De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

07
Jan 09

Uma parede de vidro explode em estilhaços à minha volta, quando irrompo pela janela da frente do hall, mantendo as minhas duas pistolas automáticas em riste, e os meus olhos ilesos, só porque me recuso a ser ferido por mero vidro. Os estilhaços acariciam-me a pele, querendo fazer amor com a minha carne, mas são rejeitados pela minha roupa protegida ao mesmo tempo que os meus pés tocam o chão.
Começo a disparar quase antes de ver o cerco de 37 guardas (conto-os com um mero relance). Sei que não tenho balas suficientes para todos. Não interessa. Disparo na mesma, ciente de que cada tiro será certeiro. É impensável que eu falhe uma bala sequer, e como tal, não falho, e pedaços de carne voam de todos os meus alvos enquanto corro, procurando abrigo atrás duma recepção de plástico-a-fingir-madeira-e-mármore, e aterro do outro lado sem balas. Os tiros dos 5 sobreviventes crepitam no plástico, e uma rapariga encolhida ao meu lado geme de medo.
Atiro uma granada de fumo sem olhar, e espero até ver a névoa a passar-me por cima da cabeça. Espreito por cima da recepção, e vejo os cinco vultos desaparecerem no fumo que os envolve. É quanto basta. Fecho os olhos, salto para fora da minha protecção, e lanço-me na direcção deles, derrubando-os com golpes certeiros, detectando as posições em mudança pelo som das botas no soalho.
Pego em duas armas dos meus inimigos, e acendo um cigarro. Ninguém dará por isso no meio deste fumo. Dirigo-me ao escritório, e abro a porta. O meu alvo olha-me, boquiaberto. Um tiro certeiro abre-lhe um terceiro olho na testa. Dirigo-me à agenda dele, e retiro o número de um colega do homem que acabei de matar.
Detesto mudar de dentista, mas eu tinha-lhe dito que ia chatear-me a sério se a maldita raiz continuasse a doer.

publicado às 00:01
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