De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

11
Mar 09

- Estou sem munições! - Gritou Bolinha, agachado atrás da pequena banheira de plástico que nunca servira para nada. - Vou sair, ok?
Aguardou pela resposta, mas do outro lado da jaula não veio nada. Decidiu arriscar. Lentamente, ergueu-se nas patas traseiras, agarrando na sua metralhadora com uma das patas dianteiras, tão alto quanto conseguia. O que não era muito.
- Óscar? Eu estou sem munições. Vou sair...
Com a cabeça acima da banheira, espreitou na direcção da caixa da comida. Óscar mantinha-se oculto atrás dela. "Talvez esteja a recarregar", pensou Bolinha. Com um esforço muito para além do que julgara possivel, deu dois passos apenas nas patas traseiras, o bastante para perder qualquer abrigo dado pela banheira de plástico. Estava a descoberto. E só podia esperar que não fosse um erro tremendo.
Por longos segundos, permaneceu imóvel e silencioso. Até que finalmente, Óscar ergueu-se de trás da caixa, hesitante.
- Então rendes-te? - Óscar apontava ameaçadoramente a metralhadora. Por momentos, Bolinha temeu o pior.
- Que remédio... Sem balas não posso fazer grande coisa. Ganhaste, Óscar. É tua.
Óscar olhou para Bolinha, surpreendido.
E por um momento, baixou a arma.
Era a aberta que Bolinha esperava. Numa fracção de segundo, voltou a erguer a sua metralhadora, e soltou uma rajada de tiros, atingindo em cheio o corpo peludo de Òscar, que caiu inerte no chão da gaiola.
Bolinha largou a sua arma, e caminhou nas quatro patas até ao corpo do único amigo que alguma vez tivera. Estava morto. Sem se deter mais tempo, Bolinha correu para a enorme roda plástica que dominava a gaiola. Subiu para dentro dela, e finalmente disfrutou do prazer de lá correr. Tinha valido a pena.
Satisfeito, Bolinha correu. E correu mais ainda. Correu sempre, só parando para comer e dormir.
Foi tudo o que fez até ao final da sua curta vida.


(O meu profundo agradecimento aos Twitterati que me ajudaram com os nomes, e ao Bruno que me mostrou a foto que me inspirou)

publicado às 00:01
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