De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

04
Fev 09

- Espera lá, como é isso? - Perguntou ela, rolando na cama.
- Bom, - respondeu ele, fazendo por não se distrair com o seio mal oculto pelo lençol, - eu vejo Amor. É o meu super-poder.
Ela riu-se.
- Ai tu tens um super-poder, é? E como é que funciona?
Ele sabia que não estava a ser levado a sério, mas não viu mal em explicar ainda assim.
- É assim: quando olho para alguém, vejo automaticamente o amor dessa pessoa. Vejo se ama alguém, quem ama, se é correspondido, se já confessou o seu amor, as razões pelas quais pode não ter confessado, etc.. Vejo tudo isso. Quer dizer, é ver, mas é mais ver sem ser com os olhos. É mais ligado ao instinto. - Agora que as palavras lhe tinham saído da boca, parecia-lhe uma explicação algo parva. Coisa que ela confirmou, ao rir-se novamente. Mas ele tinha decidido ser honesto. - É um pouco dificil de explicar, mas pronto...
- Portanto, tu olhas para mim, e vês o meu amor por ti. É isso?
- É isso mesmo.
Ela parecia divertida, e lançou-lhe um daqueles sorrisos a que ele nunca resistia. Ele sorriu também, e acariciou-lhe o rosto com ternura, sentindo um arrepio agradável percorrer-lhe a espinha.
- És um tonto - disse ela, beijando-o. - Mas eu amo-te na mesma.
- Eu sei.
Ela virou-se, tentando dormir. Ele ficou a olhar para ela por mais uns momentos, e sentiu-se culpado. Não quisera mentir, mas não tivera escolha. Fez por afastar esses pensamentos. Sabia que não conseguiria dormir se não parasse de pensar no facto de que, por mais que olhasse para a mulher que amava, não via nela amor algum.
Então concentrou-se na lembrança dos momentos que passavam juntos, virou-se para o lado, e minutos depois, adormeceu.

publicado às 00:01
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