De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

20
Mar 09

Última actuação. De uma cartola preta saltou um coelho gorducho, foi o espanto de todos os presentes. Seguiram-se outros coelhos e muitos risos de crianças. Ao todo eram cerca de vinte coelhos branquinhos, alinhados em frente ao Ilusionista. O espectáculo terminou com uma salva de palmas depois de todos os animais fazerem uma vénia. Música de circo, a cortina baixa e o Ilusionista sozinho no seu camarim era apenas um homem sem ilusões. Um homem chamado Fernando.

Fernando podia acabar com a fome no mundo, bastava tirar todos os coelhos que quisesse da cartola e depois seria só cozinhá-los. Que raio de ideia! Ele adorava coelhos. O problema sempre foi que tirava muitos coelhos da cartola mas depois não os conseguia voltar a colocar na cartola. Como não era capaz de se livrar deles, tinha uma casa cheia de coelhos. Naquela noite abusou muito, vinte coelhos, é o que dá ser viciado em palmas.

A namorada deixou-o por ser alérgica a coelhos, os amigos não achavam que ele tivesse uma vida digna, os seus colegas no circo eram apenas colegas. Para muitos seria sinal de uma má vida, para o Fernando eram contratempos partes integrantes do seu caminho individual. Tal como aquele dia, em que encontrou a cartola preta e se tornou parte de algo diferente. Foi o seu último espectáculo, a sua jornada de aprendizagem terminou, agora estava pronto para se tornar o mestre da sua cartola.

Despediu-se dos seus coelhos num campo onde eles podiam sobreviver, colocou a cartola na sua cabeça e seguiu estrada fora. Mente clara, sorriso na cara e com um objectivo em mente. Ao atravessar uma ponte viu um estranho vulto de cartola, como se estivesse à espera dele. Ao aproximar-se notou que o outro homem de cartola tinha um coelho branco no ombro.

De resto não sabemos mais nada, nunca mais foi visto... Pelo menos neste mundo.

publicado às 00:19
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2 comentários:
Muito original. Gostei.
dottoratoamilano a 20 de Março de 2009 às 21:34

Muito obrigado. Foi escrito muito à pressão e, muito honestamente, acho que lhe falta qq coisa. Fiquei com vontade de desenvolver esta história.
Jorge a 22 de Março de 2009 às 13:02

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