Tudo começou de repente. Um dia, no banho, reparou que tinha uma mancha negra na mão.
Preocupada, foi ao médico que lhe diagnosticou o pior: gangrena. Não acreditou nesse destino atroz que a vida lhe estava a oferecer. Pediu uma segunda opinião. E uma terceira. E ainda uma quarta. Todos lhe garantiram e confirmaram o primeiro diagnóstico!
-Tratamento?, inquiriu.
- Amputação!, disseram-lhe.
Impossível de aceitar pacificamente: não permitiu que lhe amputassem a SUA MÃO!
No entanto, sabia que apenas tinha dois destinos: ou ficava sem a mão ou perdia a vida! Angustiada, consciente que adiava o inevitável, conseguiu viver mais algum tempo, tentando acreditar que aquela mancha não era gangrena e que não iria alastrar para o resto do corpo.
Mas a cura sonhada e impossível não veio. A mancha aumentava ligeira e inexoravelmente, cobrindo a mão e subindo pelo braço. Tentava negar a dor, o aspecto e o cheiro que lhe provocavam horas de angústia e um mau estar imenso.
Com o tempo, a ideia da amputação começou a ser-lhe querida. E notava que se o tivesse permitido, aquando do primeiro diagnóstico, apenas tinha ficado sem A mão. Agora, cada dia que passava, a amputação necessária à sua sobrevivência subia, centímetro a centímetro. Mesmo assim, adiava a decisão.
Uma manhã, olhou-se ao espelho e viu que já era a sua Vida que estava em jogo e escolheu a Vida.
A dor da perda foi quase insuportável. O braço amputado fazia-lhe falta. Sonhava que o tinha. Sentia uma comichão impossível. Com dor, habituou-se a viver sem ele.
Um dia, quase morreu de susto, pois viu o SEU braço (antes morto!) enxertado no corpo de uma bela rapariga. E estava vivo, a podridão desaparecera!!
Desesperada foi para um viaduto esperar por um comboio e no primeiro Alfa-Pendular que apareceu, lançou-se …