De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

26
Nov 08

Pareceu mais um final oficial que um recomeço.
Apesar de tudo o que passámos juntos, agora não nos conseguíamos ligar a nenhum nível.
Nem sei porque pensei que fosse de outra maneira. Reencontros de amigos de infância raramente terminam bem. Mas quando, depois de tantos anos afastados, eu e o Manuel nos voltamos a encontrar no Twitter acidentalmente, decidimos encontrarmo-nos pessoalmente para uma cerveja.
Eu já nem me lembrava porque nos tínhamos afastado. Presumo que tenha sido daquelas coisas que simplesmente acontecem. Crescemos os dois, ele foi à vida dele, eu à minha.
E quando nos juntámos, por algum tempo, foi bom. Soube-me bem voltar a vê-lo (está quase na mesma, só que mais velho. E gordo). Demos um enorme abraço. Bebemos cerveja.
Trocámos meia dúzia de palavras sobre o que andamos a fazer actualmente, só mesmo fingindo que queriamos meter a conversa em dia. Mas depressa estávamos a falar das nossas desventuras em conjunto, a rir do nosso passado em comum. A revisitar os bons velhos tempos.
E quando todas as desventuras tinham sido revisitadas... Ficámos ali. A olhar um para o outro.
Eu não fazia ideia do que lhe dizer. Presumo que ele sentisse o mesmo. Tentámos voltar a falar das nossas vidas actuais, mas desistimos. Não encontrámos nada em comum.
Separámo-nos minutos depois. Com um aperto de mão, não com um abraço. E em vez de sentir que tinha recuperado um amigo, fui para casa a sentir que tinha perdido um.
De lá para cá, falámos online mais umas vezes, e até o encontrei na rua por acaso. Somos sempre cordiais um com o outro.
Mas não consigo olhar para ele sem sentir um enorme vazio.
E já não me dá prazer pensar no nosso passado.
Sem querer, tinhamos afogado os bons velhos tempos em meia dúzia de cervejas.

publicado às 00:01
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