De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

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Nov 08

Como tem estado a tua saúde? O cabrão do cão já morreu? Tenho andado preocupado com o bicho, nem me consigo concentrar em matar pessoas. Hoje ia falhando o olho esquerdo do embaixador que tinha que atingir (por sorte o Horácio estava lá para me fazer assentar na terra). Estou sempre com a cabeça num sítio diferente do corpo, talvez seja assim que um dia a minha vida vai terminar.

Eu estou bem, sempre com a polícia a chatear. Tu sabes como é, tal como faziam ao pai. Invadem-nos a casa às tantas da noite, apontam-nos armas e retiram-nos as coisas que nos dão alegria na vida, como o pó. Por vezes, encontram as armas. Que grande porra, começam logo a stressar por ter lâminas com sangue e restos de cadáver debaixo da cama. Com tanta corrupção podiam deixar as pessoas que matam por dinheiro em paz. Estou sempre sem cheta para lhe pagar qualquer coisa e não me largam.

Ontem dei por mim a recordar duma noite de Natal (aquela em que a Alzira cortou o dedo), nessa noite disseste à família toda que eu era o maior monte de merda que conhecias, mas que seria sempre o teu filho, o único ser humano que realmente amaste. Na altura, não entendi muito bem. Aquilo fez-me confusão, esperava que tivesses algum orgulho em mim. Não sou como o mano, que é político e rouba sem ter chatices. Nesse dia, quando fiquei sozinho no quarto, chorei que nem um puto por amamentar.

Lamento que tenhas amado um monte de merda, apenas quero que saibas que sou dos melhores naquilo que faço. Poucos matam como eu.

Deixo-te aqui um muito obrigado por me teres permitido ser filho de alguém. E que nunca ninguém ouse fazer algum trocadilho com esta frase…

publicado às 08:35
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