De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

18
Fev 09

Quando Roberto dizia que era um swinger (e costumava dizê-lo sem problemas), toda a gente tinha a mesma reacção, uma qualquer variante de "elá, isso é só rebaldaria! É só pegar e andar!" Algumas das reacções eram mais positivas que outras, mas eram sempre parecidas.
As pessoas não entendiam. "Por mais que se explique, quem está de fora não pode entender", pensou, ao ajeitar os documentos à sua frente, de esferográfica na mão.
Fez uma pausa, e mais uma vez, pensou no estilo de vida que estava a deixar para trás.
As pessoas pensavam que encontros de swingers eram só orgias desenfreadas, que bastava saltar para cima da primeira pessoa que se encontrasse, montá-la por meia dúzia de minutos, e passar à próxima.
E pelo menos para ele, não era nada disso. Se fosse, Roberto nunca teria participado. Não foi isso que o atraiu, nem a sí nem à sua mulher. O que os atraiu foi a partilha. A comunhão. Todos os elementos do grupo habitual sentiam uma intimidade enorme entre si. O sexo era para eles uma maneira de se partilharem com os outros, uma forma de exporem o seu âmago, de ligarem a sua natureza. E isso sentia-se imediatamente, mesmo quando se era novo no grupo.
Era uma comunidade. Não unida por causa do sexo, mas através dele.
Por isso quando alguém lhe dizia que "epá, eu precisava de dar umas quecas, e tal. Dá para me apresentares ao grupo", ou outra variante disso (também esta conversa era demasiado frequente), Roberto respondia sempre negativamente. Porque não era disso que se tratava. Não era, nem nunca fora, sobre foder.
"Quem me dera que fosse", pensou, triste, assinando finalmente os papéis do divórcio. "Porque eu aguentava bem vê-la a foder outros homens. Mas já não consigo mais vê-la a fazer amor com mais ninguém."

publicado às 00:01
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