De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

10
Fev 09

Tudo começou de repente. Um dia, no banho, reparou que tinha uma mancha negra na mão.

Preocupada, foi ao médico que lhe diagnosticou o pior: gangrena. Não acreditou nesse destino atroz que a vida lhe estava a oferecer. Pediu uma segunda opinião. E uma terceira. E ainda uma quarta. Todos lhe garantiram e confirmaram o primeiro diagnóstico!

-Tratamento?, inquiriu.

- Amputação!, disseram-lhe.

Impossível de aceitar pacificamente: não permitiu que lhe amputassem a SUA MÃO!

No entanto, sabia que apenas tinha dois destinos: ou ficava sem a mão ou perdia a vida! Angustiada, consciente que adiava o inevitável, conseguiu viver mais algum tempo, tentando acreditar que aquela mancha não era gangrena e que não iria alastrar para o resto do corpo.

Mas a cura sonhada e impossível não veio. A mancha aumentava ligeira e inexoravelmente, cobrindo a mão e subindo pelo braço. Tentava negar a dor, o aspecto e o cheiro que lhe provocavam horas de angústia e um mau estar imenso.

Com o tempo, a ideia da amputação começou a ser-lhe querida. E notava que se o tivesse permitido, aquando do primeiro diagnóstico, apenas tinha ficado sem A mão. Agora, cada dia que passava, a amputação necessária à sua sobrevivência subia, centímetro a centímetro. Mesmo assim, adiava a decisão.

Uma manhã, olhou-se ao espelho e viu que já era a sua Vida que estava em jogo e escolheu a Vida.

A dor da perda foi quase insuportável. O braço amputado fazia-lhe falta. Sonhava que o tinha. Sentia uma comichão impossível. Com dor, habituou-se a viver sem ele.

Um dia, quase morreu de susto, pois viu o SEU braço (antes morto!) enxertado no corpo de uma bela rapariga. E estava vivo, a podridão desaparecera!!

Desesperada foi para um viaduto esperar por um comboio e no primeiro Alfa-Pendular que apareceu, lançou-se …

publicado jjnopants às 00:01

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