De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

05
Fev 09

Uma sala acolhedora, temperatura ideal (graças à lareira que fazia esquecer o frio de um Inverno rigoroso), Fanfas refastelado no sofá, pés em cima da mesa, sentia-se em casa... mas não estava. Os Velhos amordaçados a um canto e a meia que usava para tapar a cara diziam tudo.

Tudo se passou da seguinte forma, Necas de 84 anos estava a ver o "Preço Certo" quando tocaram à campainha. Pensou que era a moça nova do 3º andar a recolher assinaturas para as obras do prédio, magicou ser uma oportunidade de olhar para um decote fantástico. Abriu a porta sem perguntar quem era. Em vez da moça estavam três moços encapuçados, armados com caçadeiras. Sem conversas invadiram-lhe o lar, empurraram-no contra a parede e taparam-lhe a boca com a mão.

Gertrudes cozinhava um peixinho cozido para as dois e o agravar da sua surdez camuflou os ruídos do hall de entrada. Gritou várias vezes "Necas larga a televisão e vem pôr a mesa!" e por não ter resposta foi ver o que se passava. Esperava o pior quando ele não respondia, não esperava era ver três gandulos a cercar o seu homem. Gritou com toda a força que os seus pulmões deixaram (que não foi assim muito, a idade já pesava). O Casal foi amordaçado e Fanfas, líder dos gandulos deixou-se ficar a ver televisão, refastelado no sofá.

O que eles não sabiam é que a velha Micas morava também na casa. Ninguém sabia a idade dela, apenas que era perigosa. O primeiro que foi usar o WC, levou com o penico da Micas na cabeça, o segundo morreu com uma agulha de crochet. Fanfas adormeceu no sofá e já não acordou, o fogo da lareira não deixou. E é por isso que ainda hoje os gandulos têm medo de assaltar casas com Velhos.

publicado às 10:18
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comentário:
Lol lindo :)

Mas a história deveria continuar :P
Como a Micas se atreveu a agir em auto-defesa, e isso é basicamente ilegal, o sr. polícia, o sr. juíz e o sr. jornalista-idiotamente-ingénuo vieram depois assediá-la com todo o tipo de acusações. O sr. do governo aproveitou para passar mais legislação anti-cidadãos e pró-estado policial, e comprou câmaras de vigilância, bem como fatos pretos e botas militares para dar ao sr. polícia, para "proteger os cidadãos de si próprios". E cobrou mais impostos à Micas, 1/3 dos quais para pagar a despesa anterior, e 2/3 para asseverar o princípio de que o estado pode roubar legalmente e depois fazer o dinheiro desaparecer por artes mágicas.

Como se isso não fosse suficiente, a Micas teve de fechar o seu pequeno negócio, já que o sr. polícia e o sr. polícia-inconstitucional (sr. asae) irromperam pelo mesmo dentro, de armas em punho, para roubar propriedade e capitais para dar ao sr. do governo; e para impedir a Micas de fazer concorrência ao sr. multinacional do bairro ao lado (como se atrevia ela a fazer tal coisa?)

Com todos esses problemas e despesas, a Micas deixou de conseguir pagar a tempo o crédito da sua habitação. Foi então que o sr. banqueiro reparou que se tinha endividado demasiado com os outros srs. banqueiros, com o sr. do governo e com o sr. multinacional. Pediu ao sr. do governo que lhe desse o dinheiro entretanto roubado à Micas, coisa que o sr. do governo fez com um sorriso.
E depois, como esse dinheiro não bastava, lembrou-se de que poderia roubar a casa à Micas. Então, juntou-se com o sr. do governo e ambos fizeram um housejacking com sucesso, e com direito a uma palavra simpática do desarticulado sr. jornalista.

Então, como o sr. do governo não queria que os vizinhos vissem a Micas a ficar na rua, enviou-a para um campo de concentração da 3ª idade, também conhecido como lar de idosos estatal.
E foi assim que a Micas pôde usufruir de todo o amor do estado corporatista.
Rui Garrido a 7 de Fevereiro de 2009 às 03:50

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