsável técnico de contas e os erros burocráticos do passado". Mesmo assim o mundo não mudou.

A solução era outra, guardada num bico de um melro que foi abatido por uma pedrada de um catraio, antes mesmo de ter chegado perto da mesa redonda onde estavam as oito líderes. O Mundo continua na mesma...

publicado às 00:01
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comentário:
Deixa lá Jorge, que agora os catraios não vão mais abater melros à pedrada, nem vão querer que os pais ou educadores lhes contem histórias, porque afinal com a distribuição do "Magalhães" têm tudo ao alcance de um clique.
É o inicio de uma nova Era, em nome de sabedoria e do rigor das estatísticas claro, mesmo que se esvaziem as mentes e cada vez mais nos vejamos assoberbados de "prazeres" que nos retiram aos poucos o prazer de crescermos livres e sem condicionamentos, previamente estabelecidos pela sociedade e pelos governos em geral.
Nada continuara na mesma Jorge, e caminhamos para uma robotização generalizada de seres humanoídes, onde os valores vão escassear, senão até desaparecer.
Um belo texto, continua e um abraço
Carlos
Anónimo a 9 de Outubro de 2008 às 12:16

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