Bateram à porta.
Foi ver: era um homem magrinho, sem eira nem beira; deixou-o entrar, deu-lhe comer, vestiu-o e casou-se com ele.
Bateram à porta.
Foi ver: era um gato bebé, não mais que cinco semanas, a miar com fome; deixou-o entrar, deu-lhe comer e chamou-lhe Tareco.
Bateram à porta.
Foi ver: Era uma cadela, pequena, suja, com fome; deixou-a entrar, deu-lhe banho, escovou-lhe o pêlo, alimentou-a, chamou-lhe Xica e arranjou-lhe dono.
Bateram à porta.
Foi ver: era uma menina com uma gatinha na palma da mão a pedir-lhe para salvá-la; tirou-lhe a gata da mão, deu-lhe biberão, limpou-lhe a barriga e chamou-lhe Riscas.
Bateram à porta.
Foi ver: era uma cadela boxer, esfomeada, com feridas infectadas, que mal podia se por em pé; deixou-a entrar, deu-lhe comida, curou-lhe as feridas, tirou-lhe as pulgas e chamou-lhe Magui.
Bateram à porta.
Foi ver: era uma menina bebé, dentro de um cestinho, sem pai nem mãe; agarrou no cesto, deu biberão à bebé, mudou-lhe a fralda e chamou-lhe Filha.
Bateram à porta.
Foi ver: Eram as amigas do senhor magrinho que tinha inchado de importância; deixou-o sair e divorciou-se.
Bateram à porta.
Foi ver: Era um cão, bebé, abandonado, com fome; deixou-o entrar, deu-lhe banho, mimou-o, alimentou-o, chamou-lhe Boby e arranjou-lhe dono.
Bateram à porta.
Foi ver: Era um senhor a pedir atenção; deixou-o entrar e amou-o.
Bateram à porta.
Foi ver: Era a vida à espera deste senhor; deixou-o ir.
Bateram à porta.
Foi ver: Era o senhor da empresa de anúncios luminosos em néon que ela tinha encomendado para montar por cima da porta de sua casa:
ASILO MARINELA
ESTÁ NA MERDA?
AQUI, SAIA DELA!!