De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

20
Jan 09

Bateram à porta.

Foi ver: era um homem magrinho, sem eira nem beira; deixou-o entrar, deu-lhe comer, vestiu-o e casou-se com ele. 

Bateram à porta.

Foi ver: era um gato bebé, não mais que cinco semanas, a miar com fome; deixou-o entrar, deu-lhe comer e chamou-lhe Tareco. 

Bateram à porta.

Foi ver: Era uma cadela, pequena, suja, com fome; deixou-a entrar, deu-lhe banho, escovou-lhe o pêlo, alimentou-a, chamou-lhe Xica e arranjou-lhe dono. 

Bateram à porta.

Foi ver: era uma menina com uma gatinha na palma da mão a pedir-lhe para salvá-la; tirou-lhe a gata da mão, deu-lhe biberão, limpou-lhe a barriga e chamou-lhe Riscas. 

Bateram à porta.

Foi ver: era uma cadela boxer, esfomeada, com feridas infectadas, que mal podia se por em pé; deixou-a entrar, deu-lhe comida, curou-lhe as feridas, tirou-lhe as pulgas e chamou-lhe Magui. 

Bateram à porta.

Foi ver: era uma menina bebé, dentro de um cestinho, sem pai nem mãe; agarrou no cesto, deu biberão à bebé, mudou-lhe a fralda e chamou-lhe Filha. 

Bateram à porta.

Foi ver: Eram as amigas do senhor magrinho que tinha inchado de importância; deixou-o sair e divorciou-se. 

Bateram à porta.

Foi ver: Era um cão, bebé, abandonado, com fome; deixou-o entrar, deu-lhe banho, mimou-o, alimentou-o, chamou-lhe Boby e arranjou-lhe dono. 

Bateram à porta.

Foi ver: Era um senhor a pedir atenção; deixou-o entrar e amou-o. 

Bateram à porta.

Foi ver: Era a vida à espera deste senhor; deixou-o ir. 

Bateram à porta.

Foi ver: Era o senhor da empresa de anúncios luminosos em néon que ela tinha encomendado para montar por cima da porta de sua casa: 

ASILO MARINELA

ESTÁ NA MERDA?

AQUI, SAIA DELA!!

publicado às 00:01

comentário:
Ma-ra-vi-lho-so!
Rui Diniz a 20 de Janeiro de 2009 às 11:18

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