De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

06
Jan 09

Ele não sabia como lhe dizer que a amava do fundo do coração, todas as frases feitas lhe pareciam pouco, as rosas não eram belas o suficiente e não era dado ao teatro e a dramatizações que lhe permitissem ajoelhar-se e dizer-lhe apenas: Amo-te!

Um dia saíram e passaram uma bela noite, trocaram palavras doces, beijaram-se carinhosamente e ele ficou com mais certeza que o seu amor por ela era infinito.

No caminho de regresso, olhou para ela que conduzia o carro, inspirou-se nos Smiths e disse-lhe:

Se um autocarro de dois andares

viesse contra nós,

morrer ao teu lado,

seria uma maneira divina de morrer!

Se um camião de dez toneladas

nos matasse aos dois,

morrer a teu lado,

bom, o prazer – o privilégio seria meu!

Não me leves para casa,

porque já não é a minha casa, pois não moras nela!

Leva-me contigo,

para qualquer lugar, desde que estejas lá!

 

Ele viu o olhar dela cheio de ternura, os olhos marejados de lágrimas pela emoção. Percebeu que a tocara, que ela achara aquelas palavras uma bela declaração de amor. Perderam-se nos olhares e …

Acordou com uma luz branca por cima dele, médicos e enfermeiros atarefados à sua volta, vozes urgentes gritavam ordens desesperadas. Ao seu lado, noutra maca estava ela, o lençol que a cobria manchado de sangue. Gritou o nome dela e todas as outras vozes se calaram. Nenhuma reacção. Gritou ainda mais alto. Nada.

Desesperado por não obter nenhuma resposta, gritou por ajuda, que lhe dissessem o que tinha acontecido.

Um médico, compassivo, baixou-se e segredou-lhe:

- Um acidente de viação muito estranho: um autocarro de dois andares foi contra o vosso carro que, de seguida, foi esmagado por um camião de dez toneladas.

E ele morreu ali, ao lado dela, como tinha desejado.

 

publicado às 00:01
editado por Rui Diniz em 07/01/2009 às 10:08

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