De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

14
Jan 09

A chuva caía lá fora, gotas finas como agulhas, pintando no vidro da janela padrões depressivos de Inverno.
Ele olhava para a rua, sentindo o peso de um sábado vazio.
A chamada não vinha. Tentou fazê-la ele, mas ninguém respondeu. A rapariga, pelos vistos, tinha-se esquecido do que combinara com ele, ou pelo menos de que o encontro tinha ficado por confirmar. Confirmação que teimava em não chegar da parte dela.
"Ela que se lixe", pensou ele. "Tenho mais que fazer".
Ligou o computador, para combinar algo com algum amigo que encontrasse online.
A ligação não funcionava.
"Caraças, em casa eu não fico!" Mandou SMS para todos os amigos de que se lembrou, e até telefonou para alguns.
Aqueles de que obteve resposta estavam ocupados. Com planos que, por uma razão ou outra, não o incluiam.
Pensou em ir ao cinema sozinho, ou a outro lado qualquer. Ainda entrou no carro, mas ele não pegou.
Resignado, entrou em casa, para passar o resto do dia a ler, ou a ver filmes. Não sabia bem, logo se veria o que lhe apetecia.
Assim que ligou o leitor de DVD, faltou a luz. No bairro inteiro.
Acabou sentado no escuro, ouvindo duas músicas particularmente depressivas, as únicas que tinha no leitor de mp3. Cuja bateria depressa se esgotou.
Ao todo, esperou às escuras, sem nada para fazer, por 5 horas, fazendo um esforço enorme por separar a sua identidade da falta de actividade.
"Eu não sou isto", pensou, vezes sem conta. "Eu não sou a falta de que fazer, não sou a falta de com quem estar. Não sou este vazio. Não posso ser."
Acabou por se deitar, sem ficar convencido.
Revirou-se na cama por mais uma hora, até por fim chegar ao estado imediato ao sono.
Precisamente nesse momento, voltou a luz.

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