De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

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Out 08

O som imaginado de dentes metálicos povoava a mente fértil do Galo, do fundo das suas penas sabia que uma ameaça-arquétipo estaria para surgir na sua vida. Algo que o afligia profundamente, sempre gostou de pensar que iria viver para sempre.

Investiu grande parte da sua fortuna pessoal a equipar a sua capoeira, algo fortemente criticado pela gorda galinha branca (quem realmente mandava na zona). Todas as noites eram as mesmas invasões do seu mundo onírico, o cheiro a morte, a promessa de uma dor aguda e fria e o vazio de deixar de existir. Os alarmes de segurança e as grades electrificadas pouca segurança lhe deram.

Uma noite fria de Outono, o seu medo apareceu ao acordar com uma Raposa castanha matreira perto de si. Os seus pesadelos assumiram uma forma em carne e ossos.

- Calma! - Disse a Raposa – vim só conversar. Tens chá?

- Camomila serve? - Cuspiu o Galo ainda aterrorizado

- Claro acalma-me e é bom para ajudar na digestão - sorriso sacana - Sabes que a nossa história é famosa?

O Galo começou a preparar o chá, aproveitando cada instante para sondar a sua capoeira em busca de alguma coisa que pudesse usar como arma contra a Raposa.

- Qual história?

- A do roubo do Galo... Uma raposa matreira invade uma capoeira para roubar o galo, mais tarde na sua toca, faz com ele uma boa comezaina. Eras e Eras com a mesma história a arrastar-se pelo Tempo e pelo Espaço. Talvez tenha chegado à altura de pensarmos neste encontro de uma forma diferente

- O que queres?

Por um bocado, a raposa apenas sorriu.

- Vim dar-te em algo para pensares, vamos abandonar a rotina - A Raposa pegou numa pistola e dá um tiro na sua própria cabeça.

O galo urinou-se penas e patas abaixo e desatou a soluçar.

publicado às 00:01
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