De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

21
Jan 09

Há dias em que mais vale não sair da cama.
Hoje, por exemplo, foi o dia da votação da legislação sobre a venda de brinquedos sexuais. Querem impedir que sejam vendidos em lojas genéricas, ou em estabelecimentos próprios, sob o pretexto de "preservar a sensibilidade moral do público". O que é ridículo, vindo do monte de devassos que nos governam. Mas eles gostam de armar-se, e quem sofre são os donos de sexshops, que têm que abrir falência, e os consumidores de produtos sexuais, que têm que passar a comprar na internet. Enquanto eles não proibírem  isso também!
Sendo um acérrimo defensor das nossas liberdades sexuais, juntei-me à manifestação de protesto desta tarde.
Éramos uns milhares de pessoas. Menos que o desejável, mas suponho que é complicado movimentar milhões em defesa dos brinquedos sexuais.
Mesmo assim, os ânimos estavam exaltados. Alguns tipos apareceram vestidos de genitália, e houve um ou dois que mostraram mesmo o material deles.
E a polícia cercou-os.
Eu passei-me. Sem pensar, subi a intensidade do protesto. Já percebo aqueles tipos que se imolam pelo fogo. Os calores sobem-lhes à cabeça. Foi o que me aconteceu.
Agarrei no meu pénis, peguei numa cerveja, reguei-o com ela, e deitei-lhe fogo.
Como protesto, percebem? A ideia era apagá-lo, mas porra, como é que eu ia pensar que NINGUÉM ia levar água para uma manifestação?
O certo é que toda a gente ficou a olhar para mim. Mas aquilo começou a doer-me, e eu entrei em pânico. Desatei a correr. Empurrei um tipo, que também tinha uma cerveja, e ficou com a roupa toda molhada. E as chamas da minha pila deitaram-lhe fogo à roupa. Ele entrou em pânico, e correu para a estrada.
Um carro passou-lhe por cima.
De forma que fui preso, acusado de homicidio involuntário. E com a pila queimada.
Devia ter ficado na cama...

publicado às 00:01
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