De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

20
Nov 08

Aceitei ir a uma festa para não ser sempre visto como um bicho-do-mato. Perdi-me num labirinto de pessoas com copos na mão, encantei-me com as visões que tive de pessoas simpáticas e vistosas. Sorri de forma envergonhada ao cruzar-me com alguns olhares, obviamente estava a sentir-me como um peixe fora de água. Aquele salão magnífico, as pessoas que não conhecia e a bebida que já tinha ingerido, tornaram os meus pensamentos esvoaçantes.

Já não a via há séculos, literalmente. Estes pensamentos foram interrompidos por uma imagem que me pareceu irreal. Precisamente no lado oposto da sala.

A distância não era fácil de percorrer sem dar muito nas vistas. Reconheço aquela pele pálida e os seus olhos doces em qualquer realidade paralela ou plano existencial. Sorriu-me como uma menina simpática e os seus olhos brilharam de entusiasmo. Um reencontro muito desejado, depois destes séculos de afastamento.

Tenho seguido um caminho bem diferente dela, apesar de termos muito em comum. Ambos somos completamente apaixonados pela vida, temos sentido de humor e gostamos de conversar. Pessoalmente só a vi uma vez, mas nunca deixei de pensar nela, é uma presença inesquecível.

Sou daquele tipo de aventureiros que vive afastado da morte o tempo que consegue, apesar de ter uma paixoneta secreta (das grandes) por ela.

Se a minha avó descobre que me apaixonei pela Morte dirá, de certeza: só te apaixonas pelas mulheres erradas, uma delas será o teu fim. A minha avó sempre foi uma mulher muito astuta. Com harmoniosos movimentos aproxima-se de mim e sussurra: - A partir de hoje estaremos juntos para sempre. Quando te sentires preparado dá-me a tua mão.

Estende-me a sua bela mão e entrego-me a ela sem qualquer resistência. Damos as mãos e seguimos, juntos para a eternidade. É aqui que me reencontro com o Amor.

publicado às 00:01
Autoria::

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

blogs SAPO