De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

08
Jan 09

No início do século XXI as pessoas trabalhavam mais que formigas, nem no Inverno descansavam. Corriam de um lado para o outro, não faziam nada criativo e ao final do dia dormiam umas poucas horas para voltarem ao reboliço da rotina do dia anterior. Casa, trabalho, casa, trabalho. O vazio crescente nos seres humanos era assustador, mas não havia muito tempo para se pensar nisso. 

Apostou-se na criação de sistemas de entertenimento portáteis para acompanhar as pessoas nas suas movimentações rápidas. Sistemas de som, consolas portáteis, livros de bolso, jornais diários, enfim tudo e mais alguma coisa. O mais misterioso é que tinha sido as próprias pessoas a inventarem o trabalho e o seu número de horas de escravidão. 

Isabel ficou em casa com uma gripe e parou para pensar nisto tudo. Que vida maluca! À hora de jantar desligou a televisão, negou uma rapidinha ao marido e pediu para conversarem. Ele olhou para o relógio e disse “Ok, temos 10 minutos antes da novela começar”. Ok, aquilo foi demais da parte do Alberto mas ela ignorou (mais ou menos, as mulheres não esquecem) e iniciou a exploração das suas ideias. Primeiro ele disse que estava bem assim, ficarem em silêncio, depois de lavar os dentes, mesmo ao aproximar-se da cama disse-lhe “És capaz de ter razão, temos de arranjar uma maneira para termos mais tempo”. 

E assim inventaram o beijo da preguiça, Isabel beijou-o até ter a certeza que ele ia ficar com gripe para passados uns dias ficar em casa a meditar na vida e ter tempo para si. Sempre que um sentia a necessidade de preguiçar, arranjava uma forma de criar um beijo de preguiça que podia nem sempre ter a sua forma original mas era uma forma de fugir aos grilhões criados por antepassados e perpetuado pelos seus pares.

publicado às 00:01
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comentário:
Vou recomendar esse beijo de preguiça aos meus doentes. Mas sem o propósito de propagar a gripe, claro.
sheila a 10 de Janeiro de 2009 às 23:12

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