De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

12
Jan 09

«Quero levantar-me da cama...» - sussura-me ela, aninhada em mim.

Já estávamos acordados há um tempo, porque não levantar-nos?

«Porquê?» - pergunto num impulso intuitivo.

A minha pergunta repentina fê-la atentar-se e olhar-me, com os seus olhos grandes e meigos de princesa das Arábias. Durante uns segundos a sua mente considerou. Se a sua psique fosse um oceano (e é mais que isso: é um Universo!), durante esses momentos, uma tempestade intemporal se levantou – as ondas arranharam o céu com a sua magnitude, enquanto o solo que sustenta aquela imensidão tremeu e eboliu com vulcões de inimaginável incandescência.

«Porque há coisas para fazer...» - acabou por responder.

Eu sorri. Percebi então o verdadeiro e profundo motivo da minha pergunta. Virei-me de lado, encarei-a. Afaguei-a e passei a pente fino os seus lábios volumosos com o meu olhar e a minha língua. Depois, ainda sorrindo, perguntei-lhe:

«É essa razão suficiente para nos levantarmos desta cama e deste abraço?»

Ela desviou o olhar.

«Que outra há?» - perguntou.

Eu beijei-a outra vez, intensamente, apertando o seu corpo firmemente contra o meu e disse-lhe:

«Amo-te...»

Os lábios dela abriram, como uma flor ao sol, e a sua face desenhou um sorriso autêntico.

«Também te amo...»

Apertei-a de novo contra o meu peito e enrolei-a nos meus braços.

«Sentes?»

Ela moveu ligeiramente a cabeça, num aceno roçado contra o meu rosto.

«Sinto...»

Eu soltei o abraço e olhei-a bem fundo e disse-lhe com carinho:

«Então agora podes levantar-te e eu contigo, porque o nosso dia começará com Amor, não com dever, não com obrigação. Eu e tu, temos uma ilha, sabes? A nossa ilha de Amor que, no fundo, é de todos os que nela desejem entrar...»

Ela riu-se, feliz e levantou a coberta da cama, destapando-nos.

Um verdadeiro novo dia começara então.

publicado às 00:01
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