Quando teve força, divorciou-se mas não conseguiu enterrar o passado. Ela bem que tentava, mas sempre que o fazia, deixava uma pontinha solta e, bastava uma pequena distracção e lá estava ele, o Tal, a assombrar a sua Vida, tornando-a insuportável.
Ela queria voar, mas o lastro do Passado prendia ao solo.
Olhou para dentro de si e procurou incansavelmente pelas razões pelas quais não conseguia largar o lastro incómodo, diria mais, doloroso e desnecessário.
Gastou horas do seu Tempo.
Perdeu a sua Paz.
E não conseguiu.
Ele, o Tal, continuava a sua assombração, impedindo-a de ser feliz.
Tentou tudo:
Calmantes;
Anti-depressivos;
Estupefacientes;
Álcool;
Boxe;
Kickboxing;
Gritar no meio do nada;
Comer ameixas verdes;
Dança;
Corrida;
Sexo;
Meditação;
Reiki;
Yoga
e nada, nada lhe aliviava o peso do passado.
Forçava-se a pensar no mal que o Tal lhe tinha feito.
Tentava acreditar que tinha sido ela a não querer viver assim.
Sempre que pensava nele, obrigava-se a gritar a si mesma: Pára!!!!
O pior era mesmo à noite, quando não tinha controle sobre os seus sonhos: o Tal povoava-lhos e estragava-lhe o descanso.
Ela bem sabia, não se conseguia enganar, tinha a plena consciência, que não era o Tal que lhe fazia isso. Ela tinha a noção que era a sua Mente sem Paz que lhe pregava estas partidas.
Ontem na praia, ao calor morno da tarde, ela encontrou uma garrafa de gargalo largo e lá dentro conseguiu colocar:
O Tal;
O casamento;
A traição que engoliu;
As mentiras que ouviu;
O desprezo que sofreu;
O egoísmo e
A indiferença de que foi vítima e
O desespero que quase a levou à
Morte.
Rolhou a garrafa e lançou-a ao mar.
Espera agora que a Paz chegue.